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© Estadão Defesa
de Glaucos deve pedir
registro de
compadre de Lula
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A defesa do
engenheiro Glaucos da Costamarques avalia pedir ao Hospital Sírio-Libanês, em
São Paulo, os registros de entrada do advogado Roberto Teixeira e do contador
João Muniz Leite no local. Os dados têm como objetivo contestar os recibos
entregues pelo ex-presidente Lula e, que na versão do petista, comprovariam o
pagamento de alugueis do apartamento 121 do edifício Hill House, em São
Bernardo do Campo (SP), investigado na Operação Lava Jato.
Na
segunda-feira, 25, a defesa de Lula entregou os recibos. Os comprovantes
apresentados referem-se ao período de agosto de 2011 a novembro de 2015. Duas notas têm datas que não existem no
calendário: 31 de junho e 31 de novembro.
Segundo a
defesa de Glaucos, os comprovantes referentes a 2015 foram assinados de uma só
vez pelo engenheiro durante o período em que ele estava internado no Hospital,
em novembro daquele ano. Os recibos, afirma, foram levados por João Muniz
Leite, a pedido de Roberto Teixeira.
O apartamento
121, ocupado por Lula, é um dos alicerces da segunda denúncia do Ministério
Público Federal, do Paraná, contra o petista. O imóvel teria sido adquirido
pela empreiteira Odebrecht, por meio de Glaucos - suposto laranja do
ex-presidente no negócio -, como forma de propina a Lula, réu por corrupção
passiva e lavagem de dinheiro.
A Lava Jato
afirma que não houve pagamento de aluguel entre fevereiro de 2011 e novembro de
2015.
Na terça-feira,
26, Glaucos da Costamarques reafirmou ao Estadão que é 'verdadeiro' o que disse ao
juiz federal Sérgio Moro.
Em 6 de
setembro, Glaucos afirmou em interrogatório perante o juiz federal Sérgio Moro
que não recebeu alugueis pelo apartamento 121, mas que declarou à Receita que
houve pagamento. "Não
recebi", disse taxativamente.
A Moro, o
engenheiro afirmou que passou a receber o aluguel em 2015. Glaucos disse que
Roberto Teixeira o procurou em novembro daquele ano quando ele estava
hospitalizado.
"O Roberto
Teixeira esteve lá no hospital me falando: 'olha, nós vamos pagar. De hoje em
diante, nós vamos pagar o aluguel pra você'. Começaram a pagar. Começaram a
pagar com um depósito na conta que eu passei, depósito no Santander. Mas não
identificado. Eu acho que eles depositavam naqueles envelopes e aquele envelope
tem um limite pra depósito. Acho que eles faziam em três. Então, aparecia lá,
era, vamos supor, três mil, vamos por, não lembro quanto era o aluguel naquela
época, três mil e trezentos, vamos supor. Eles punham um envelope de dois, um
de mil e outro de oitocentos", narrou.
O juiz da Lava
Jato questionou Glaucos se Roberto Teixeira deu alguma explicação para começar
a pagar.
"Eu não me
recordo. Mas eu lembro que o José Carlos foi preso. Eu entrei no dia 22 de
novembro no hospital. Dia 23 ele foi preso. Eu lembro da data por causa do
hospital. E ele esteve lá no hospital no fim do mês de novembro", contou.
A reportagem
procurou o contador João Muniz Leite e a defesa de Roberto Teixeira. O espaço
está aberto.
COM A
PALAVRA, LULA
Em relação a reportagens veiculadas hoje
(28/09) sobre os recibos de aluguel apresentados em 25/09, a defesa do
ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva esclarece que:
1- A Defesa do ex-Presidente Lula juntou aos
autos o contrato de locação firmado entre o Sr. Glaucos e D. Marisa e recibos
de pagamento de aluguéis relativos a esse contrato, tais como foram localizados
após os questionamentos apresentados na audiência realizada em 13/09.
2- Os recibos dão quitação em relação aos
aluguéis até dezembro de 2015. Não há qualquer questionamento em relação às
assinaturas que constam no documento. A quitação é a prova mais completa de
pagamento, de acordo com a lei.
3- Se houver qualquer dúvida em relação aos
recibos, poderão eles ser submetidos a uma prova pericial. A Defesa do
ex-Presidente Lula tem absoluta tranquilidade de que os documentos guardados
por D. Marisa revelam a expressão da verdade dos fatos.
4- Em nenhum outro documento encaminhado
pelo Sr. Glaucos a D. Marisa consta o registro de débitos em relação a
aluguéis, confirmando a quitação declarada nos recibos.
5- O que causa estranheza é que todas as
provas requeridas pela Defesa para demonstrar que não existe qualquer valor
proveniente da Petrobras envolvido no caso tenham sido indeferidas, inclusive
por meio de decisão proferida ontem. A ação passou a ter como único foco uma
relação privada de locação desde a audiência realizada em 13/09.
Cristiano Zanin Martins

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