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Caveirão
circula pelas ruas da Cidade de Deus; Comunidade
é citada
como 'vermelha' em estudo sobre vitimização policial
(Foto: Reprodução / TV Globo)
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Dados de
inteligência da corporação citam Cidade de Deus e unidades no Lins, Jacarezinho
e complexos do Alemão e da Penha como zonas de risco.
Um estudo da
Comissão de Análise de Vitimização da Polícia Militar do Rio de Janeiro indicou
que uma alternativa para diminuir o número de policiais militares mortos ou
feridos no Estado é a "desmobilização" de unidades de Polícia
Pacificadora. O foco seria em unidades que "estão asfixiadas pelo
crime", que estariam sofrendo com "total perda de efetividade".
O efetivo seria realocado para batalhões locais.
Uma das
mudanças sugeridas no estudo é a transformação de algumas UPPs em
"Unidades Estratégicas de Cerco Restrito", com previsão de ações
diárias no acesso a essas comunidades. O termo usado é operações de
"asfixia". O enfrentamento ao tráfico de drogas e armas também é
sugerido em rodovias estaduais de acesso à região metropolitana, em outra parte
do texto.
O tema foi
discutido há uma semana durante um seminário que aconteceu na sede da Federação
das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Na ocasião, o comandante da PM,
Wolney Dias, chegou a afirmar que há um estudo para o fim de 18 das atuais 38
UPPs. No dia seguinte, no entanto, o governador Luiz Fernando Pezão afirmou que
essa redução não está planejada.
Dados de
inteligência da Polícia Militar indicam a UPP Cidade de Deus e outras nove
comunidades como críticas na vitimização policial em 2017, com mais de quatro
mortos ou feridos em serviço: Camarista Méier, no Lins; Fallet Fogueteiro e
Providência; Jacarezinho e Arará Mandela; São João, em Vila Isabel; Alemão e
Vila Cruzeiro, nos complexos do Alemão e da Penha; e Mangueirinha, em Duque de
Caxias. Para a Polícia Militar todas as áreas consideradas
"vermelhas" pela PM, pela intensidade e frequência de confrontos
armados.
Para
identificar as áreas de maior periculosidade, a polícia dividiu as regiões em
cores: o "vermelho" foi a cor escolhida para definir as piores áreas.
A Cidade de Deus, por exemplo, com UPP instalada desde 2012, viveu dias de
tensão após a prisão de um traficante. Três morreram e a Linha Amarela ficou
fechada em vários momentos. De acordo com dados do Instituto de Segurança
Pública (ISP), analisados pelo G1 mostram que a região da
Cidade de Deus tem uma morte violenta a cada 4 dias desde 2015.
A comunidade já
era apresentada como uma das áreas consideradas "vermelhas" há três
anos, quando a Polícia começou a dividir as comunidades de acordo com cores
para avaliar a quantidade de confrontos e resistência à polícia. A
classificação do local é a mesma desde 2015.
Outras regiões
como o morro São João, Camarista Méier e Complexo do Alemão também apareciam na
primeira listagem de áreas de risco em 2015, e seguiram nessa condição. A
Rocinha era outra das cinco comunidades a serem classificadas como
"vermelhas" no início das análises.
Entre as
medidas apresentadas como de valorização policial estão o aumento da quantidade
e qualidade de treinamentos de tiro, abordagem, conduta, patrulha e combate em
área restrita. O estudo também sugere a criação da Galeria de Heróis no site da
corporação, além da criação de um monumento aos policiais mortos.
Em agosto do
ano passado, o secretário de segurança, Roberto Sá, havia prometido reformular
as unidades. Na ocasião, prometeu manter a PM em todas as comunidades mas
subordinar as UPPs aos batalhões de cada área. Dentre as mudanças, a realocação
de efetivo para a Região Metropolitana. "Todas as UPPs serão mantidas na
sua essência. Digo pra cada morador que acreditou, vamos continuar presentes,
cumprindo o nosso serviço", disse
Sá há seis meses.
Áreas
críticas
As áreas mais
críticas para agentes da corporação, segundo analistas da própria PM, são do 7º
BPM (São Gonçalo) e 20º BPM (Nova Iguaçu). São Gonçalo não possui unidades ,
enquanto Duque de Caxias possui a UPP Mangueirinha, uma das últimas a ser
fundada, em janeiro de 2014.
De acordo com
os dados apresentados em uma conferência, 163 Pms morreram em 2017, sendo 128
de folga e 35 em serviço. O número de casos entre 1995 e 2017 chegou a 3,17 mil
mortos. De acordo com dados da comissão de análise em vitimização, foram 11
mortes em 2017 de policiais de serviço em UPPs. Entre os 784 feridos , 117 eram
de Unidades de Polícia Pacificadora.
Especialista
vê "padrão assombroso"; PM nega fim de bases
Nos últimos
meses, Jacarezinho e Lins tiveram
megaoperações das Forças Armadas em Conjunto com as forças de segurança
estaduais, principalmente, após as morte de policiais civis e militares.
As ações tiveram pouco mais de 40 presos, dois mortos e pouca quantidade de
munição e drogas apreendidas. Ontem foi a vez da
Cidade de Deus.
Ex-secretário
Nacional de Segurança Pública, José Vicente Filho, considera temerária a
possível saída de algumas UPPs: "Como é que você vai se posicionar naquela
comunidade retirando os policiais? Você pode acabar empoderando os
criminosos", avalia ele, que diz que o problema da vitimização de PMs é um
"padrão assombroso para todo o mundo".
"Isso
mostra alguns erros que estão sendo cometidos. A questão da vitimização
policial tem várias camadas: o treinamento precisa ser eficiente para a
autoproteção do policial. Há também a questão de estrutura, e uma demanda maior
em termos de pacificação , como cercar controle de acesso a algumas dessas
comunidades", afirmou José Vicente.
Em nota, a
Polícia Militar afirma que "não há previsão de extinção de nenhuma base de
UPP". Segundo a PM, a proposta de redução das UPPs foi discutida entre os
participantes de um congresso, mas não foi incluída na lista das medidas que
serão executadas este ano. O documento entregue na última sexta-feira ao
governador Pezão inclui 16 medidas para 2018, que podem ser lidas aqui.
Entre as
medidas previstas, estão a blindagem de unidades e viaturas da corporação com a
ajuda da iniciativa privada e estabelecimento de parâmetros mínimos de
segurança para policiais em unidades operacionais, especialmente de UPPS.
Por Henrique Coelho, G1 Rio

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