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Polícia isolou viaduto para
retirada de artefatos explosivos
em Fortaleza — Foto: Rafaela Duarte/Sistema
Verdes Mares
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Série de
ataques tem 187 ações criminosas em 43 cidades cearenses desde 2 de janeiro.
Governo transferiu 41 membros de facções criminosas do Ceará para presídios
federais.
Criminosos voltaram a atacar um viaduto,
prédios públicos e veículos entre a noite de quinta-feira (10) e a madrugada
desta sexta-feira (11) no Ceará. A onda de violência no estado chegou ao 10º
dia seguido com 187 ataques confirmados em 43 dos 184 municípios cearenses. O
Governo do Ceará confirmou que, após a onda de violência, transferiu 41 membros
de facções criminosas do estado para presídios federais, sendo 20
transferências realizadas entre a noite de quinta e a madrugada desta
sexta-feira.
Os ataques começaram no dia 2 de janeiro,
quando bandidos incendiaram ônibus, transportes escolares, veículos de
prefeituras, prédios públicos e comércios na capital e no interior. A
Secretaria da Segurança Pública comunicou que 287 suspeitos de envolvimentos
nos crimes foram detidos. Os atentados iniciaram após o anúncio
de medidas do governo para tornar mais rígida a fiscalização nos presídios cearenses.
Entenda o
que está acontecendo no Ceará
- O governo
criou a secretaria de Administração Penitenciária e iniciou uma série de
ações para combater o crime dentro dos presídios.
- O novo
secretário, Mauro Albuquerque, coordenou a apreensão de celulares, drogas
e armas em celas. Também disse que não reconhecia facções e que o estado
iria parar de dividir presos conforme a filiação a grupos criminosos.
- Criminosos
começaram a atacar ônibus e prédios públicos e privados. As ações
começaram na Região Metropolitana e se espalharam pelo interior ao longo
da semana.
- O governo
pediu apoio da Força Nacional. O ministro da Justiça e Segurança Pública,
Sérgio Moro, autorizou o envio de tropas; 406 agentes da Força Nacional
reforçam a segurança no estado.
- A população
de Fortaleza e da Região Metropolitana sofre com interrupções frequentes
no transporte público, com a falta de coleta de lixo e com o fechamento do
comércio.
- Onda de
violência no Ceará afastou turistas e fez a ocupação hoteleira no estado
cair de 85% para 65%.
Explosão em
viaduto
Na noite desta quinta-feira, bandidos
detonaram explosivos na parede de um viaduto na rodovia CE-040, no Bairro
Messejana, na capital. A explosão não causou danos ao equipamento, mas o
viaduto precisou ser isolado durante a noite.
O barulho da explosão foi ouvido por
moradores de bairros vizinhos. De acordo com uma moradora da região que não
quis se identificar, a explosão gerou um tremor nas casas vizinhas. "Foi
um estrondo muito forte, tipo como se tivesse uma implosão de um prédio",
comentou.
De acordo com a Polícia Militar, parte do
explosivo não detonou e por conta disso a área do viaduto foi isolada. Uma
equipe do esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionado para o artefato
e evitar uma nova explosão.
Na madrugada de quarta-feira (9) também houve
explosão no viaduto da estação da Linha Sul do Metrô de Fortaleza do Bairro
Parangaba, em Fortaleza.
Presos
transferidos
Como reação aos crimes, o Governo do Estado
confirmou que mais 20 membros de facções criminosas que estavam detidos no
Ceará foram transferidos para presídios federais em outros estados. As
transferências ocorreram entre a noite de quinta e a madrugada desta
sexta-feira. O governo não informou a identificação dos detentos nem os estados
em que eles foram levados.
O Ministério da Justiça informou que foram
transferidos 15 presos do Ceará para o presidio federal de Mossoró. A operação
foi finalizada na manhã desta sexta-feira, com escolta conjunta da Polícia
Rodoviária Federal, Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e agentes do
Governo do Ceaará.
O governador Camilo Santana já havia
confirmado, em entrevista para a GloboNews, na quarta-feira (9),
que 21 chefes
de facções criminosas que estavam presos no Ceará foram levados para unidades
federais, totalizando 41 transferências. O Governo Federal já
havia oferecido 60 vagas para receber criminosos do Ceará.
Motivação
dos atentados
Os atentados começaram após uma fala do novo
titular da Secretaria de Administração Penitenciária do estado, Luís Mauro
Albuquerque, que afirmou que iria acabar a entrada de celulares nos presídios e
encerrar a divisão de presos nas detenções conforme a facção criminosa a que
pertencem.
O secretário da Segurança Pública do Ceará,
André Costa, afirmou que a nomeação do novo gestor das unidades prisionais
motivou o início dos ataques. Em pichações em prédios públicos e residências,
os criminosos pedem a saída de Mauro Albuquerque. "A criminalidade já
conhecia o trabalho dele", afirmou André Costa.
Por Rafaela Duarte e Valdir Almeida

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