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Cartaz
defende a manutenção da proibição do aborto na Irlanda,
em imagem de 13 de maio (Foto: Artur Widak /
AFP)
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Pesquisas
apontam a vitória dos partidários do 'sim', mas a vantagem registrou uma queda
em algumas pesquisas. Uma em cada seis pessoas se declaram indecisas.
Os irlandeses
votarão na quinta-feira (24) em um referendo que definirá se o país acaba com
uma das legislações mais restritivas da Europa contra o aborto, em um país onde
a Igreja Católica perdeu influência nas últimas décadas.
Os eleitores
decidirão se derrubam a vigente proibição constitucional de aborto em (com
exceção de risco para a vida da mãe).
As pesquisas
mais recentes apontam a vitória dos partidários do "Sim", mas a
vantagem registrou uma queda em algumas pesquisas, e uma em cada seis pessoas
se declaram indecisas.
"A
profundidade dos sentimentos dos dois lados foi muito manifestada", disse
à AFP professor de História Moderna da Irlanda Diarmaid Ferriter, na
Universidade College Dublin.
O referendo
acontece três anos após a aprovação, também por referendo, do casamento entre
pessoas do mesmo sexo, um verdadeiro terremoto em um país outrora
fervorosamente religioso.
Ferriter
destacou que, apesar do referendo de 2015 ter sido "positivo e
inspirador", a campanha deste foi "muito mais visceral".
Um caso que
acabou na ONU
Em 1983, a
Irlanda aprovou a proibição do aborto por uma pequena margem e com uma
participação um pouco acima da metade do total de eleitores.
A legislação
posterior previa 14 anos de prisão para as mulheres que abortaram.
A situação leva
milhares de irlandesas a viajarem para o Reino Unido, onde a interrupção da
gravidez é legal, para abortar.
Em 2013, o país
decidiu que as mulheres com a vida em risco pela gravidez poderiam interromper
a gestação, após o escândalo provocado pela morte de Savita Halappanavar, que
faleceu ao ter um aborto negado.
A ideia do novo
referendo ganhou estímulo com o caso de Amanda Mellet, que foi obrigada a
viajar para o Reino Unido para abortar, depois que foi detectado que o feto
sofria uma anomalia que o levaria à morte.
Mellet levou o
caso ao comitê de direitos humanos da ONU, que decidiu que a rejeição do aborto
prejudicava seus direitos.
O governo
irlandês ofereceu uma indenização de 30.000 euros (35.000 dólares), mas o caso
gerou apelos por mudanças na lei.
No caso de
vitória da ideia de suprimir a emenda constitucional, já existe um projeto de
lei para permitir o aborto sem restrições durante as 12 primeiras semanas da
gravidez e, em algumas circunstâncias, durante os primeiros seis meses.
'Rebelião'
A campanha se
tornou áspera com a aproximação do dia do referendo.
O
primeiro-ministro Leo Varadkar, que apoia o "Sim", denunciou o uso de
crianças com síndrome de Down em anúncios da campanha contra o aborto.
Os debates na
TV se transformaram em troca de ofensas. Os médicos que tomaram partido foram
perseguidos.
O lado que
defende o "Não" denuncia uma conspiração da imprensa, de seus rivais
e da maioria dos deputados e se apresenta como a opção
"antiestablishment" com o slogan: "Una-se à rebelião".
A decisão de
Google e Facebook de parar de publicar anúncios eleitorais reforçou as
suspeitas deste grupo de que tudo estaria manipulado.
A Igreja
Católica optou pela discrição, certamente, segundo os analistas, para não
mobilizar seus críticos e estimular o voto pró-aborto.
De acordo com o
censo de 2016, 78% dos 3,7 milhões de irlandeses são católicos, mas o
comparecimento às missas registra queda constante.
Ferriter
considera que a posição da Igreja é uma das grandes diferenças a respeito do
referendo de 1983, quando teve um papel mais ativo.
"Acredito
que o debate na época estava dominado por vozes mais velhas, e muitas
masculinas, e obviamente a Igreja estava então em uma posição mais forte do que
hoje", explica.
A socióloga
Ethel Crowley, que pesquisa a Irlanda rural, acredita que o "Sim"
vencerá graças aos jovens.
"Acredito
que a idade é um fator de maior importância que o local onde você mora. E
quanto mais velho você é, mais difícil de escapar das garras do pensamento
católico", explicou.
Por France Presse

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