![]() |
© Foto:
Edilson Dantas/Agência O Globo Funcionários concluem
nesta
quinta-feira assinatura dos acordos de delação mais
importantes
da Lava-Jato.
|
Depois de nove meses de longas e
tensas negociações, o empresário Marcelo Odebrecht e mais 76 executivos da
Odebrecht deverão concluir nesta quinta-feira a assinatura dos acordos de
delação firmados com a Procuradoria-Geral da República dentro da Operação
Lava-Jato. Os acordos, os mais esperados desde o começo da investigação, têm
potencial para colocar em xeque o sistema de financiamento eleitoral do país,
como disse ao GLOBO uma fonte da operação.
Nas negociações pré-delação, os
executivos da empreiteira fizeram acusações contra líderes de todos os grandes
partidos governistas e da oposição. Pelo menos 130 políticos, entre deputados,
senadores, ministros e ex-ministros deverão ser atingidos pelas delações.
Segundo fontes ligadas às negociações, entre os citados estão o presidente
Michel Temer (PMDB), os ministros José Serra (Relações Exteriores), Geddel
Vieira Lima (Secretaria de Governo) e Eliseu Padilha (Casa Civil).
Nas delações também estariam os
nomes do ex-presidente Lula, do senador Aécio Neves (PSDB-MG), dos governadores
de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); de Minas, Fernando Pimentel (PT); e do
Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Foram feitos relatos também sobre pagamentos
supostamente ilegais para as campanhas da ex-presidente Dilma Rousseff.
Sobraram acusações, ainda, para os
ex-ministros Antonio Palocci e Guido Mantega, que estiveram à frente da Fazenda
nos governos Dilma e Lula. Os delatores também acrescentaram novas denúncias
contra o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e contra o ex-governador do
Rio Sérgio Cabral, que já estão presos por conta de outras acusações na
Lava-Jato.
Os acordos são considerados
devastadores pela importância dos políticos atingidos e também pela riqueza de
detalhes e provas dos crimes. Por exigência do procurador-geral, Rodrigo Janot,
e de outros investigadores, os delatores tiveram que apresentar documentos para
comprovar as fraudes e a movimentação do dinheiro desviado dos contratos com a
Petrobras e outras áreas da administração.
Entre os documentos que tornam
mais impactantes as denúncias estão cópias de e-mails em que executivos
trataram das obras irregulares e dos pagamentos de propina. As acusações são enriquecidas
também com extratos bancários e o vasto arquivo do Setor de Operações
Estruturadas da Odebrecht, uma área criada para facilitar o pagamento de
propina a pedido de diversos setores da empreiteira.
Os acordos de delação estão
associados ao de leniência da empreiteira. Por ele, a Odebrecht deverá
desembolsar mais de R$ 6 bilhões em multas. Parte dos recursos deverão ser
destinados aos Estados Unidos e à Suíça, também envolvidos nas negociações da
leniência. Pelo acordo, a empresa reconhece a prática de atos ilegais e se
compromete a corrigir os erros. Ontem, faltava decidir quanto destes R$ 6
bilhões será enviado aos dois países.
Pelo acordo de delação, Marcelo
Odebrecht deverá ser punido com dez anos de prisão, sendo dois anos e meio em
regime fechado e o restante no semiaberto com progressão para a prisão
domiciliar. Como o empresário já está na cadeia desde 19 de junho de 2015, ele
deverá mudar de regime em dezembro de 2017. Ele teria pleiteado passar o Natal
com a família, mas o pedido foi rejeitado pelos procuradores.
Os acordos preveem prisão
domiciliar para os delatores, inclusive para o pai de Marcelo, Emílio
Odebrecht. Vários delatores terão que usar tornozeleira eletrônica. Advogados
dos réus se reuniram ontem com procuradores em Brasília e em Curitiba para
começar a assinaturas dos acordos. Mas ainda havia alguns detalhes que estavam
sendo acertados. Ontem, para evitar chamar a atenção, os advogados e delatores
ficaram alojados em pelo menos 12 hotéis de Brasília.
Segundo uma fonte, o processo deve
ser concluído hoje. A partir da assinatura dos acordos, os delatores serão
chamados para depor e apresentar detalhes das acusações que prometeram fazer.
Os investigados deverão ser ouvidos em Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro, São
Paulo e Salvador, entre outros lugares.
Em nota, a Odebrecht disse que não
se manifestará sobre o caso, mas reafirmou “seu compromisso com uma atuação
ética, íntegra e transparente, expressa por meio das medidas concretas já
adotadas para reforçar e ampliar o programa de conformidade nas empresas do
grupo. Entre as medidas estão a criação do cargo de Responsável por
Conformidade e do Comitê de Conformidade, ligados ao Conselho de Administração
para garantir total independência, e a adesão a pactos de ética empresarial de
entidades como ONU e Instituto Ethos.
Agência O Globo

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!