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Os
ex-governadores Garotinho e Rosinha
são presos
pela PF, no Rio
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Investigação
aponta que contratos fraudulentos eram firmados com empresas para repassar
dinheiro para campanhas eleitorais de Anthony Garotinho e seu grupo político.
A ação que
resultou nas prisões dos
ex-governadores do Rio de Janeiro Anthony e Rosinha Garotinho (PR),
na manhã desta quarta-feira (22), faz parte de uma investigação que indica a
existência de um esquema de contratos fraudulentos firmados entre empresas para
repassar dinheiro para campanhas eleitorais.
- O Ministério Público do Rio e a Polícia Federal
apuram crimes eleitorais cometidos por Garotinho e seu núcleo político
- Foram presos preventivamente: Garotinho; Rosinha;
Suledil Bernardino, ex-secretário de governo da Prefeitura de Campos dos
Goytacazes; e mais duas pessoas. Outros mandados ainda são cumpridos
- Os crimes: Garotinho e Rosinha são suspeitos de
corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na
prestação das contas eleitorais
- Segundo a denúncia, a JBS firmou contrato fictício
com uma empresa para repassar R$ 3 milhões para a campanha de Garotinho,
em 2014
- O presidente do PR, Antônio Carlos Rodrigues, também é alvo de mandado de prisão por
irregularidades na prestação das contas
- O esquema ainda envolveu empresas com contratos com
a Prefeitura de Campos; a denúncia diz que o grupo usava até armas de fogo
para cobrar propina de empresários
Os
beneficiários do esquema seriam Garotinho e o grupo político liderado por ele.
Os ex-governadores são acusados de corrupção, organização criminosa e falsidade
na prestação de contas eleitorais.
A investigação
conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Estadual (MP-RJ)
aponta que Garotinho cobrava propina de empresários em licitações da Prefeitura
de Campos dos Goytacazes e, depois, pedia dinheiro para que os contratos fossem
honrados.
Os promotores
do MP-RJ afirmam que, entre janeiro de 2009 e dezembro de 2016, período em que
Rosinha foi prefeita de Campos, os envolvidos "associaram-se em
organização criminosa, inclusive com o emprego de arma de fogo, de forma
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, com o
objetivo de obter, direta e indiretamente, vantagens financeiras, inclusive sob
a forma de doações eleitorais".
Garotinho foi preso no apartamento da família no
Flamengo, Zona Sul do Rio, e levado para a sede da PF. Depois, o ex-governador
seguiu para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito.
Ele foi hostilizado na saída da sede da PF, quando foi chamado de "bandido" e
"corrupto". Rosinha Garotinho foi detida em Campos dos
Goytacazes, no Norte do estado.
Para a
operação, a Justiça Eleitoral de Campos dos Goytacazes expediu nesta
quarta-feira nove mandados de prisão e dez de busca e apreensão.
As prisões
também têm relação com a delação premiada de Ricardo Saud, da JBS.
De acordo com o
MP-RJ, após ser pressionado por Garotinho, o presidente do PR, Antônio Carlos
Rodrigues, pediu que a JBS conseguisse mais R$ 4 milhões, ficando combinado,
por fim, o pagamento de mais R$ 3 milhões.
O dinheiro
oriundo de propina seria destinado para a campanha de Garotinho ao governo do
Rio, em 2014, e serviria para selar apoio do PR ao PT e ao PMDB.
"Durante
as investigações, a PF e o Ministério Público Estadual identificaram elementos
que apontam que uma grande empresa do ramo de processamento de carnes firmou
contrato fraudulento com uma empresa sediada em Macaé/RJ para prestação de
serviços na área de informática", destacou o MP-RJ, referindo-se à JBS. A
realização de serviços, no caso, era apenas uma fachada para negócios irregulares.
Garotinho
divulgou uma nota oficial em que atribui a operação desta quarta-feira a mais
um capítulo da perseguição que diz sofrer. Ele afirma que nem ele, nem nenhum
dos acusados cometeu crime algum. Ele reforçou que a operação de hoje não tem
relação alguma com a Lava Jato.
O PR ainda não
se manifestou sobre as prisões. O RJTV não conseguiu contato com os outros
citados na reportagem.
Prefeito de
fato
Ainda segundo o
Ministério Público, Anthony Garotinho exercia um cargo de comando desta
organização criminosa, enquanto Antônio Carlos Ribeiro da Silva, conhecido como
"Toninho", era o braço armado do grupo.
Empresários
informaram à PF que o ex-governador cobrava propina nas licitações da
Prefeitura de Campos, exigindo o pagamento para que os contratos fossem honrados.
Segundo o documento, Garotinho determinava ou vetava pagamentos às empresas
contratadas, agindo como prefeito de fato, com a concordância da prefeita
eleita nas urnas, sua esposa.
"Assim,
tinha o primeiro denunciado Anthony, poder de subjugar as empresas e seus
sócios aos seus comandos, de modo que a não contribuição para campanhas
eleitorais poderia ensejar prejuízos em relação aos legítimos direitos da
empresa, principalmente em relação ao recebimento de valores devidos pelo
município", explica o documento do MP-RJ.
Em novembro de
2016, Garotinho foi preso em outro
processo, acusado de chefiar um esquema de pagamento de R$ 11 milhões no
programa social Cheque Cidadão, em troca de votos.
Depois da
prisão, Garotinho passou mal e foi levado para o Hospital Souza Aguiar, no
Centro do Rio. Na ambulância, ele resistiu à transferência para o Complexo
Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste. Depois de oito dias preso,
ele foi solto por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em setembro
deste ano, o Garotinho foi preso novamente por causa do programa Cheque
Cidadão. Ele foi levado pela polícia quando apresentava o programa "Fala,
Garotinho”, na Rádio Tupi, e cumpriu prisão domiciliar em Campos por 15 dias,
até ser liberado pela Justiça Eleitoral.
O político
havia sido preso no dia 13 de setembro, após ser condenado na primeira
instância da Justiça Eleitoral a 9 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão -- a
pena foi transformada em prisão domiciliar.
Por RJTV

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