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Marcelo
Odebrecht cumpre prisão domiciliar
Rodolfo
Burher/20.06.2015/Reuters
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Financiamento
do filme "Lula, o filho do Brasil" é alvo de investigação da Polícia
Federal
O empreiteiro
Marcelo Odebrecht entregou à Operação Lava Jato uma nota fiscal no valor de R$
250 mil e um comprovante de pagamento à produção do filme 'Lula, o filho do
Brasil'. O financiamento do longa é alvo de investigação da Polícia Federal.
Marcelo
Odebrecht é delator da Lava Jato, cumpre prisão domiciliar em São Paulo. Ele
foi ouvido pela PF em dezembro do ano passado quando ainda estava custodiado.
Na ocasião, o
empreiteiro 'se disponibilizou a auxiliar a investigação e a buscar, por meio
da sua defesa, junto à Odebrecht S.A., empresa leniente, cópias de registros
sobre eventual apoio financeiro dado à produção do filme 'Lula, o filho do
Brasil'.
"O colaborador
(Marcelo Odebrecht) também está comprometido a identificar, no âmbito da
pesquisa que fará nos registros constantes do seu computador, todos aqueles
documentos e informações que possam ser úteis à elucidação deste e de outros
fatos investigados", afirmou a defesa.
A nota fiscal
de número 2930 tem data de vencimento de 4 de maio de 2009. Um trecho do recibo
indica a discriminação dos serviços.
"Cota de
patrocínio da obra intitulada 'Lula, o filho do Brasil'. Conforme
contrato", aponta a nota emitida pela produtora Filmes do Equador, do
cineasta Luiz Carlos Barreto.
A cinebiografia
do ex-presidente Lula estreou em 1º de janeiro de 2010 e custou cerca de R$ 12
milhões.
O filme conta a
história de Lula, desde a infância dramática no sertão de Pernambuco, aborda
sua chegada a São Paulo no pau de arara, as dificuldades que enfrentou ao lado
da família, o trabalho na indústria metalúrgica, as históricas campanhas
grevistas dos anos 1970 que marcaram o ABC paulista e a ascensão ao topo do
sindicato que o consagrou e impulsionou sua trajetória política.
'Lula, o filho
do Brasil' é uma biografia baseada no livro homônimo da jornalista Denise
Paraná.
O ex-presidente
foi condenado pela Lava Jato em 1ª e 2ª instâncias no caso do triplex do
Guarujá (SP). Em 24 de janeiro, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região
aumentou a pena do petista para 12 anos e 1 mês de prisão em regime fechado por
corrupção e lavagem de dinheiro. Lula havia sido condenado pelo juiz federal
Sérgio Moro, em julho do ano passado, a nove anos e seis meses de prisão.
Além de Marcelo
Odebrecht, o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil/Fazenda-Governos Lula e
Dilma) foi convocado para prestar depoimento. O ex-ministro foi questionado, em
11 de dezembro, pelo delegado Filipe Hille Pace sobre a relação que
supostamente teria com a produção do filme. O ex-ministro declarou, na ocasião,
que 'deseja colaborar na elucidação de tais fatos', mas que ficaria em
silêncio.
Quando o caso
foi revelado, o produtor do longa, Luiz Carlos Barreto, negou que tenha
ocorrido tráfico de influência. Barreto disse também que negou o pedido de
omissão feito pela Odebrecht.
"Houve uma
solicitação para que não incluíssemos o nome da empresa nos créditos do filme e
dos materiais publicitários, condição essa que não foi, por nós, aceita",
afirmou.
A Odebrecht
informou que está "colaborando com a Justiça".
Estadão

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