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Técnica em enfermagem divide atenção entre
paciente e celular
em Hospital Público de Macaé, no RJ — Foto:
Reprodução/Inter TV
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Uma técnica em enfermagem foi flagrada
dividindo a atenção entre o atendimento ao paciente e uma conversa por
aplicativo no celular dentro do Hospital Público Municipal de Macaé, no
interior do Rio. As imagens foram feitas por uma mulher que acompanhava outro
paciente, enquanto ela aplicava uma medicação com a seringa.
A Prefeitura informou que a técnica em
enfermagem é concursada e já foi afastada em definitivo de toda e qualquer
atividade na área de Saúde. O município disse que o caso foi encaminhado à Secretaria
Adjunta de Recursos Humanos para a instauração de um processo administrativo.
O flagrante foi feito por uma estudante de
Administração que preferiu não se identificar. Ela contou ao G1 que
a técnica fez o mesmo procedimento em vários pacientes durante cerca de uma
hora, e que avisou à mulher que ia gravar a situação, mas ela não se importou.
A estudante afirmou que acompanhava o pai no
hospital para um atendimento e observou que a mulher falava o tempo todo ao
celular, mas a ligação caiu, e ela começou a mandar áudios por um aplicativo.
"Ela
manuseava e mexia no aparelho celular ao mesmo tempo, por causa dessas coisas é
que muita gente pega uma infecção e morre", disse indignada a estudante.
Ela disse ainda que depois de presenciar a
forma como a técnica atendia os pacientes, não deixou que o pai fosse tocado
por ela.
"Ela
aplicava a seringa e nem olhava se o paciente tinha alguma reação. Um
absurdo."
A estudante disse que tentou falar com a ouvidoria
do hospital e não teve sucesso, por isso, resolveu postar as imagens em uma
rede social na última segunda-feira (25).
A Prefeitura informou que a mulher será
convocada para se apresentar à Procuradoria-Geral do Município, onde vai
prestar esclarecimentos. A identificação da técnica não foi revelada porque,
segundo a Prefeitura, a investigação ocorre em segredo, mas o G1 tenta
contato com a ela.
Respostas
dos Conselhos
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen)
disse que só pode se posicionar após a instauração de processo ético, que deve
acontecer junto ao respectivo Conselho Regional de Enfermagem. Informou ainda
que atua como instância recursal nestes processos.
"Há indícios de infração ao Código de
Ética da Enfermagem, que serão avaliados. Em caso de condenação no âmbito do
Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, as penalidades podem abranger
desde advertência verbal à cassação do registro profissional", informou o
Conselho Federal.
O Cofen acrescentou também que os conselhos
não têm prerrogativa legal para atuar na esfera trabalhista ou criminal.
Já o Departamento de Ética do Conselho
Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) disse que já acolheu a
denúncia e solicitou providências ao Departamento de Fiscalização, via
diligência ao Hospital Geral de Macaé, a fim de identificar a mulher
denunciada.
"Caso se confirme que trata-se de
profissional de enfermagem, ela será convocada ao Coren-RJ para prestar
esclarecimentos pela conduta irregular, podendo responder a Processo Ético, à
luz do que preconiza o Código de Ética da Enfermagem e dos protocolos de
segurança da assistência", complementou o Coren-RJ.
Ainda de acordo com o Coren-RJ, ela poderá
sofrer possíveis sanções ao seu exercício profissional, tais como advertência,
suspensão e cassação do registro, sempre se respeitando o seu direito de defesa
e do contraditório. Como de fato ainda não há a identificação da denunciada, o Coren-RJ
vai aguardar mais informações para emitir um posicionamento.
Por Franklin Vogas e Caio Dias, G1 e
RJ1 — Região dos Lagos

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