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© Reuters Daniel
Ortega governa a Nicarágua há 22 anos, desde
a revolução sandinista que provocou, em 1979,
a queda do ditador
Anastasio
Somoza
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Daniel Ortega declarou na
segunda-feira (23) que não renunciará à Presidência da Nicarágua e que concluirá seu
mandato em 2021, rejeitando os apelos da oposição para entregar o poder como
forma de superar a grave crise política no país. Mediadora do conflito entre o
governo e a oposição, a Igreja Católica havia proposto a antecipação das
eleições para 2019.
“Nosso mandato
termina em 2021, quando teremos as próximas eleições”, disse Ortega em
entrevista à rede de televisão americana Fox News, negando a proposta da
Igreja. “Antecipar as eleições criaria instabilidade, insegurança e pioraria as
coisas”, declarou o presidente, de 72 anos.
O presidente
governa a Nicarágua desde 2007, tendo sido eleito e reeleito para o cargo. Foi
líder da Revolução Sandinista, que derrubou a ditadura de Anastasio Somoza em
1979. Ficou no poder até 1990. No total, Ortega acumula 22 anos à frente do
Executivo da Nicarágua. Neste último período, Ortega se alinhou à doutrina
bolivariana do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.
Em abril, a
população foi às ruas para protestar contra uma reforma no sistema
previdenciário. A forte repressão ao movimento levou parte dos nicaraguenses a
deixado de lado a reivindicação original e a pedir a renúncia de Ortega, que
controla os três poderes e mantém um aparato de segurança similar ao da
Venezuela.
“Já se passou
uma semana desde o final dos distúrbios. As coisas estão voltando ao normal no
país”, disse o antigo guerrilheiro sandinista, admitindo que os protestos
pacíficos prosseguem.
Por ocasião do
Dia do Estudante, milhares de pessoas participaram de uma passeata aos gritos
de “Liberdade para os Presos”, “Justiça” e “Autonomia” universitária que
terminou diante da Universidade Centro-Americana (UCA).
Os
universitários carregaram cruzes em suas mochilas para recordar os mortos
durante a onda de protestos, e fotos de seus companheiros detidos de forma
“arbitrária” por participar das manifestações.
Já a União
Nacional dos Estudantes da Nicarágua (UNEN), ligada ao governo, realizou outra
passeata, em apoio a Ortega e para defender punição aos responsáveis pela
“tentativa de golpe de Estado”.
Prisões
arbitrárias
Nesta
segunda-feira, organismos de direitos humanos denunciaram a captura de centenas
de pessoas de forma arbitrária, apenas por sua participação nos protestos
contra Ortega.
Trabalhadores,
estudantes e famílias inteiras são vítimas de perseguição, captura ou sequestro
por participar das marchas opositoras ou ter um gesto humanitário com os que
rejeitam o governo, segundo o Centro Nicaraguense dos Direitos Humanos
(Cenidh).
Entre os presos
estão a líder do Movimento Estudantil de Masaya, Cristian Fajardo, e a
universitária Valeska Sandoval, que se refugiou na Igreja Divina Misericórdia
de Manágua durante o ataque de paramilitares à Universidade Nacional Autônoma
da Nicarágua (UNAN) em 14 de julho.
A diretora
Executiva do Cenidh, Marlin Sierra, disse que o número de detidos é incerto
porque muitos são presos e depois soltos. Porém, segundo o Cenidh, a onda de
protestos iniciada em 18 de abril já deixou 292 mortos, incluindo 20 policiais
e 30 paramilitares ligados ao governo.
A Comissão
Permanente de Direitos Humanos (CPDH) recebeu denúncias de familiares de 150
pessoas capturadas e de um número semelhante de “sequestrados”. Já a Associação
Nicaraguense Pró-Direitos Humanos (ANPDH) recebeu denúncias sobre cerca de 700
detidos.
Em meio à onda
de protestos contra o governo, o Parlamento controlado por Ortega aprovou na
semana passada uma polêmica lei que pune com entre 15 e 20 anos de prisão os
envolvidos em atividades contra o governo.
O secretário da
ANPDH, Álvaro Leiva, qualificou as detenções de “caça de jovens” por participar
ou apoiar os protestos (…) ou se expressar contra o governo nas redes sociais.
Leiva classificou as prisões como “sequestros” porque os paramilitares não têm
base legal para este tipo de ação.
Julia Braun

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