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| Reprodução |
Empresa faz
financiamento próprio, pega o dinheiro da entrada e vendedores desaparecem.
Grupo de consumidores calcula que no último ano empresa golpista faturou R$ 200
mil.
Pelo menos 28
pessoas foram enganadas no Rio com o golpe da casa própria por uma empresa que
oferece financiamento com prestações a perder de vista. O cliente paga o valor
da entrada e depois disso, os supostos vendedores desaparecem.
A funcionária
pública Gezileia Barcelos Lau já sonhava com a casa onde ia morar. Em setembro
deste ano, ela encontrou a casa que também buscava. E descobriu que uma empresa
chamada Porto Seguro Habitacional oferecia um financiamento que cabia no bolso.
Ela tinha que dar de entrada 5% do valor do imóvel e o restante podia parcelar
a perder de vista. Ela pagou R$ 10 mil de entrada.
“É linda, a
casa é linda. A casa tem dois andares, tem terraço com churrasqueira, é a casa
dos sonhos. O golpe é muito bem feito, eles agem de uma forma que você já está
empolgado. Com aquela empolgação de conseguir uma casa, pedem para o dono da
casa estar lá para assinar também. Então, é muito bem feito e você acaba não
desconfiando. Você sonha, você planeja e quando você vai ver é tudo mentira.
Eles brincam com o sonho das pessoas, eles brincam, é isso”, lamentou Gezileia.
Desde então,
ela não consegue mais falar com ninguém da empresa. A dona de casa Andréa
Carvalho da Silva passa pelo mesmo problema. E ninguém dá uma resposta para
ela. Mas nem sempre foi assim. Quando ela entrou em contato interessada em
financiar uma casa, era fácil achar os funcionários. E eles respondiam até por
mensagem de áudio no celular.
“Oi, boa tarde.
Aqui a gente trabalha com autofinanciamento, a gente faz uma liberação de uma
linha de crédito, onde o cliente pode estar comprando qualquer imóvel
legalizado, a empresa paga à vista o proprietário e você fica pagando de forma
financiada. O nome da empresa é Porto Seguro”, diz a mensagem de áudio.
“Tenho R$ 10
mil para dar de entrada como funciona? Se correr tudo bem com o documento da
casa eu pego a casa? Não é sorteio? Como funciona isso?”, pergunta a compradora.
E o suposto
vendedor da empresa responde: “Não é sorteio nem lance. Até porque sorteio é
mais sistema de consórcio, você solicita a carta de crédito e vai ser
contemplada. Aqui a gente trabalha com crédito mesmo, você indicando imóvel a
gente agenda o cartório para fazer o pagamento entendeu? Em média, para você
poder estar morando no imóvel em torno de 45 dias mais ou menos”.
Há um ano
Andréa Carvalho da Silva deu R$ 15 mil de entrada para a empresa e nunca maus
teve retorno. "Dei R$ 15 mil, tem gente que deu R$ 20 mil, R$ 25 mil, um
monte de gente. Vendi minha casa, hoje moro até de aluguel por isso. Vendi
minha casa para comprar algo melhor para mim e para os meus filhos, abri um
negócio, mas moro de aluguel pago R$ 800 de aluguel. É um pesadelo, hoje tenho
problema de pressão seríssimo porque depois de ter minha casa própria a gente
está passando por tudo isso e eles não dão satisfação nenhuma para a gente”,
lamenta.
A Porto Seguro
Habitacional tem dois endereços, um em Campo Grande, na Zona Oeste, e outro no
Centro do Rio. A empresa também faz anúncios nas redes sociais, que usam para
quem quiser entrar em contato.
Mas se engana
quem pensa que se trata da seguradora Porto Seguro. Na verdade, não existe
relação. E isso foi confirmado pela seguradora no e-mail enviado à produção do
Bom Dia Rio.
A Porto Seguro
informou que não possui serviço de financiamento imobiliário e que já abriu
notificação contra a empresa.
“Eles sabem
falar e eles usam um nome muito importante que é o da empresa Porto Seguro. Aí,
a gente pergunta se essa empresa é a Porto Seguro. Eles respondem: é exatamente
essa Porto Seguro, mas é a habitacional”, disse o pedreiro enganado Emanuel
Triani de Miranda, que se desfez da casa dele e deu R$ 6.500 de entrada num
imóvel e agora mora com os sogros.
Pelo menos 28
pessoas caíram nesse mesmo golpe. Todas elas se juntaram e fizeram um grupo no
celular e lá todos descobriram que somando o valor que cada um deu, a empresa
já ganhou deles, só no último ano, R$ 200 mil reais.
“Fui começando
a perceber que era golpe, tentei registrar a queixa na delegacia do Tanque, não
registraram. Precisei ir na corregedoria que identificou como estelionato. Além
deu ter gastado os R$ 15 mil tive que pagar os documentos do cartório, moro de
aluguel, estou pagando advogado particular, estou tendo os custos do processo.
Até o dia de você pagar a entrada é tudo verdade, passa dali eles começam a
inventar mil desculpas, você sofre você liga, eles me proibiram de entrar no
prédio”, contou a secretária Camila Miranda.
E dinheiro que
é bom, até hoje, eles não conhecem ninguém que recebeu de volta. “Muitas não
quiseram assinar o desfeito do contrato com medo de não ter o dinheiro de
volta, mas eu assinei tem sete meses, mesmo que eles pagassem só 70%. Mas eles
nunca pagaram. É danos morais, dano de tudo, a pessoa se estressa, se desfaz de
tudo, de bens, para ter uma casa e é tudo mentira”, reclama Camila
Por Raquel Honorato, Bom Dia Rio

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