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Foto: Alexandre
de Moraes
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Foi como se fosse uma verdadeira
bomba. E, na verdade, é mesmo: O nosso ministro da Justiça, Alexandre de
Moraes, quer acabar com o comércio e o uso da maconha.Segue o conteúdo do
Estadão, o autor do furo:
O Ministro da Justiça, Alexandre
de Moraes, quer erradicar o comércio e uso de maconha no país. O objetivo
integra os termos do Plano Nacional de Segurança, cujo conteúdo foi apresentado
a especialistas e pesquisadores da área no início desta semana e já foi alvo de
críticas. Para isso, Moraes pretende focar principalmente nas plantações em
território paraguaio, considerado um dos principais exportadores do
entorpecente no continente, mas há também o objetivo de realizar parcerias para
combater laboratórios da droga na Bolívia e no Peru.
É o mesmo ministro que já
apareceu, em vídeo viral, cortando no facão uma dezena de pés de maconha. O
caso foi relatado por diversos veículos, você deve se lembrar.Após o turbilhão
de críticas, o ministro negou o conteúdo das reportagens, disse que não
pretende acabar com a maconha em território brasileiro. Disse que seu foco será
contra o tráfico.Enquanto isso, neste mesmo Brasil, a Anvisa caminha para
normatizar a venda de medicamentos com compostos da maconha. Famílias garantem,
na Justiça, o direito de plantar a erva para ela seja usada como um efetivo
medicamento contra uma série de convulsões e demais problemas relacionados com
a epilepsia. Bem, mais 8 estados norte-americanos decidiram, por voto popular,
abrir-se à maconha, medicinal ou recreativa.E não é só: 2016 foi o ano também
em que até mesmo as Nações Unidas (ONU) viram a necessidade de deixar bem claro
o novo momento para as substâncias criminalizadas por décadas numa guerra que
deixou mais vítimas do que soluções.Em relatório publicado em março, o Painel
Internacional de Controle de Narcóticos (INCB) da entidade internacional mais
importante destacou que o bem-estar e a saúde das pessoas "devem estar no
centro das políticas de drogas".
Destaca a ONU:
Em seu relatório anual, o Painel
Internacional de Controle de Narcóticos (INCB) - organismo independente que
monitora a implementação das convenções internacionais das Nações Unidas sobre
o controle de drogas - destacou que os tratados internacionais de controle de drogas
não autorizam uma "guerra às drogas".
Juan Manuel Santos, presidente da
Colômbia, recebeu o Nobel da Paz dias atrás, neste mês de dezembro. No
discurso, um aviso de quem viveu como poucos o flagelo da guerra perdida.
"Temos autoridade moral para afirmar que, após décadas de luta contra o
narcotráfico, o mundo não conseguiu controlar este flagelo que alimenta a
violência e a corrupção em toda nossa comunidade global", afirmou, em
Estocolmo, relata o El País. Para depois concluir: "A guerra contra as drogas
é igual ou até mais danosa que todas as guerras juntas travadas no mundo. É
hora de mudar nossa estratégia".Pena o nosso ministro não ter aberto os
ouvidos. Ou ter fingido ser surdo para o inevitável: a guerra que ele pensa em
empreender já nasceu perdida.

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