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Jovem
palestino durante os protestos de 14 de maio
na fronteira da Faixa de Gaza e Israel
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Israelenses e
palestinos se preparavam para novos confrontos nesta terça-feira nos
territórios palestinos, um dia depois de um banho de sangue em Gaza, no dia
mais violento em quatro anos na região, que terminou com 58 palestinos mortos
por tiros de soldados israelenses.
Os palestinos
da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada recordam a "Nakba", a
"catástrofe", como definem a criação do Estado de Israel em 1948 e o
êxodo de centenas de milhares de pessoas.
Nesta
terça-feira, os mortos da véspera eram sepultados em Gaza. Os confrontos de
segunda-feira coincidiram com a inauguração da nova embaixada dos Estados
Unidos em Jerusalém, a dezenas de quilômetros da fronteira entre o território
palestino e Israel.
Enquanto
representantes israelenses e americanos celebravam um "dia histórico"
e a aliança entre os dois países, 58 palestinos, incluindo oito menores de
idade, morreram por tiros de militares israelenses.
Na madrugada de
terça-feira, o ministério da Saúde de Gaza anunciou a morte de um bebê após a
inalação de gás lacrimogêneo durante os protestos.
Pelo menos
2.400 palestinos ficaram feridos, por tiros israelenses ou por inalar gás, de
acordo com o ministério.
Os moradores de
Gaza pretendem protestar novamente diante da cerca de segurança que separa o
território de Israel.
Khalil
al-Hayya, um dos líderes do Hamas, movimento islamita que governa a Faixa de
Gaza, afirmou que as manifestações devem prosseguir.
O Hamas, que
enfrentou Israel em três guerras desde 2008, apoia a mobilização e afirma que
esta é uma iniciativa civil, um movimento pacífico. Os milhares de combatentes
do grupo não utilizaram suas armas até o momento, mas Al-Hayya deu a entender
que isto pode mudar.
- 'Qualquer
atividade terrorista terá resposta' -
O exército
israelense acusa o Hamas de utilizar este movimento para misturar combatentes
armados entre a multidão ou para colocar artefatos explosivos na fronteira.
Palestinos
protestam na Faixa de Gaza em 14 de maio
As autoridades
israelenses mobilizaram milhares de soldados ao redor da Faixa de Gaza e na
Cisjordânia pelo receio de novos distúrbios.
"Qualquer
atividade terrorista terá uma resposta", advertiu o governo.
Israel teme que
os palestinos derrubem a cerca de segurança e entrem em seu território. O
governo alertou que utilizará "todos os meios" para proteger a
barreira, seus soldados e os civis.
Ao mesmo tempo,
o governo afirma que seus soldados só utilizam balas letais como último
recurso.
Também estão
previstas manifestações na Cisjordânia, a dezenas de quilômetros da Faixa de
Gaza. Os dois territórios estão separados pelo território israelense.
Israel recebeu
críticas pelo uso excessivo de força na segunda-feira.
O Conselho de
Segurança da ONU deve se reunir durante a tarde, a pedido do Kuwait.
Nesta
terça-feira, a China pediu moderação, "especialmente a Israel (...) para
evitar uma escalada de tensão".
As autoridades
palestinas denunciaram um "massacre". Turquia e África do Sul
decidiram convocar para consultas seus embaixadores em Israel.
Ancara acusou
Israel de "terrorismo de Estado" e de "genocídio",
atribuindo parte da responsabilidade ao governo dos Estados Unidos.
A França
"condenou a violência das Forças Armadas israelenses contra os
manifestantes" palestinos.
Mas o governo
dos Estados Unidos, aliado histórico de Israel e cujo presidente Donald Trump
multiplicou os gestos favoráveis ao Estado hebreu, bloqueou na segunda-feira a
aprovação de um comunicado do Conselho de Segurança que expressava
"indignação e tristeza com as mortes de civis palestinos que exercem seu
direito de manifestação pacífica".
A Anistia
Internacional chegou a mencionar "crimes de guerra".
Desde 30 de
março, a Faixa de Gaza é cenário de protestos conhecidos como a "a grande
marcha de retorno". O movimento defende a reivindicação dos palestinos a
retornar para as terras das quais fugiram ou foram expulsos com a criação de
Israel em 1948.
O movimento
também denuncia o bloqueio imposto há mais de 10 anos à Faixa de Gaza por
Israel para conter o Hamas.
AFP

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