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© Fornecido
por AFP (18 mar) Francisco recebe
Barbarin no
Vaticano
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O Papa
Francisco rejeitou a renúncia do cardeal francês Philippe Barbarin, condenado a
seis meses de prisão com sursis por não denunciar os crimes sexuais de um
padre, revoltando as vítimas que consideram o sacerdote um símbolo do silêncio
da Igreja frente à pedofilia.
Segundo um
comunicado do Vaticano, o papa evocou "a presunção de inocência" para
o caso do cardeal.
"Na
segunda-feira de manhã, coloquei minha missão nas mãos do Santo Padre. Ao
invocar a presunção de inocência, ele não quis aceitar essa renúncia",
disse Barbarin, considerado o mais alto dignatário da Igreja católica na França.
Desta forma,
ele que continuará arcebispo de Lyon (leste) à espera de seu julgamento em
apelação, mas anunciou que deixará os assuntos correntes da diocese para o
atual vigário geral, o padre Yves Baumgarten, "por sugestão" do papa
e "porque a Igreja de Lyon está sofrendo".
O Vaticano
confirmou, por meio de comunicado, que "o Santo Padre não aceitou a
demissão apresentada pelo cardeal Philippe Barbarin", arcebispo de Lyon
desde 2002, cardeal desde 2003, primaz da Gália (título honorário conferido ao
arcebispo de Lyon desde o século XI).
"Consciente,
porém, das dificuldades vividas atualmente pela arquidiocese, o Santo Padre
deixou o cardeal Barbarin livre para tomar a decisão mais apropriada para a sua
diocese", acrescenta o texto.
Este anúncio
provocou a indignação das vítimas de pedofilia na diocese de Lyon, que a
consideraram "a d'água".
"Para mim,
parecia impossível que (o papa) cometeria tal erro. É inacreditável",
reagiu à AFP François Devaux, cofundador da associação de vítimas Parole
libéreé.
"Eu
acredito que esse homem vai conseguir matar a Igreja", acrescentou,
enquanto outro integrante da associação, Pierre-Emmanuel Germain-Thill,
lamentou uma decisão "chocante" e "um novo passo em falso"
por parte do papa.
A Conferência
Episcopal da França, em uma declação na qual tomou incomum distância, expressou
sua "surpresa" com uma "situação inédita".
O presidente da
CEF, monsenhor Georges Pontier, afirmou que compreendia que a decisão do papa
resulta do "conflito entre duas exigências", aquela de "respeitar
o curso da justiça" e aquela de "cuidar do bem estar da diocese de
Lyon".
Barbarin, de 68
anos, uma idade precoce na Igreja para renunciar, foi condenado em 7 de março a
seis meses de prisão com sursis por seu silêncio sobre os ataques pedófilos
cometidos pelo padre Bernard Preynat nos anos 1980/1990 e sobre os quais ele
havia sido informado por uma vítima em 2014.
O cardeal
insistiu durante seu julgamento que "nunca procurou esconder, muito menos
acobertar esses fatos horríveis". Mas o acórdão acusa-o de ter optado por
não dizer nada às autoridades francesas "para preservar a
instituição" da Igreja, impedindo assim "a descoberta de muitas
vítimas de abuso sexual pela justiça".
Apesar de o
bispo querer se demitir para apaziguar sua diocese, onde sua presença agora é
difícil, ele já recorreu de sua condenação.
O Papa
Francisco, por sua vez, defendeu por muito tempo o cardeal francês. Em 2016,
considerou que uma demissão antes do julgamento seria "uma
imprudência".
Em outubro,
Francisco concordou relutantemente, e depois de três semanas de reflexão, a
renúncia do cardeal americano Donald Wuerl, arcebispo de Washington suspeito
por um júri popular de ter abafado um vasto escândalo de abuso sexual na
Pensilvânia (nordeste Estados Unidos).
O prelado
americano de 77 anos, que afirma ter agido "no interesse das vítimas"
e foi elogiado pelo papa, não foi condenado como o cardeal francês.
AFP
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