A Associação Nacional dos Procuradores da
República (ANPR) manifestou repúdio sobre o que chamou de ‘deturpação’ das
afirmações dos procuradores da República na Operação Lava Jato. Na
quarta-feira, 14, o Ministério Público Federal denunciou o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, sua mulher, Marisa Letícia, e outros seis investigados
por corrupção e lavagem de dinheiro.
“Cumprindo
legitimamente o dever e o direito de informar a população, a força-tarefa Lava
Jato tão somente apresentou a acusação contra o ex-presidente da República Luiz
Inácio Lula da Silva, dentre outros, como o fez em já numerosas outras
ocasiões, sempre nos momentos nodais dos processos, nos quais impõe-se o
esclarecimento à opinião pública”, apontou a entidade.
A nota é
assinada pelo procurador regional da República José Robalinho Cavalcanti,
presidente da ANPR.
“É sob o
olhar de seu povo que se constrói um país realmente democrático. E para isso a
liberdade de imprensa, o amplo acesso às informações e o livre debate público
são essenciais. Entretanto, nesse contexto, não se configura legítima qualquer
manipulação ou deturpação de frases ditas no exercício do dever de
esclarecimento à população. Os procuradores da República foram didáticos e
extensivos em sua exposição precisamente para que o entendimento da população
sobre a denúncia fosse completo, podendo a partir daí terem o conhecimento para
exercerem a cidadania e o senso crítico. Configura-se em discurso político e/ou
em estratégia de defesa, sem compromisso com a verdade, deturpar falas dos
Procuradores da República nesta ocasião.”
A entidade
afirma que ‘a convicção da força-tarefa fundamenta-se em provas robustas
reunidas em investigações sérias’.
As acusações
do Ministério Público Federal se referem ao recebimento de vantagens ilícitas
da OAS por meio da reforma do triplex 164-A, no Guarujá (SP), e o armazenamento
de bens do acervo presidencial. Segundo a denúncia, Lula recebeu R$ 3,7 milhões
de propina da empreiteira.
Parte do
valor está relacionada ao apartamento: R$ 1,1 milhão para a aquisição do
imóvel, R$ 926 mil em reformas, R$ 342 mil para cozinha e imóveis, além de R$ 8
mil para eletrodomésticos. O armazenamento dos bens custou R$ 1,3 milhão.
A
força-tarefa da Operação Lava Jato requereu o bloqueio de R$ 87 milhões dos
denunciados na ação penal.
Segundo a
ANPR, o Ministério Público Federal ‘apenas cumpriu sua obrigação
constitucional’.
“O trabalho
desenvolvido pelos procuradores da República na Operação Lava Jato é
profissional, e republicano, além de submetido à contínua observância do devido
processo legal, e estar sob supervisão do Poder Judiciário independente e
técnico do País, em especial a 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, a quem cabe
a análise do recebimento da denúncia”, afirma a entidade.
Estadão

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