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A senadora
Lucia Topolansky conversa com o marido, o também
senador e
ex-presidente José Mujica, após tomar posse como
vice-presidente do Uruguai, na quarta-feira
(13) (Foto: Miguel Rojo/AFP)
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Primeira mulher no cargo, ela
assumiu após renúncia de Raúl Sendic, envolvido em escândalo com dinheiro
público. Senadora irá ocupar presidência temporariamente nos próximos dias,
quando Tabaré Vázquez estiver na Assembleia Geral da ONU em Nova York.
A ex-primeira-dama e ex-guerrilheira
Lucía Topolansky, de 72 anos, mulher do ex-presidente José Mujica, assumiu nesta
quarta-feira (13) o cargo de vice-presidente do Uruguai, após a renúncia de Raúl Sendic no
sábado.
Depois de uma votação no
Parlamento, que aceitou a renúncia de Sendic, Topolansky passará a presidir a
Assembleia Geral (deputados e senadores) e o Senado, postos exercidos pelo
vice-presidente.
A renúncia de Sendic, que deixou
seu posto em meio a um escândalo sobre o uso de cartões corporativos para
gastos pessoais quando presidiu a companhia estatal de petróleo ANCAP e por
apresentar um título acadêmico que não possui, foi aprovada pelos 123
legisladores presentes na Palácio Legislativo.
Após a votação, "Lucía
Topolansky passará a ocupar a presidência da Assembleia Geral e da Câmara dos
Senadores", leu a senadora Monica Xavier, da governista Frente Ampla, que
presidiu a sessão que durou cinco minutos.
A leitura supõe a posse automática
de Topolansky como vice-presidente, ao estar em suas mãos o nexo entre Poder
Executivo e Poder Legislativo.
Esposa do ex-presidente José
Mujica (2010-2015), Lucía integra a sigla mais votada nas últimas eleições,
dentro da coalizão de esquerda Frente Ampla, e isso a colocou na primeira
posição na linha de sucessão presidencial.
Mujica, chefe desse grupo, não
pode exercer a vice-presidência, porque a Constituição do Uruguai impede um
ex-presidente de ocupar novamente a primeira magistratura por até cinco anos
após deixar o cargo.
A ex-guerrilha, que integrou o
Movimento de Libertação Nacional MLN-Tupamaros, passou 13 anos presa em sua
juventude, pouco antes do golpe de Estado de 1973. Ela é a primeira mulher a
ocupar a vice-presidência no Uruguai.
'Situação difícil'
O primeiro ato de Topolansky será
presidir uma sessão do Senado que autorizará uma viagem do presidente Tabaré
Vázquez à Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York.
Na ausência do chefe de Estado,
ela o substituirá à frente da Presidência da República, cargo que ocupou
brevemente no governo do marido durante viagens oficiais.
Vázquez foi eleito no segundo
turno disputado com Sendic nas eleições de 2014 e tomou posse em março de 2015
para um mandato de cinco anos.
Topolansky, que em 25 de setembro
completará 73 anos, não esconde sua tristeza com a situação de Sendic, filho de
um dos dos fundadores e ícone do Movimento de Libertação Nacional MLN-
Tupamaros.
Sendic era um apadrinhado político
do casal Mujica-Topolansky e deixou o cargo depois de uma decisão do Tribunal
de Conduta Política (tribunal ético) de seu partido. Essa corte se pronunciou
sobre seu comportamento em relação ao uso de cartões corporativos oficiais quando
era diretor da petroleira estatal Ancap.
O tribunal considerou que "o
quadro geral apresentado pelos atos descritos" do agora ex-vice-presidente
"não deixa dúvidas de um modo de atuar inaceitável no uso de dinheiro
público".
Além deste caso, no ano passado,
Sendic admitiu que não era formado em Genética Humana como se acreditava até
então.
Em declarações à rádio El
Espectador, a ex-primeira-dama demonstrou consternação diante do caso, enquanto
Sendic enfrentará processos judiciais.
"Para mim é uma situação
difícil. Iniciar neste cargo porque o companheiro teve que renunciar em tais
circunstâncias (...) Não é agradável", declarou, visivelmente abalada.
Na segunda-feira (11), o
presidente Vázquez elogiou Lucía Topolansky - muito mais à esquerda do que ele próprio
na coalizão do governo - e afirmou que é uma "profunda conhecedora do
sistema político (e) profunda conhecedora da realidade do país".
Pelo Twitter, Sendic saudou hoje a
chegada de Topolansky à vice-presidência.
"Lucía, mulher, lutadora de
sempre, à frente do Parlamento: lhe desejo uma muito boa gestão e apoio para a
felicidade do país", tuitou.
Por France Presse

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