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Medo da
violência faz mães mudarem de hábitos no trânsito
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Muitas passaram a ir no banco
de trás do carro, para que em algum caso de assalto, elas consigam tirar a
criança do carro.
O medo da violência tem feito
muitas mães mudarem de posição nos carros e irem no banco de trás justamente
para conseguir agir mais rápido em um caso de assalto, como o que aconteceu em Niterói, na Região
Metropolitana do Rio.
Algumas mães já estão deixando de
sair de carro sozinhas com as filhas, com medo de terem o carro roubado e não
conseguirem tirar as crianças da cadeirinha a tempo. Por isso, elas preferem ir
no banco de trás, ao lado da cadeirinha, enquanto os maridos dirigem na frente.
“Ele vai dirigindo na frente, de
chouffeer. Eu vou atrás com ela. Ganhou até esse apelido”, disse Indaiara
Santos, economista.
“Quando eu estou sozinha, eu tenho
medo, então a gente já ensinou a ela que deve soltar o cinto, abrir a porta do
carro, deixar tudo o que tiver pra trás, não gritar, não chorar pra não chamar
atenção, que a gente não sabe a reação dos assaltantes. Tudo isso é uma
preocupação”, disse a advogada Andrea Kudsi.
Em uma simulação para ver quanto
tempo uma das mães, que estava no banco da frente, demora para pegar a filha,
que está na cadeirinha no banco de trás, elas levam nove segundos.
Um caso em especial chamou muita
atenção há 10 anos, em Oswaldo Cruz, na Zona Norte do Rio. Bandidos roubaram o
carro onde estava o menino João Hélio, mas a mãe não conseguiu tirar o filho do
carro e ele foi arrastado por sete quilômetros e morreu.
Naquela época, a juíza do caso,
Adriana Angeli, não era mãe, mas desde o nascimento dos filhos, ela enfrenta um
dilema.
“Eu me lembrava muito disso, o
risco de você prender o seu filho na cadeirinha porque no momento de assalto ou
alguma necessidade de fuga rápida você tem dificuldade de retirar a criança da
cadeirinha. Você fica analisando os riscos. O que é mais provável de acontecer?
Um acidente grave no perímetro urbano ou o risco de assalto? Assaltos
aumentaram muito e a gente fica pensando em não conseguir tirar a criança da
cadeirinha”, disse Adriana.
Levar crianças no carro sem a
cadeirinha é infração gravíssima. Para o psiquiatra Jairo Werner, outra
infração é passar o nosso medo pros filhos.
“Nada justifica deixar de usar a
cadeirinha. As crianças aprendem com a imitação como lidar com situações
difíceis e situações de emergência, então é realmente observando a reações dos
pais como é que eles se acalmam com essa situação que eles vão internalizar
esses pais e vão usar naqueles momentos e vão usar nos momentos em que precisam
se socorrer sem a ajuda de alguém”, explicou o psiquiatra Jairo Werner.
Por Bom Dia Rio

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