![]() |
© Fabio
Motta/Estadão Por volta das 11 horas,
disparos
foram ouvidos de longe.
|
RIO - Por
conta da operação das Forças Armadas e da Polícia Militar na manhã desta
terça-feira, 10, oito unidades de ensino municipal da Favela da Rocinha, na
zona sul do Rio, não funcionaram.
De acordo com a
Secretaria Municipal de Educação, ao todo 2.489 alunos ficaram sem aulas. Cinco
escolas, duas creches, e um Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) não
abriram.
Moradores da
Rocinha relataram que voltaram a escutar tiros, nesta terça-feira. Por volta
das 11 horas, disparos foram ouvidos de longe.
O porta-voz do
Comando Militar do Leste (CML), coronel Roberto Itamar, disse que a ação das
Forças Armadas nesta terça-feira será "pontual". Os 550 militares
estão atuando em apoio a 550 policiais militares que realizam buscas por
traficantes em regiões de mata da Rocinha, por armamentos e drogas. Os
militares chegaram na região por volta das 5h40. A PM montou 29 pontos de
bloqueio.
"A ação
será pontual, com um foco, que é atuar no apoio dos policiais em vasculhamentos
pela mata da favela. Estes pontos foram mapeados pelo setor de inteligência da
Secretaria de Segurança. A operação deve se encerrar hoje mesmo, já que não dá
para fazer este tipo de busca de noite", disse o coronel.
De acordo com a
Secretaria de Estado de Segurança, a varredura na mata também atinge o entorno
da comunidade da Rocinha, como São Conrado.
A ajuda do
Exército foi solicitada após a volta de registros de intensos tiroteios na
região. Nesta segunda-feira, 9, dois homens foram encontrados mortos na parte
alta da favela. Os corpos, que não foram identificados, tinham vários
ferimentos na cabeça.
Nesta
segunda-feira, a Polícia Civil também prendeu o traficante Adailton
Soares, que seria um dos seguranças de Rogério Avelino da Silva, o Rogério
157, "chefe" do tráfico na região, em Nova Iguaçu, na Baixada
Fluminense.
Ele passou a
noite na delegacia da Rocinha, prestou depoimento e nesta manhã foi transferido
para o sistema penitenciário. O conteúdo do depoimento não foi informado pelos
investigadores, de modo a não atrapalhar as investigações.
O capitão
Maicon Pereira, um dos porta-vozes da PM, garantiu que apesar de Rogério
continuar solto, a ocupação, iniciada no dia 18 de setembro, depois que Rocinha
foi invadida por traficantes rivais, está avançando.
"A
operação é contínua, para restabelecer a paz na comunidade. A cada dia
apreendemos uma arma, ou mais. São mais de 18 fuzis e 10 presos. A área de mata
é muito vasta. Essa é uma das maiores favelas do Rio."
Denúncias.
Diante dos relatos de moradores de que basta a saída dos policiais das ruas
para os traficantes voltarem, o capitão clamou: "É importante frisar que
as pessoas devem denunciar pelo 190 ou o Disque-Denúncia. Dependemos dessas
informações. A operação está dando resultados".
Os moradores
contam que têm medo de denunciar porque se sentem monitorados pelos bandidos.
"A gente sabe quem manda. O melhor a fazer é tentar tocar a vida e não se
meter nem com bandido nem com polícia", disse um vendedor ouvido pela
reportagem.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!