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© Werther
Santana/Estadão Joesley Batista.
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BRASÍLIA
– Em documento enviado ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, neste sábado, 21, a defesa
do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo
Cunha manifestou repúdio e considerou ridícula a ‘insinuação’ de
que o político teria ameaçado o empresário Joesley
Batista, dono do grupo J&F.
“Seria muita
pretensão do ora requerente (Eduardo Cunha), um ex-deputado do Rio
de Janeiro, hoje encarcerado, conseguir, de onde se encontra, mobilizar a
Polícia Militar de São Paulo para ‘cercar’ a residência desse réu Joesley. Tal
insinuação soa até ridículo”, escreveu o advogado Délio Lins e Silva no
documento enviado a Fachin, relator da Operação
Lava Jato no Supremo.
No início de
dezembro, a defesa de Joesley solicitou que a Polícia Federal instaurasse um inquérito para investigar ameaças que
o executivo afirma ter sofrido após prestar depoimento como testemunha de
acusação contra os ex-presidentes da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e
Henrique Eduardo Alves e o operador Lúcio Funaro. No último dia 12, Fachin
atendeu ao pedido da defesa de Joesley e determinou que a PF apure as supostas ameaças.
No documento,
os advogados contam que durante a audiência, realizada no dia 28 de novembro,
por videoconferência, o advogado de Eduardo Cunha informou o endereço em que
Joesley reside com sua família e pediu que ele confirmasse se ali morava. No
dia seguinte, narram os advogados, o empresário passou a receber
ligações no telefone fixo de sua casa em São Paulo e em Salvador.
Os telefonemas
foram atendidos pela empregada e o cozinheiro da família. Neles, o
interlocutor, um homem, de acordo com a defesa, em tom ameaçador, se
apresentava como delegado da Polícia Federal e amigo de Joesley e pedia que ele
depositasse R$ 50 mil em uma conta da Caixa Econômica Federal. Por fim, o autor
das ligações dizia: "Diga que o Eduardo está chegando em Brasília".
"Na
sequência das ligações, surgiram diversas viaturas da Polícia Militar do Estado
de São Paulo, que cercaram a casa e abordaram os seguranças e funcionários do
requerente, pedindo informações sobre os moradores, pois teriam recebido
denúncia anônima de que haveria naquela residência um roubo em andamento, com
indivíduos armados que mantinham os moradores como reféns", narram os
advogados.
A defesa
explica que os fatos se repetiram por três vezes: na sexta-feira,
dia 30 de novembro, no sábado, dia 1º de dezembro, e no domingo, dia 2 de
dezembro, o que, segundo os advogados, "gerou grande estresse e temor em
toda família" de Joesley.
"Os
dizeres do interlocutor ao telefone, em tese, denotam ameaça velada, pois
apontam para detalhes sutis (mensagens subliminares) que dão a entender
tratar-se de questão ligada à Caixa Econômica Federal (onde teve início a
operação Sepsis), que originou ação penal em que o requerente é testemunha de
acusação, na condição de colaborador da Justiça".
A Operação
Sépsis, citada pela defesa de Joesley, investigação sobre desvios milionários
do Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS) da Caixa Econômica Federal, levou a
Justiça Federal do Distrito Federal a condenar Cunha, Henrique Alves e
Funaro.
O advogado
Délio Lins e Silva, que representa Eduardo Cunha, destacou no documento enviado
a Fachin neste sábado que o endereço residencial de Joesley é de domínio
público, já que foi “diversas vezes” divulgado em operações realizadas pela
Polícia Federal.
“A indagação da
defesa do ora requerente (Eduardo Cunha) dirigida ao referido
réu (Joesley Batista) em relação ao seu endereço não se deu
com o objetivo de conhecê-lo, pois público, mas com o objetivo exclusivo de
obter a sua confirmação pelo próprio e referido réu de onde teriam ocorrido
fatos, até porque os autos demonstram que o endereço do referido réu Joesley
Batista, já era de há muito conhecido pelo ora peticionário, onde esteve por
mais de uma vez.”
Teo Cury

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