
Ministério
Público do país alega obstrução de Justiça no acordo de colaboração com a
Odebrecht. Procurador afirma que o pedido não têm sustentação jurídica.
O promotor José
Domingo Pérez, membro da equipe especial do Ministério Público que investiga o
caso 'Lava Jato' no Peru, solicitou denúncia contra o Procurador-Geral do país,
Pedro Gonzalo Chávarry, por suspeita de encobrimento.
Em documento
entregue à imprensa, Pérez informa ter comunicado "à Procuradoria a
suposta comissão de crime contra a administração da Justiça por meio de
encobrimento pessoal e encobrimento real" por parte do
"Procurador-Geral, Pedro Gonzalo Chávarry".
No documento,
Pérez explica que apesar dos preceitos normativos de reserva e
confidencialidade do processo de colaboração, "se tomou conhecimento de
que o senhor Pedro Chávarry, através do secretário-geral, Aldo León Patino,
participou de ações para entorpecer e obstruir o acordo de colaboração com a
empresa Odebrecht".
Pérez destaca
que o acordo de colaboração foi
firmado no dia 8 de dezembro passado e "permitirá que a
multinacional Odebrecht brinde informação sobre o pagamento de subornos a
funcionários peruanos e contribuições a campanhas políticas".
Segundo Pérez,
a ação de Chávarry visa a obstruir o acordo com a Odebrecht e o processo de
colaboração para que Jorge Barata, que era representante do grupo brasileiro no
Peru, não preste depoimento sobre o financiamento ilegal de campanhas
políticas.
Chávarry
utilizou o Twitter para rebater as acusações e afirmar que o pedido não têm
sustentação jurídica.
A equipe
especial do caso 'Lava Jato' investiga os casos de corrupção relacionados à
Odebrecht, que envolvem os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006),
foragido nos Estados Unidos, Ollanta Humala (2011-2016), detido durante nove
meses; Alan García (1985-1990, 2006-2011), e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018),
que renunciou em março passado.
Os subornos
também envolvem a líder do partido opositor Força Popular, Keiko Fujimori, que
cumpre prisão preventiva de 36 meses por receber dinheiro ilegal da Odebrecht
para a campanha de 2011.
Por France Presse
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