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Reuters O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
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Em depoimento
ao juiz federal Sergio Moro,
nesta segunda-feira, um empresário cuja construtora participou das obras
do sítio Santa Bárbara, em
Atibaia (SP), disse que o responsável pelos pagamentos de seus serviços
foi Rogério Aurélio Pimentel,
ex-assessor especial da Presidência da República no governo do
ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva.
Carlos Rodrigues do Prado, dono da
Rodrigues do Prado, uma empreiteira de pequeno porte, falou ao magistrado como
testemunha de acusação no processo da Operação Lava Jato que tem Lula e Aurélio entre os réus pelos
crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O ex-presidente é acusado de
receber 1 milhão de reais em propina de empreiteiras, pago por meio de obras de
benfeitorias no sítio, frequentado pela família Lula da Silva e cujos donos, oficialmente,
são Fernando Bittar e Jonas Suassuna, próximos a Fábio Luís, o Lulinha,
primogênito de Lula.
Prado relatou a
Moro que, como a Odebrecht costumava
subcontratar sua empresa, foi chamado por Frederico Barbosa, engenheiro da
empreiteira, a participar das obras na propriedade no fim de 2010. Segundo o
empresário, sua construtora ficou encarregada de erguer uma guarita e “fechar”
dois cômodos no sítio, mas ele não precisaria acompanhar as obras, já que
Barbosa estaria interessado apenas na mão de obra de seus funcionários. Carlos
Prado alocou onze homens na construção e apresentou um orçamento a Rogério
Aurélio Pimentel.
Conforme o
empresário, o ex-assessor de Lula foi apresentado a ele por Barbosa como “dono
da obra” e ficou responsável pelos pagamentos. Aurélio não discutiu os valores
definidos para o serviço e não pediu descontos. “Não teve nem discussão assim
‘ah, me faz isso mais barato, isso aqui está caro’, não houve essa discussão”,
contou. Carlos Rodrigues do Prado afirma ter recebido cerca de 163.000 reais
pelas obras, em quatro parcelas. “Foi combinado que a gente ia receber por
semana e em espécie”, disse ele. Os pedreiros também eram remunerados com
dinheiro vivo.
Os valores,
segundo Prado, eram entregues pelo ex-assessor de Lula dentro de um envelope em
um posto de gasolina próximo do sítio Santa Bárbara. “Sempre que ele [Aurélio] ia
ao sítio, nesse posto de gasolina, a gente se encontrava lá, ele me entregava
um envelope, eu pegava e ia embora. Normalmente ele anotava em um envelope um
papelzinho com o valor que estava lá dentro. Eu pegava, conferia, está tudo
certo”, declarou.
O empresário
também relatou ter sido procurado pelo engenheiro Emyr Diniz da Costa Júnior,
superior de Frederico Barbosa na Odebrecht, e que se encontrou com ele em um
haras em Indaiatuba (SP). Na ocasião, Diniz pediu a ele que emitisse nota
fiscal pelos serviços no sítio. Por orientação do ex-assessor de Lula, o
documento foi feito em nome de Fernando Bittar. “O Aurélio ligou, dizendo que
estava com os dados da pessoa [Fernando Bittar] para emitir a
nota fiscal. Daí mandou lá um office-boy, eu dei o endereço e a gente enviou
para ele”, disse.
O processo
Segundo a
denúncia do Ministério Público Federal (MPF),
que baseia o processo sobre o sítio de Atibaia, as empreiteiras participaram de
um “consórcio” que construiu benfeitorias na propriedade, equipada com piscina,
churrasqueira, campo de futebol e um lago de peixes, ao custo de 1 milhão de
reais. O dinheiro, sustentam os procuradores, foi destinado a Lula como propina
de contratos da Petrobras.
A parte da
Odebrecht nas propinas teria vindo de 128 milhões de reais de vantagens
indevidas em quatro contratos com a Petrobras. No caso da OAS, o dinheiro teria
sido contabilizado em vantagens indevidas de 27 milhões de reais pagas sobre
três contratos. As duas empreiteiras teriam pago, juntas, 870.000 reais das
obras.
A suposta
“contribuição” da Schahin às obras no sítio no interior paulista, de 150.500
reais teria sido repassada por meio do pecuarista José Carlos Bumlai,
amigo de Lula, e retirada de propinas pagas pela empreiteira no contrato de
operação, pela empreiteira, do navio-sonda Vitória 10.000, da Petrobras.
Além de Lula,
Rogério Aurélio Pimentel e Fernando Bittar, respondem à ação penal o pecuarista
José Carlos Bumlai, os empreiteiros José Adelmário Pinheiro Filho, conhecido
como Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht e Emílio Odebrecht, o ex-executivo da OAS
Agenor Franklin Magalhães Medeiros, os ex-executivos da Odebrecht Alexandrino
Alencar, Carlos Armando Guedes Paschoal e Emyr Diniz Costa Júnior, o
ex-engenheiro da OAS Paulo Roberto Valente Gordilho e o advogado Roberto
Teixeira.
VEJA.com

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