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© Dida
Sampaio/Estadão Ministra Cármen Lúcia no
Supremo
Tribunal Federal, em Brasília
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BRASÍLIA -
Pressionada a pautar a discussão sobre prisão em segunda instância no Supremo
Tribunal Federal, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, passou a enviar
recados de que não é a única que pode colocar o tema para análise do plenário.
O movimento tem sido interpretado nos bastidores como uma tentativa de dividir
a responsabilidade com os colegas de Supremo.
Interlocutores
de Cármen Lúcia têm dito que qualquer ministro pode levar um habeas corpus
diretamente à mesa do plenário, de acordo com o regimento do tribunal, o que
provocaria a rediscussão da jurisprudência estabelecida em 2016. Na época, a
decisão sobre o tema foi apertada, por 6 a 5, e nem todos os ministros a têm
seguido.
A pressão para
que o Supremo firme um entendimento único sobre a possibilidade de prisão em
segunda instância aumentou com a proximidade do julgamento, no Tribunal
Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), de recurso do ex-presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. O tribunal em Porto Alegre tem sessões de julgamento marcadas
para os dias 14, 21 e 26 de março. Após a análise, aumenta a possibilidade de o
petista ser preso.
Relator das
duas ações que discutem a prisão após condenação em segunda instância, o
ministro Marco Aurélio Mello disse não ser tradição do tribunal colocar ações
em mesa no plenário. “Nós não fazemos isso aqui”, afirmou.
Relator. Segundo
apurou o Estado, o próprio relator do habeas corpus apresentado
pela defesa de Lula, Edson Fachin, também não deverá colocá-lo em mesa no
plenário, para esperar que a presidente da Corte decida levá-lo à pauta. Fachin
mantém o entendimento de que o plenário é o local adequado para discutir no
mérito a possibilidade de prisão de Lula após esgotados os recursos no TRF-4.
Um ministro, ouvido
em caráter de anonimato, também negou a intenção de levar um habeas corpus à
mesa do plenário. Esse ministro lembrou que, ao menos na Primeira Turma da
Corte, os pedidos feitos por condenados em segunda instância têm sido negados.
A manobra é
considerada improvável até mesmo por ministros da Segunda Turma, que têm
apontado a necessidade de uma decisão final sobre o tema. A avaliação é de que
levar à mesa do plenário um habeas corpus seria algo “extremado”.

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