
'Eu choro
junto com ela. Eu falo ‘não consigo te ajudar’', lamentou a mãe de uma
estudante. Segundo a prefeitura, carência na rede municipal de ensino é de 6
interpretes.
Estudantes
deficientes auditivos da rede pública de Duque de Caxias, na Baixada
Fluminense, sofrem com a falta de intérpretes de libras. Eles já estão,
praticamente, com metade do ano letivo perdido por conta da falta desses
profissionais dentro das salas de aula.
Com a
dificuldade de aprendizado, alguns alunos estão perdendo não só o conteúdo, mas
também a vontade de ir para a escola. Elisângela dos Santos, mãe de uma
estudante com deficiência auditiva, diz que a filha aprendeu muito pouco até
agora, apesar de estudar em uma escola que é referência de inclusão. Segundo
ela, a unidade tem apenas um interprete para todas as turmas.
“Ela não quer
ir para a escola porque diz que é muito difícil. Ela chora. Eu choro junto com
ela. Eu falo ‘não consigo te ajudar’. Eu tento, mas não consigo”, lamentou a
mãe da estudante;
Segundo os pais
desses estudantes, existem três unidades de referência para estudantes surdos
na cidade: Escola Municipal Santa Luzia, Escola Municipal Olga Teixeira e
Escola Municipal Professor Walter Russo de Souza. Nas três escolas faltam
intérpretes.
Em nota, a
Prefeitura de Duque de Caxias, através da Secretaria Municipal de Educação
(SME) disse que o contrato dos intérpretes foi encerrado no dia 30 de abril,
mas foi renovado pela Secretaria de Educação até julho. A Secretaria de
Educação informou ainda que que a carência hoje na rede municipal de ensino é
de seis interpretes e 13 Assistentes de Educação de Surdos - AES 2.
Ainda segundo a
SME, as três unidades citadas na reportagem contam com profissionais e
assistentes e que a Secretaria Municipal de Educação "pretende contratar
em breve novos profissionais dessa área para atender as carências existentes na
rede".
Falta de
intérpretes também na UFRJ
Uma reportagem
feita pelo G1 em abril deste ano também mostrou a precariedade
de intérpretes de libras em uma das principais universidades do país, a UFRJ. A
universidade conta hoje com apenas sete intérpretes para
atender a todos os câmpus e cursos da instituição, o que corresponde a 5% do
que seria necessário: 140 profissionais de Libras.
Segundo a UFRJ,
a pouca quantidade de tradutores deve-se à falta de abertura de vagas para
contratação de intérpretes por parte do governo federal para atender os novos
alunos. A universidade garante cumprir o que determina a lei. A Reitoria
informou ainda que mais cinco intérpretes devem entrar para a equipe em breve.
Já o Ministério
da Educação (MEC) diz que autorizou a contratação de profissionais de acordo
com os pedidos da UFRJ e que, segundo a legislação brasileira, as universidades
têm autonomia financeira, administrativa e pedagógica e, por isso, não
interfere na aplicação da verba feita pelas instituições.
Por Bom Dia Rio
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