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“MOMENTOS
DIFÍCEIS” - A presidente do STF, Cármen Lúcia: voto
constrangido
em favor do senador-réu (Cristiano Mariz/VEJA)
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O Supremo vira alvo de críticas
nas redes, pela primeira vez, por manter no cargo o réu Renan Calheiros, que 24
horas antes desafiara a Corte
Foi um episódio sem ganhadores,
mas alguns perderam mais que outros. Por 6 votos a 3, o Supremo Tribunal
Federal (STF) aceitou abrir mão de suas atribuições jurídicas para fazer
política. “Vivemos momentos difíceis”, declarou uma constrangida Cármen Lúcia.
“Impõe-se, de uma forma muito especial, a prudência do direito e dos
magistrados.” Pouco antes, seis ministros do STF, ela incluída, haviam
derrubado a liminar do ministro Marco Aurélio Mello que afastava Renan
Calheiros do cargo de presidente do Senado. Em novembro, o mesmo número de
magistrados declarara inconstitucional a manutenção de um réu na linha de
substituição da Presidência da República — precisamente o caso do senador agora
tornado réu.
No dia seguinte à decisão que o
afastara da presidência da Casa, enquanto o Executivo tentava mediar o conflito
entre Legislativo e Judiciário, Renan coordenou a reunião da Mesa Diretora da
Casa que divulgaria uma carta na qual simplesmente comunicava que não iria
cumprir a ordem judicial. O resultado da pressão sobre a Corte pôde ser visto
na votação de quarta-feira, quando o STF pariu uma jabuticaba jurídica.
Decidiu manter Renan no cargo e retirá-lo da linha de sucessão presidencial.
Ninguém duvida que o STF agiu movido pela preocupação com a estabilidade
institucional do país. Mas da Corte Suprema não se espera que seja
“patriótica”, como afirmou Renan à guisa de elogio. Espera-se que faça justiça,
custe o que custar.
Veja.com

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