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Comboio de
presos deixa penitenciária no Rio: segundo ONG,
40 mil são
detidos sem julgamento por ano no Estado
(Foto: Reprodução/TV Globo)
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São 3.600 que ingressam no sistema
carcerário por mês, segundo relatório. Pesquisa de duas entidades faz recomendações ao Congresso Nacional.
Uma levantamento divulgado na
noite desta terça-feira (13) indica que ingressam em carceragens do sistema
prisional do Rio de Janeiro, mensalmente, 3.600 presos provisórios. Em
números, isso significa que, por ano, 43.200 pessoas - a maioria homens -
vão parar atrás das grades sem serem, de fato, julgadas ou mesmo terem uma
condenação. Alguns dos custodiados chegam a esperar meses, e até anos, por uma
decisão definitiva da Justiça.
Os dados constam no relatório
"Quando a Liberdade é Exceção - A situação das pessoas presas sem
condenação no Rio de Janeiro", produzido em conjunto pela Organização Não
Governamental Justiça Global e pelo Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à
Tortura do Rio de Janeiro. O documento foi apresentado durante seminário na
Universidade do Estado do Rio (Uerj), na Tijuca, Zona Norte do Rio.
"A presunção é da culpa, se
presume a culpa e aí se prende provisoriamente. A prisão provisória, hoje,
representa 40% da população carcerária do Rio de Janeiro. O Judiciário não diz
se essas pessoas são culpadas ou inocentes e, ainda assim, sendo culpadas não
diz quais são as penas deles. O que se vê é que grande parte dessas pessoas
está lá meses e às vezes anos sem ter uma sentença que determinasse a privação
de liberdade", afirmou o pesquisador da Justiça Global Guilherme Pontes.
Pontes contou que em determinadas
visitas a equipe de pesquisa chegou a encontrar presos que estavam há dois anos
encarcerados sem serem julgados. Para ele, o que ocorre no Rio é um uso
"sistemático, abusivo e ilegal" da prisão provisória. "A prisão
antes da condenação deveria ser em casos extremos", frisou.
Em pouco menos de um ano (a
pesquisa começou no segundo semestre de 2015), os pesquisadores das duas
organizações visitaram 20 presídios estaduais para apurar quais eram as
violações de direitos sofridas por internos. Algumas delas, segundo o
documento, envolvem "maus tratos aos custodiados, dificuldade dos presos
aos serviços de saúde, insalubridade do ambiente e ausência de água
filtrada", por exemplo.
Audiências de custódia
Os ativistas também acompanharam a realização de 314 audiências de custódia no Tribunal de Justiça - um projeto recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que visa garantir que o preso em flagrante seja rapidamente levado a um juiz. Entre os objetivos estão verificar a legalidade da prisão e reduzir o número de presos provisórios que ingressam no sistema carcerário.
Os ativistas também acompanharam a realização de 314 audiências de custódia no Tribunal de Justiça - um projeto recente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que visa garantir que o preso em flagrante seja rapidamente levado a um juiz. Entre os objetivos estão verificar a legalidade da prisão e reduzir o número de presos provisórios que ingressam no sistema carcerário.
As mais de 300 audiências
acompanhadas pelos pesquisadores ocorreram entre os dias 14 de março e 14 de
junho deste ano. Segundo o documento, mesmo sem ter sido sentenciados, os
acusados levados à presença de um juiz permaneciam todo tempo algemados e eram
acompanhados por um policial militar, diz o relatório.
"Algumas vezes, os juízes
pediam para que um preso emprestasse a camisa para outro que estava sem. Todas
essas situações se mostram constrangedoras para a pessoa que está sendo
acusada", é relatado no documento.
Nas 314 audiências, 416 presos
foram levados à presença de um juiz. Destes, 290 tiveram a prisão preventiva
decretada e 123 saíram em liberdade provisória. Roubo (37%), tráfico de drogas
(27%) e furto (19%) são os crimes mais recorrentes a chegar para serem
julgados.
Mais da metade daqueles
custodiados que são apresentados (51%) em juízo não completaram o ensino
fundamental. De acordo com o relatório, só 9,1% têm o ensino médio completo e,
ainda, 3,3% deles contaram ter ensino superior, completo ou incompleto.
Ao acompanhar as audiências, os
pesquisadores constataram que 42,7% dos presos levados a julgamento não eram
questionados se teriam sofrido agressões ou tortura. O documento diz que os
juízes só perguntavam aos custodiados que apresentavam um olho roxo ou membro
enfaixado.
Recomendações a entidades
O relatório conclui que são necessárias que algumas medidas em caráter de urgência sejam tomadas para a redução do uso de prisões provisórias. A diversas instituições, como o Congresso Nacional, Tribunal de Justiça do Rio e Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, por exemplo, o documento faz recomendações expressas.
O relatório conclui que são necessárias que algumas medidas em caráter de urgência sejam tomadas para a redução do uso de prisões provisórias. A diversas instituições, como o Congresso Nacional, Tribunal de Justiça do Rio e Secretaria de Administração Penitenciária do Rio, por exemplo, o documento faz recomendações expressas.
Ao Estado Brasileiro, o documento
cobra medidas judiciais, legislativas e administrativas "pautadas nos
princípios de inocência, da legalidade e da proporcionalidade".
Para o Congresso Nacional, por
exemplo, a pesquisa sugere uma ampla reforma na política de drogas,
descriminalização e regulamentação das drogas. Também solicita que haja uma
reformulação da Lei de Drogas para que seja mais "sensível às
especifidades de gênero".
Fora isso, o texto também pede a
remoção de impedimentos legais que "impeçam pessoas que cometam crime de
tráfico de drogas de serem beneficiadas com penas alternativas".
Do G1 Rio

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