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Bolsonaro
anuncia 'noivado' com PEN e impõe condição
à
candidatura pelo partido (Foto: Nicolás Satriano/G1)
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Legendas tiram a palavra
“partido” e adotam palavras como “Podemos”, “Avante” ou “Patriota”; cientistas
políticos veem estratégia como jogada de marketing.
De olho nas eleições de 2018, um
grupo de partidos aposta na mudança de nome, inclusive com a retirada da
palavra “partido” da nomenclatura, para se apresentar como uma nova alternativa
e se descolar da atual crise política e se aproximar dos eleitores.
O PTN já efetivou a troca para
Podemos. O PTdoB virou Avante. O PSDC se intitula agora Democracia Cristã. O
PEN quer passar a ser denominado Patriota.
No PMDB, há um estudo para que a
legenda resgate as origens e volte a ser MDB, como na época da ditadura, em que
fazia oposição ao regime militar. O presidente da sigla, senador Romero Jucá
(RR), chegou a defender a ideia em
2016, mas a discussão não foi adiante.
No entanto, o G1 apurou
que ele pretende retomar esse debate até o fim deste ano.
Com o objetivo de se fortalecer
para a disputa eleitoral, o DEM, que já foi PFL, também estuda alterar
novamente o nome e articula uma revisão do estatuto para atrair parlamentares
do PSB. Uma possibilidade aventada atualmente é que a sigla venha a se chamar
Mude.
O que dizem os partidos
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Vídeo do
senador Romário para o ato de lançamento
do Podemos
(Foto: Reprodução/Facebook)
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Podemos, antigo PTN
Presidente do Podemos, a deputada
federal Renata Abreu (SP) explica que a troca do nome Partido Trabalhista
Nacional (PTN), realizada no final de 2016, aconteceu após um longo estudo e
que não foi feita pensada em 2018.
Ela, porém, reconhece que a mudança deverá ajudar a sigla nas urnas.
“A maior parte dos brasileiros não
se identifica com partido nenhum. E queremos superar esse debate de
direita-esquerda. Queremos ser um movimento e escolhemos ‘Podemos’ porque foi a
palavra que mais aparecia nas nossas pesquisas, por representar um
empoderamento. A ideia é distanciar da crise política e mostrar uma
reaproximação com a sociedade”, afirma Renata.
A intenção dentro da legenda é
lançar o senador Álvaro Dias (Pode-PR), recém-incorporado ao partido, como
candidato à Presidência da República.
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| O Avante, antigo PTdoB, já criou páginas nas redes sociais que remetem ao novo nome da sigla (Foto: Reprodução/Facebook) |
Avante, antigo PTdoB
No Avante, a nova denominação,
após 27 anos como Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB), faz parte de uma
estratégia para aumentar o número de parlamentares eleitos em 2018, segundo o
deputado federal Silvio Costa (PE). Atualmente, a bancada na Câmara tem apenas
três nomes.
O presidente da legenda, deputado
federal Luis Tibé (MG), diz que o novo nome é uma tentativa de “humanizar a
política” e atrair quadros com uma preocupação de falar mais diretamente com a
população.
“Buscamos pessoas que acreditam no
mesmo que nós: na política do bem, na transparência e em um novo modo de atuar
em favor do cidadão. Por isso, chegou um momento em que precisávamos incorporar
esses ideais ao nosso nome e sermos reconhecidos por isso”, declara.
PEN
Objetivo semelhante tem o Partido
Ecológico Nacional (PEN), que irá mudar para Patriota e, com isso, espera
abrigar o deputado Jair Bolsonaro (RJ), que hoje está no PSC e tem planos
de se lançar candidato ao Palácio do Planalto em 2018.
“Além de buscar a eleição do
presidente da República, vamos impulsionar o partido de forma grandiosa e
aumentar a bancada”, explica o líder do partido na Câmara, deputado federal
Junior Marreca (MA).
Segundo Marreca, a meta é fazer um
“resgate daquilo que a população quer: o patriotismo, a família, a integridade
e a política de forma séria”.
PSDC
O Partido Social Democrata Cristão
(PSDC) também está de olho em 2018. A Executiva já decidiu que terá candidato
próprio a presidente, mas não definiu quem será.
Nos últimos anos, quem disputou o
Planalto pela legenda foi o presidente do partido, José Maria Eymael, que
concorreu em 1998, 2006, 2010 e 2014.
O diretor de marketing da legenda,
Rubens Pavão, diz que a futura mudança de nome é uma tentativa de se
diferenciar dos demais partidos.
“Com tanta sigla, o PSDC se
confunde. O projeto é mostrar a nossa filosofia, a democracia cristã, e
solidifica-lá. Decidimos colocar o nosso nome e sobrenome. Não mudamos, apenas
assumimos aquilo que somos”, argumenta.
Regras atuais
Pelas regras de fidelidade
partidária fixadas pela legislação eleitoral, os parlamentares que quiserem
mudar de partido terão que aguardar até março, seis meses antes da eleição,
quando será aberto prazo de um mês para que migrem sem sofrerem punição. Quando
a mudança é feita fora desse período, os parlamentares podem perder o mandato.
As situações aceitas fora desse
período são em caso de criação ou fusão de legenda ou de mudança substancial ou
desvio do programa partidário, além de grave discriminação pessoal.
Cientistas políticos
A simples mudança de nome, porém,
é vista com ceticismo por cientistas políticos, que consideram a estratégia
somente uma jogada de marketing.
Na avaliação de David Fleischer,
Universidade de Brasília (UnB), alterar o nome representa “apenas uma mudança
de fachada” e que é preciso haver uma reforma política profunda.
Roberto Romano, professor de
política e ética da Universidade de Campinas (Unicamp), também considera ser
algo pouco eficaz para o eleitor brasileiro.
“Os marqueteiros acham que mudando
a sigla ou trocando por uma palavra mais significativa vão atrair a atenção dos
eleitores. Mas o eleitor brasileiro foi acostumado, e isso é muito ruim, a não
votar tanto em legendas, mas em indivíduos”, pondera. Dessa forma, ele acredita
que o nome é “o que menos importa nesse momento de crise”.
De acordo com Romano, a tendência
de trocar as siglas por palavras também tem uma explicação ligada às coligações
partidárias.
Como é comum partidos usarem no
nome termos como “socialista” ou “liberal” para indicar o seu posicionamento
político, na hora de fazerem alianças, causava um certo estranhamento a união
de partidos com ideologias diferentes. Com a mudança do nome por palavra, isso
ficará menos evidente.
“Antes, os partidos utilizavam o nome
como uma condensação do programa. Se era socialista, carregava isso no nome.
Hoje, os partidos buscam palavras mais genéricas para representar a sigla, ao
invés de carregar no nome ideologias”, diz Romano.
Migração de legenda
Integrantes do PMDB e DEM disputam
os dissidentes do PSB
Apesar de haver internamente no
Democratas uma discussão sobre a troca do nome, a mudança é tratada, neste
momento, como algo secundário.
A prioridade, segundo o senador
José Agripino (DEM-RN), que preside o partido, é reformular o estatuto. O
objetivo é atrair parlamentares de outras siglas.
“Isso dará uma oxigenação. Existe
uma dissidência do PSB por insatisfação com a direção do partido. Estamos
conversando”, diz Agripino.
Segundo o líder na Câmara, Efraim
Filho (DEM-PB), a alteração estatutária visa também a reposicionar o partido no
espectro ideológico.
“O que se vê é um discurso
polarizado. O [deputado Jair] Bolsonaro representa uma extrema direita. O
[ex-presidente] Lula, a esquerda e fica essa lacuna no centro a ser preenchida
e que pode ser preenchida por nós”, avalia.
O G1 apurou que as articulações
com deputados do PSB estão avançadas e podem ser concretizadas nas
próximas semanas. Agripino, porém, desconversa: “Conversas existem, existem. Há
fato consumado? Ainda não”.
Por Alessandra Modzeleski e Fernanda Calgaro, G1, Brasília



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