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© AP O
primeiro-ministro israelense, Benjamin
Netanyahu,
nesta segunda-feira em Tel Aviv.
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O chefe do
Governo israelense disse que estava apresentando documentos “idênticos aos
reais” conseguidos pelos serviços de inteligência israelenses depois de terem
se infiltrado nos arquivos secretos iranianos com a finalidade de demonstrar
que o Irã está enganando o restante do mundo. A informação foi compartilhada
por Israel com a Casa Branca e com altos funcionários da segurança da
França e do Reino Unido. “Agora os Estados Unidos têm a palavra para
salvaguardar a paz no mundo”, concluiu Netanyahu.
Um ataque com
mísseis contra duas bases sírias que contam com presença militar iraniana
causou neste domingo pelo menos 26 mortos, incluindo combatentes do Irã e de
suas forças aliadas, segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, ONG
independente que documenta as atividades bélicas na guerra civil no país árabe.
O Exército sírio atribuiu “a agressão” contra suas instalações nas províncias
de Hama (centro) e Alepo (norte) ao “inimigo”, em uma clara alusão a Israel. A
agência de notícias ISNA informou em Teerã que 18 dos mortos no ataque eram combatentes
iranianos, embora posteriormente a agência semioficial Tasnim tenha negado a
existência de vítimas do país.
O ataque com
mísseis contra a Síria ocorreu depois da conversa telefônica que o presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve no domingo com Netanyahu. A Casa
Branca especificou que os dois líderes falaram sobre as ameaças que pairam no
Oriente Médio, e em particular sobre a expansão militar iraniana na região. Netanyahu
recebeu também no domingo em Tel Aviv o novo secretário de Estado
norte-americano, Mike Pompeo, que realiza sua primeira visita à Arábia Saudita,
Israel e Jordânia. “Estamos com Israel nesta luta. Uma estreita cooperação com
aliados sólidos é a chave para contra-atacar as malignas ambições do Irã”,
declarou o ex-diretor da CIA.
A mídia estatal
de Damasco não relatou as baixas registradas nos ataques contra a base da
Brigada 47 em Salhab (Hama) nem contra o aeródromo militar de Nairab, perto do
aeroporto de Alepo. A rede Sky News Arabia elevou para 40 a cifra de mortos em
ambos os bombardeios com mísseis, que causaram também mais de 60 feridos,
segundo fontes da oposição ao regime. Testemunhas citadas pelo Observatório
Sírio para os Direitos Humanos informaram que houve grandes explosões e
incêndios na instalação militar síria em Hama.
Nas duas bases
que foram alvo dos mísseis existem depósitos de armamento que incluem foguetes
terra-terra, sob controle da Guarda Revolucionária do Irã, envolvida no
conflito sírio em apoio ao regime do presidente Bashar Al-Assad. Os
ataques incluíram presumivelmente o uso de mísseis antibunker, de alta
capacidade de penetração explosiva, para destruir um grande arsenal subterrâneo
de mísseis em Hama, de acordo com informações da imprensa árabe recolhidas pelo
diário israelense Haaretz. O Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo
registrou um tremor de magnitude 2.6 na escala Richter na zona atacada.
Assad denunciou
em Damasco “a escalada de agressões contra a Síria”, sem aludir aos ataques
registrados em Hama e Alepo, depois de sucessivas incursões de represália e o
bombardeio ocidental de 14 de abril contra instalações ligadas ao programa
sírio de armas químicas. “O mapa regional está sendo desenhado de novo”,
afirmou o presidente, e as potências hostis passaram da fase da “agressão
indireta”, por meio dos rebeldes, para a da “agressão direta”, disse.
Israel não
costuma comentar as suas operações militares no exterior. O ministro de
Assuntos Estratégicos, Israel Katz, declarou nesta segunda-feira à Rádio do
Exército que não estava a par dos fatos. Um ataque com mísseis contra a base
aérea T-4 –situada na província central de Homs, em 9 de abril –e atribuído por
Moscou e Damasco a Israel–, deixou 14 mortos, metade deles membros da Guarda
Revolucionária Iraniana.
O ministro da
Defesa israelense, Avigdor Lieberman, havia avisado no domingo que Israel iria
“responder com grande força” a qualquer ameaça a seu território. Lieberman
também alertou que não iria tolerar a instalação de sistemas antiaéreos de
mísseis S-300 de fabricação russa nas bases sírias. A aviação de combate
israelense se encontra em estado de alerta ante um eventual ataque de
represália do Irã depois das duas supostas incursões aéreas que causaram baixas
na Guarda Revolucionária, seus aliados libaneses do Hezbollah e milícias xiitas
iraquianas e afegãs que combatem nas fileiras do regime de Assad.
Os serviços de
inteligência de Israel temem que o ataque punitivo possa ocorrer depois das eleições
previstas no Líbano em 6 de maio, ou ao término do prazo de 12 de maio fixado
pela Casa Branca para decidir sobre o futuro acordo nuclear com o Irã,
assinado em 2015.Uma escalada da tensão entre Israel e Irã pode levar a
Administração do presidente Trump a antecipar sua previsível decisão de
retirar-se do pacto atômico.
A Força Aérea
israelense realizou mais de uma centena de incursões em território sírio desde
o início da guerra, em sua maioria contra depósitos e comboios de armas da
guerrilha libanesa do Hezbollah. Israel reconheceu que atacou o aeródromo
militar T-4 em fevereiro, em represália pela infiltração de um drone em seu
espaço aéreo. No incidente mais grave em que o Estado hebreu se viu implicado
em sete anos de conflito civil no vizinho país árabe, a aviação militar
israelense bombardeou com oito F-16 uma base de drones iranianos. Um dos caças
foi derrubado pela defesa antiaérea síria, mas seus dois tripulantes se puseram
a salvo.
Israel continua
tecnicamente em estado de guerra com a Síria desde que em 1949 selou um
armistício com os países árabes que tentaram impedir à força a criação do
Estado judaico. A situação de conflito sem hostilidades se manteve depois da
Guerra dos Seis Dias (1967) e do Yom Kipur (1973), em que Damasco tentou sem
êxito recuperar as Colinas do Golã, posteriormente anexadas por Israel, sem
aprovação internacional.

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