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Policiais do
Bope apreenderam um fuzil M-16 e uma pistola,
após
confronto no Babilônia (Foto: Reprodução/ PMERJ)
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Moradores
foram expulsos da comunidade e denunciam roubos; Alessandra dos Santos foi
atingida por bala perdida. Favelas da Zona Sul e de Niterói também sofrem com
guerra de facções.
A ordem passada
a traficantes pela mulher de um bandido preso levou terror ao Morro da Coroa,
no Catumbi, Zona Norte do Rio, de acordo com informações obtidas pelo G1.
O confronto entre criminosos de facções rivais começou na última sexta-feira
(1º) e só terminou quatro dias depois, quando traficantes "pularam"
para outra facção. Desde aquele dia, moradores estão em pânico.
Alguns foram
expulsos de casa e outros tiveram os telefones celulares tomados pelos
invasores, segundo relatos. O conflito aberto na região se deu entre criminosos
das facções Terceiro Comando Puro (TCP) e Amigo dos Amigos (ADA), de acordo com
investigadores.
A troca de
tiros na Coroa ignorou a presença de uma Unidade da Polícia Pacificadora (UPP)
na comunidade e o fato de o Rio de Janeiro estar sob intervenção federal na
Segurança Pública.
Conforme
apurado pela equipe de reportagem, há informações de que a mulher do traficante
Anderson Rosa Mendonça, o "Coelho", que está preso, esteve no
Complexo do São Carlos e repassou a determinação para que a Coroa fosse
invadida. Na região, a comunidade era a única que ainda permanecia sob domínio
da ADA e representava um importante ponto de venda de drogas para o TCP.
Fontes na
polícia confirmaram, na segunda-feira (4), que bandidos da favela tinham
"abraçado" a nova facção. A partir de então, todo o Complexo do São
Carlos - Zinco, Coroa, Querosene, Mineira e São Carlos - estava sob controle do
Terceiro Comando. A Polícia Civil informou que investiga as mudanças.
Com o fim do
confronto, os dias seguintes não foram de paz para moradores. Um deles denunciou
ao G1 que traficantes
da facção que assumiu o morro estão roubando celulares e eletrodomésticos de
moradores e se fala até em casos de tortura. Além disso, há também informações
repassadas ao Disque-Denúncia de pessoas que foram expulsas da comunidade por
serem parentes de criminosos que foram mortos ou que deixaram a favela.
Na quarta-feira
(6), uma tragédia: a auxiliar de limpeza Alessandra dos Santos Soares, de 27
anos, morreu
após ser atingida por uma bala perdida. Ela tinha duas filhas, uma
delas recém-nascida que ainda estava sendo amamentada.
Alessandra foi
baleada dentro de casa, próximo à Praça Amor de Mãe, na parte alta da Coroa.
Apesar do esforço da família para "blindar" a criança, a
filha mais velha da vítima está traumatizada e, segundo uma tia,
não conseguiu dormir na noite que sucedeu a morte da mãe.
Também segundo
moradores, os tiros que mataram Alessandra partiram de um confronto envolvendo policiais
militares e bandidos, num local entre os morros da Mineira e da Coroa. De
acordo com o relato, criminosos dispararam contra os PMs do Batalhão de Choque,
que estavam próximo à Praça Amor de Mãe. A Polícia Militar nega que tenha feito
qualquer operação na Coroa.
Ameaça de
invasão na Zona Sul
Enquanto
assumia o controle da Coroa, traficantes do TCP sofreram uma
"derrota" no Morro da Babilônia. A comunidade, que fica no Leme, na
Zona Sul carioca, com vista para o mar, estava sob domínio do TCP, que também
controla a favela vizinha, o Morro Chapéu-Mangueira. Na madrugada de
segunda-feira (4), a favela foi invadida por bandidos do Comando Vermelho.
Moradores das redondezas estão apavorados
com o confronto, que já dura quatro dias.
Segundo o
subcomandante do 19º BPM, tenente-coronel Gilbert dos Santos, homens da unidade
fazem um cerco que se estende até Botafogo para evitar que criminosos de ambas
as facções fujam das favelas no Leme. Mesmo assim, um dos bandidos conseguiu
escapar se passando por funcionário de um dos prédios próximos à
favela.
A disputa pelo
território já era monitorada pela Polícia Civil. Há cerca de um mês,
informações do setor inteligência da instituição indicavam que traficantes do
TCP poderiam tentar invadir o chamado Complexo PPG, que inclui os morros do Pavão-Pavãozinho
e Cantagalo, em Copacabana e Ipanema.
"Até hoje
não tive nenhum registro de invasão. Há informes de que o grupo do
Chapéu-Mangueira planejava um ataque, mas até agora não há nada concreto. Os
confrontos no Pavão-Pavãozinho e Galo geralmente ocorrem entre traficantes e
forças policiais, UPP [Unidade de Polícia Pacificadora] ou do COE [Comando de
Operações Especiais]", explicou o delegado Neilson Nogueira, titular da
13ª DP (Ipanema).
Mesmo com a
ameaça, o delegado avaliou ser pouco provável uma invasão porque os traficantes
do TCP, após a invasão do CV, ainda tentam se consolidar para retomar a
Babilônia. Já no PPG, há, segundo ele, outras questões que tornam mais difícil
uma invasão, como a geografia do morro, que tem várias entradas e área de mata.
Apesar do
aparente domínio do território no PPG pelo CV, o delegado garantiu que as
coisas mudaram de um ano para cá. Antes, segundo Nogueira, a UPP na comunidade
mantinha o controle do terreno e conseguia fazer patrulhamentos mais
ostensivos. Hoje, ele afirma que isso mudou e traficantes voltaram a empunhar
fuzis.
A polícia
aponta o traficante "Léo Marrinha" como chefe do tráfico no
Pavão-Pavãozinho, e, no Cantagalo, quem seria o "dono do morro" é o
bandido conhecido como "Léo do Dique".
Um confronto
por dia nas comunidades do RJ
Os confrontos
no Morro da Coroa e no Babilônia são apenas um resumo do cenário atual na
cidade do Rio e em Niterói, na Região Metropolitana. A partir de chamadas em
batalhões da Polícia Militar e de informações da Polícia Civil, o G1 verificou
que, diariamente, há, pelo menos, uma troca de tiros entre facções.
De acordo com
investigadores, uma das causas dessa situação é o esfacelamento da facção ADA,
presente em apenas oito comunidades do RJ. O grupo foi, segundo policiais,
abandonado por inúmeros traficantes, entre eles, Antônio
Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha.
Mesmo preso em
uma unidade federal, o criminoso deixou a facção e "pulou" para o TCP
numa articulação que teria envolvido, inicialmente, Celso Luís Rodrigues, o
Celsinho da Vila Vintém.
Celsinho era um
dos articuladores da união entre TCP e ADA, mas decidiu se manter na facção e
não seguir com os outros criminosos, o que desagradou chefes do tráfico de
inúmeras comunidades do RJ, que abandonaram o grupo criminoso.
Niterói
A nova
configuração do TCP deu início a conflitos em diferentes pontos da cidade. E
até em Niterói, onde apenas no dia 29 de maio, por exemplo, de acordo com dados
da PM, quadrilhas de sete comunidades entraram em confronto na região do
Fonseca.
Naquela data
ocorreram confrontos nas comunidades de Otto/Marítimos (TCP), Coronel Leôncio
(CV), Boa Vista (TCP), Serrão e Juca Branco (CV), todas em Niterói. Houve ainda
invasão do TCP da Santo Cristo, Fonseca, contra rivais do CV de Nova Brasília.
"São
facções reforçadas por criminosos que ganharam as ruas com benefícios da
Justiça. Estou muito preocupado com essa situação, que parece sem controle. Não
é problema de polícia", afirmou Zeca Borges, coordenador do
Disque-Denúncia.
Por Marco Antônio Martins e Nicolás Satriano,
G1 Rio

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