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Para a polícia brasileira, Frederik enviou os 60 fuzis
apreendidos no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro,
no dia 1º de junho do ano passado.
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Fantástico
mostrou detalhes das investigações das polícias americana e brasileira. Delator
colaborou com a polícia.
Reportagem
exclusiva do Fantástico mostrou detalhes da investigação que levou à prisão de
Frederik Barbieri por agentes do Departamento de Segurança Interna dos EUA na
última sexta-feira, nos Estados Unidos. O importador de fuzis, que abastecia
criminosos do Brasil com as armas, foi preso através do rastreamento dos
aquecedores dentro dos quais ele enviou uma carga no ano passado.
Para a polícia
brasileira, Frederik enviou os 60
fuzis apreendidos no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, no dia 1º
de junho do ano passado. As armas estavam dentro de aquecedores de piscina.
Um dia depois
da apreensão, o governo brasileiro pediu ajuda às autoridades americanas para
identificar a origem da carga, vinda do Aeroporto de Miami, na Flórida.
O mistério
começou a ser desvendado pela etiqueta de identificação dos aquecedores. A
partir do número de série dos equipamentos, a polícia conseguiu, com o
fabricante, descobrir a loja exata de onde os aquecedores tinham saído, em Fort
Pierce, cidade da Flórida onde Barbieri morava.
A loja faz
parte de uma grande rede de materiais de construção nos Estados Unidos. E, para
os funcionários, não foi difícil lembrar de brasileiros que haviam comprado
muitos aquecedores dizendo, justamente, que iam exportar pro Brasil.
O
estabelecimento forneceu às autoridades um vídeo de 31 de janeiro de 2017, onde
aparecem os brasileiros João Felipe Barbieri e Marcus Garrido. Na ocasião, eles
compraram seis aquecedores de água, do mesmo modelo apreendido no Galeão, com
os fuzis dentro. Cada aquecedor custa algo em torno de R$ 1,3 mil.
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Raio-x
revelou fuzis chegando ao Galeão (Foto: Divulgação)
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Garrido foi
identificado e localizado pelos policiais americanos. Ele contou aos oficiais
que depois de comprar os aquecedores, ele os trazia para um depósito. Ele disse
que dentro do depósito, mostrado pelo Fantástico, havia uma mesa pra trabalho,
ferramentas e equipamentos pra corte. Garrido disse que os aquecedores ficavam
aqui por um tempo, até serem levados para uma transportadora em Miami, a última
parada antes do aeroporto.
Os investigadores
suspeitam que funcionários de companhias aéreas ajudavam no esquema de
Frederik.
Já Felipe é o
genro de Frederik, e também está preso. Frederik será ouvido na tarde desta
segunda-feira em uma corte em Miami. A defesa não quis comentar a prisão. Ele
tem cidadania americana --- ou seja, vai responder aos crimes como cidadão dos
Estados Unidos.
O Ministério da
Justiça brasileiro pediu a extradição de Frederik para que ele responda pelos
crimes no país.
Delator
O Fantástico
também conseguiu localizar um homem responsável por ajudar a polícia a
desvendar todo o esquema montado por Frederik Barbieri, investigado desde o
envio de uma carga de fuzis para Salvador em 2010.
O colaborador,
que fez sua primeira viagem para os EUA em 2016 para ajudar na exportação das
armas, contou como os fuzis eram colocados dentro dos aquecedores – uma balança
de precisão era usada para certificar que a carga teria o mesmo peso que
aquecedores normais exportados.
“Ele sempre me
chamou de primo, né? Chamava todo mundo de primo. Aí ele falou, primo, tu tá
falando com o senhor das armas. Eu sou o senhor das armas”, disse o delator,
que afirmou que inicialmente acreditava trabalhar com contrabando de
eletrônicos.
O delator
afirmou que decidiu colaborar com as autoridades depois da entrevista que
Frederik Barbieri deu para o Fantástico dizendo que criava galinhas e negando ser traficante de armas.
"Eu sabia de tudo, [a entrevista] só me deixou mais com medo, mais
temeroso do que podia acontecer", afirmou.
Por Leslie Leitão, Eduardo Tchao e Tiago
Eltz, Fantástico


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