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© Reprodução André
Gustavo Vieira da Silva e Aldemir Bendine
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O ex-presidente
do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir
Bendine ficou em silêncio em seu interrogatório como réu diante do
juiz federal Sergio Moro,
nesta quarta-feira. O silêncio de Bendine foi orientado por seu advogado,
Alberto Zacharias Toron, depois do depoimento do publicitário
pernambucano André Gustavo Vieira
da Silva, que alterou a versão dada à Polícia Federal ao longo da investigação e admitiu que
intermediou o pagamento de 3 milhões de reais em propina da Odebrecht ao ex-presidente das
estatais.
“Eu estava
ansioso, depois desse pesadelo de quase sete meses, ter a oportunidade de pela
primeira vez me manifestar, entretanto estou percebendo que estou sendo vítima
de um grande complô, uma série de mentiras de pessoas que criam mentiras para
comprar a liberdade”, justificou Aldemir Bendine a Sergio Moro. Alvo da 42ª
fase da Operação Lava Jato,
ele está preso desde julho, assim como Vieira da Silva.
O publicitário
foi o primeiro a ser ouvido por Moro na sessão de hoje. Ele confirmou os
depoimentos do empreiteiro Marcelo
Odebrecht e do ex-executivo da Odebrecht Ambiental Fernando Reis,
ambos delatores, segundo os quais Bendine pediu 17 milhões de reais em propina,
valor equivalente a 1% de um contrato de 1,7 bilhão de reais para rolagem de
uma dívida da Odebrecht Agroindustrial com o Banco do Brasil, alinhavado
durante sua gestão.
Segundo André
Gustavo Vieira da Silva, a empreiteira concordou em fazer o pagamento depois de
uma reunião entre ele, Aldemir Bendine, Reis e Odebrecht na casa do
publicitário, em Brasília, em maio de 2015. Antes do encontro, Vieira da Silva
orientou Bendine a mencionar um assunto que sinalizaria aos executivos da
empreiteira que o pedido de propina partia, de fato, dele.
O empresário
relatou a Moro que então combinou com Fernando Reis, inicialmente, que fossem pagos
3 milhões de reais, divididos em três parcelas de 1 milhão de reais, entre
junho e julho de 2015. O dinheiro teria sido coletado das mãos de um
funcionário do setor de propinas da empreiteira por um taxista de sua
confiança, Marcelo Casemiro, mediante a apresentação das senhas “oceano”,
“lagoa” e “rio”. O valor foi levado a um flat na Vila Mariana, Zona Sul de São
Paulo, alugado por Antônio Carlos Vieira da Silva, irmão de André Gustavo.
Conforme o
publicitário disse a Sergio Moro, ele usou 1 milhão de reais para quitar uma
dívida com um amigo de Recife, pagou 1 milhão de reais em impostos sobre a
propina e repassou outros 950.000 reais a Bendine, divididos em dois. O
primeiro deles, de 600.000 reais, teria sido feito em um restaurante na capital
paulista. “Bendine chegou mais cedo comigo, ele entrou, eu estava com uma
bolsa, entreguei a bolsa a ele. Ele pediu licença, saiu, não sei se ele colocou
no carro ou estava com o motorista, na sequência ele voltou perguntou só o que
havia lá, eu disse o valor”, contou André Gustavo Vieira da Silva.
A outra parcela
repassada a Aldemir Bendine, também em dinheiro vivo, teria sido feita dentro
de um carro no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O publicitário também diz
ter pagado 20.000 dólares em despesas com hotel e motorista em uma viagem de
Bendine e sua família a Nova York.
Segundo o
publicitário disse a Sergio Moro, ele e Aldemir Bendine nunca tiveram “uma
conversa objetiva” sobre a divisão do dinheiro recebido da empreiteira, mantido
em uma “conta corrente” entre eles. “Ele disse ‘vai resolvendo, que a gente
conversa’. Como tinha um saldo dos 14 [milhões] a receber, nós não chegamos a
determinar como poderia ficar no final”, explicou.
Vieira da Silva
ainda relatou que, depois de Marcelo Odebrecht citar a propina em sua delação
premiada, Bendine se preocupou em dar aparência legal aos repasses e o orientou
a emitir notas fiscais fictícias por serviços de consultoria. “Trocamos, eu e
Bendine, muitas mensagens acerca da denúncia que o Marcelo fez. Ele dizia
‘André, não podemos assumir isso, vai pelo lado da consultoria, eu vou de
alguma forma admitir que você se apresentou como interlocutor deles’. Foi
quando eu fiz a opção de pagar o imposto [sobre a propina] e de tentar puxar a
nota como justificativa”, afirmou o publicitário.
Após os
interrogatórios de Aldemir Bendine, André Gustavo e Antonio Carlos Vieira da
Silva, a fase de oitivas dos réus do processo se encerrou. O Ministério Público
Federal e as defesas dos acusados devem apresentar agora suas alegações e,
depois disso, a ação penal poderá ser concluída por Sergio Moro com uma
sentença, condenando ou absolvendo os réus.
VEJA.com

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