
Legislação
impediu 173 das 29 mil candidaturas, a maioria para deputado estadual. Do
total, 110 aguardam decisão da Justiça Eleitoral e podem estar nas urnas em
outubro.
As candidaturas
rejeitadas com base na Lei da Ficha Limpa representam 0,5% das 29 mil
apresentadas à Justiça Eleitoral para as eleições de 2018, e estão distribuídas
por 31 dos 35 partidos do país, segundo levantamento do G1 nos
dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A maioria é para deputado estadual.
A Lei da Ficha
Limpa torna inelegível por oito anos quem foi condenado em 2º instância,
renunciou ao mandato após abertura de processo, foi cassado ou teve as contas
rejeitadas pelos tribunais de contas.
Ao todo, 173
postulantes foram proibidos de concorrer por conta da lei. Desses, 63 estão de
fora das eleições de 2018. Os outros 110 apresentaram recurso, e aguardam uma
decisão final da Justiça. Por isso, podem estar nas urnas em 7 de outubro.
O G1 dividiu o número de
candidaturas rejeitadas por conta da Ficha Limpa pelo total de apresentadas por
cada partido. Os 10 maiores percentuais são os seguintes (os números absolutos
estão ao final da reportagem):
Percentual de
candidaturas rejeitadas por conta da lei sobre o total apresentado
Ficha Limpa por partidos
Percentual de candidaturas rejeitadas por conta da lei sobre o total apresentado
MDB
1,155
1,155
Fonte: TSE
Das 35 legendas
do país, apenas Novo, PCB, PSTU e Rede não tiveram nenhum candidato barrado
pela Ficha Limpa, de acordo com os dados do TSE.
Os barrados
estão divididos por 26 unidades da federação – a exceção é a Bahia – e por 8
dos 9 cargos em disputa nestas eleições. A maioria visava a uma vaga de
deputado estadual:
- Deputado estadual: 106
- Deputado federal e distrital: 58
- Governador: 3
- Senador: 3
- Presidente: 1
- 1º suplente de senador: 1
- Vice-governador: 1
O pesquisador
do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP)
Rafael Moreira cita 2 motivos para que um tão elevado número de partidos tenha
lançado pelo menos um candidato que se enquadra da Ficha Limpa. O primeiro
deles é a adoção de critérios de filiação pouco exigentes.
“Alguns têm
critérios mais frouxos: filia-se quem pode se eleger, e não necessariamente
quem está de acordo com as ideias do partido”, diz o pesquisador.
O outro motivo
é a cláusula de barreira. Promulgada pelo Congresso em 2017, ela estabelece
alguns limites mínimos de desempenho para que as legendas ao Fundo Partidário e
ao tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV.
Em 2018, os
partidos terão de obter, nas eleições para deputado federal, pelo menos 1,5%
dos votos válidos, distribuídos em, no mínimo, um terço das unidades da
federação, com ao menos 1% dos votos válidos em cada uma delas; ou ter eleito
pelo menos 9 deputados, distribuídos em, no mínimo, um terço das unidades da
federação.
“Uma estratégia
deve estar sendo lançar muitos candidatos, ainda que alguns sob risco de serem
barrados, mas aumentando as chances do partido superar a cláusula”, afirma
Rafael Moreira, da USP.
Presidente da
Comissão de Direito Eleitoral da Seccional de São Paulo da OAB, Silvio Salata
afirma que a fato de as candidaturas barradas pela Ficha Limpa serem uma
parecela menor do total de rejeições é resultado das iniciativas de combate à
corrupção levadas a cabo nos últimos ano.
“As operações
de combate à corrupção no poder público claramente intimidaram partidos e
políticos, mas ela [a corrupção] é sistêmica. [Mas] apesar da
intimidação, não foi exterminada”.
Partidos
culpam diretórios estaduais
O G1 procurou
o diretório nacional dos 31 os partidos com candidatos barrados foram
procurados pela reportagem por telefone e e-mail. DEM, PR, PSC, PSB, PSD, PV e
PSOL responderam. A maioria atribuiu aos diretórios estaduais a escolha e a
fiscalização de seus candidatos.
"São eles
[diretórios estaduais] que possuem a autonomia nesse processo. Se,
eventualmente, algum Diretório Estadual encaminhou candidatos que não se
enquadram na lei, que a Justiça Eleitoral se incuba, de fato, de impedir essas
candidaturas", disse, em nota, o presidente do DEM, ACM Neto.
O PSC afirmou
que "cabe aos tribunais conceder o registro e aos candidatos zelar por
suas candidaturas", contestou o PSC.
O PSD declarou
que segue a legislação eleitoral e que "as candidaturas são definidas com
autonomia pelas executivas estaduais".
O PV afirmou
que os casos de Ficha Limpa entre candidatos do partido são
"exceções."
O PSOL disse
que não tem conhecimento das candidaturas inaptas pela Ficha Limpa, e que a
direção nacional não é responsável pelas candidaturas estaduais.
O PSB informou
que cada diretório estadual tem autonomia para fazer a escolha dos candidatos e
que "são questões muito localizadas".
O PR disse:
"A direção do Partido da República não comenta ou oferece juízo sobre
decisões da justiça. Entretanto, convém esclarecer, o direito à postulação é
legítimo e a eventual decisão sobre a elegibilidade compete à Justiça
Eleitoral."
Barrados
pela Ficha Limpa
|
Partido
|
Candidaturas
|
Barrados
pela Ficha Limpa
|
|
AVANTE
|
1.050
|
5
|
|
DC
|
794
|
3
|
|
DEM
|
692
|
3
|
|
MDB
|
1.127
|
13
|
|
PATRI
|
1.234
|
9
|
|
PC do B
|
820
|
4
|
|
PCO
|
132
|
3
|
|
PDT
|
956
|
13
|
|
PHS
|
998
|
9
|
|
PMB
|
459
|
3
|
|
PMN
|
771
|
2
|
|
PODE
|
934
|
13
|
|
PP
|
758
|
3
|
|
PPL
|
598
|
3
|
|
PPS
|
674
|
1
|
|
PR
|
721
|
7
|
|
PRB
|
857
|
4
|
|
PROS
|
1.095
|
8
|
|
PRP
|
968
|
6
|
|
PRTB
|
1.016
|
5
|
|
PSB
|
961
|
7
|
|
PSC
|
886
|
4
|
|
PSD
|
697
|
10
|
|
PSDB
|
952
|
5
|
|
PSL
|
1.543
|
2
|
|
PSOL
|
1.347
|
2
|
|
PT
|
1.309
|
6
|
|
PTB
|
649
|
3
|
|
PTC
|
851
|
7
|
|
PV
|
907
|
3
|
|
SD
|
786
|
7
|
Fonte: TSE
Por Thaís Matos, G1
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