Boulevard tem pista tátil
descolando e aviso sonoro do VLT baixo, avalia. Apesar de problemas, transporte
público foi aprovado por deficiente visual.
Eleito por turistas como o melhor local de lazer do Rio na
Olimpíada, o recém-inaugurado Boulevard Olímpico, no Porto Maravilha, ainda
deixa a desejar para deficientes visuais como o assistente administrativo
Eunício Laina Soares, de 40 anos. Às vésperas da Paralimpíada, que começa na
quarta-feira (7), o G1 acompanhou
Eunício em um passeio, que incluía o local e o Maracanã, utilizando tranporte
público (veja no vídeo acima).
Em determinado trecho, era
possível identificar pedaços soltos da pista tátil – usada para orientação dos
cegos.
"As sinalizações de faixas
estão soltando. Pelo tempo tão curto que foi construído, isso pode ser um
indicativo que daqui a um tempo poderemos nem ter mais essas faixas. Isso tem
que ser avaliado, porque delimita a zona do VLT", advertiu Eunício.
Para chegar até os destinos,
Eunício utilizou os transportes públicos como metrô e VLT. As dificuldades
começaram na área externa da estação do metrô de Botafogo.
"Não tem guia de orientação,
que devem ser colocadas nas calçadas em alto relevo, indicando curvas e
obstáculos", comentou. "Além das calçadas bastante irregulares, falta
guarda numa praça movimentada como essa".
Ao pisar na estação, ele não foi
abordado por nenhum funcionário e levou um susto ao se deparar com uma escada
rolante no sentido contrário.
"Preciso descer as escadas.
Não senti identificação no chão avisando que tem uma escada que está apenas
funcionando para subida. Poderia ter me machucado", queixou-se.
Ao descer, contou com ajuda de
funcionários. "Na linha 1, sempre tem funcionários que me ajudam. Na linha
2, isso é raro."
O atendimento nos transportes
público, Eunício avaliou como ponto positivo, além do conforto nos coletivos e
tempo de espera. "Para um deficiente visual, o tempo que levo para me
locomover está dentro do padrão."
Na saída da estação do metrô da
Cinelândia, próximo à rua Pedro Lessa, se deparou com raízes de uma árvore, que
dificultaram a passagem. Para chegar à estação do VLT da Cinelândia, só pedindo
aquela ajuda aos jornaleiros.
Em nota, o Metrô disse que mantém
apoio aos portadores de necessidades especiais em caráter permanente e que os
agentes são treinados para dar atendimento personalizado. "O MetrôRio é
totalmente acessível", diz a nota. A concessionária afirma ainda que
investiu R% 6,5 milhões para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.
Na estação no VLT, mais uma
necessidade que não foi atendida: a faixa de borracha que deveria sinalizar a
proximidade dos trilhos não dava para ser sentida com os pés ou com a bengala.
"Tinha faixa ali? Não senti".
Ainda na plataforma, Eunício
identificou um degrau de mais de 15 cm de altura, que poderia gerar uma queda:
"Colocaram a faixa muito perto do degrau. Se viesse mais rápido, não daria
tempo de desviar".
Passeio ao Boulevard Olímpico:
'nota 6'
A segurança dos deficientes visuais no Boulevard Olímpico é falha, segundo avaliação de Eunício, por causa dos trilhos, que dividem as calçadas. Entre os principais pontos negativos: aviso sonoro do VLT "muito baixo", falta de pista tátil em todo o trajeto e falta de padronização de orientações.
A segurança dos deficientes visuais no Boulevard Olímpico é falha, segundo avaliação de Eunício, por causa dos trilhos, que dividem as calçadas. Entre os principais pontos negativos: aviso sonoro do VLT "muito baixo", falta de pista tátil em todo o trajeto e falta de padronização de orientações.
"Achei perigoso andar aqui.
Só ouvi o VLT quando ele já estava passando em cima, o aviso sonoro é muito
baixo. Se eu tivesse nos trilhos, não ia ter como correr. Se vocês não
estivessem comigo, eu teria ficado muito enrolado para transitar."
A calçada reta, sem pista táteis,
dificulta os cegos a terem noção do espaço. Nos pontos de maior aglomeração de
pessoas (o grafite feito por Kobra e a estrutura com letras que forma as
palavras Cidade Olímpica) não foi tão fácil Eunício chegar.
No grafite, uma estrutura de ferro
que protege os spots de luz só não protegeu a perna de Eunício, que tropeçou no
obstáculo. Já nas letras, ele teve dificuldade com o chão irregular, algumas
partes têm elevações.
"Essa alternância entre
concreto e gramado é ruim, principalmente para quem passa de cadeira de rodas e
idosos. Devem vir muito cadeirantes, cegos e pessoas com muletas aqui na
Paralimpíada, então precisam consertar esses detalhes", orientou.
As peças que formam as faixas
táteis estão soltando. Eunício pegou duas peças nas mãos para mostrar o
descaso. "É preciso que tenha delimitação eficaz da área de perigo e a
faixa tem que nortear todo o caminho, Aqui é uma coisa de louco ora tem ora
não. Poderia delimitar de forma única, padronizada. Do jeito que está eu não
sei onde o VLT passa.
Nem mesmo a hora de deixar o local
deu a Eunício um momento de tranquilidade. A estação Parada dos Navios, do VLT,
foi considerada de difícil acesso. Já a estação do VLT da Carioca deixou a
desejar com as faixas de segurança com relevo ruim. "Não senti a faixa que
separa a calçada dos trilhos", disse o assistente administrativo.
Apesar de enumerar o que pode ser
melhorado e dar "nota seis" ao passeio, Eunício quer voltar ao
Boulevard Olímpico ao lado dos filhos. "Acompanhado é bem mais
fácil."
Ida ao Maracanã
Buracos sem árvores, buracos com árvores e pedras portuguesas. Tudo isso atrapalhou a chegada do deficiente visual à estação do metrô da Carioca.
Buracos sem árvores, buracos com árvores e pedras portuguesas. Tudo isso atrapalhou a chegada do deficiente visual à estação do metrô da Carioca.
No horário de pico, não teve outro
jeito. Empurra daqui, empurra dali, até que Eunício conseguiu entrar no vagão.
Mas ao desembarcar na estação do Maracanã, ele abriu um sorriso.
"Estruturas aprovadíssimas".
História no esporte
Eunício já escolheu qual jogo da Paralimpíada ele quer acompanhar de perto: futebol de cinco. Isso porque ele jogou na seleção de futebol de cinco por muitos anos. "Parei em 2009, por problemas no joelho. Fui campeão sulamericano em 1998 e campeão brasileiro em 2007, pelo Instituto Benjamin Constant", relembrou.
Eunício já escolheu qual jogo da Paralimpíada ele quer acompanhar de perto: futebol de cinco. Isso porque ele jogou na seleção de futebol de cinco por muitos anos. "Parei em 2009, por problemas no joelho. Fui campeão sulamericano em 1998 e campeão brasileiro em 2007, pelo Instituto Benjamin Constant", relembrou.
Mesmo jogando na posição de pivô,
Eunício balançava as redes. "Marcava alguns gols. As pessoas acham que a
gente chuta em vão, mas não. A maior dificuldade é estudar o espaço, para fazer
o deslocamento de forma correta, perceber o adversário", explicou.
A animação da torcida, no entanto,
pode atrapalhar bastante os jogadores durante a partida. "A gente entende
que as pessoas ficam eufóricas na arquibancada, mas quando começam a mandar a
gente chutar, isso atrapalha. Porque a gritaria vem bem na hora que estamos
buscando a melhor forma para o chute seco, perfeito."
Posicionamento da
Prefeitura
A Prefeitura do Rio informou ao G1 que algumas medidas já começaram a ser tomadas para melhorar a acessibilidade nos pontos turísticos da cidade e nos transportes públicos (veja a nota na íntegra abaixo).
A Prefeitura do Rio informou ao G1 que algumas medidas já começaram a ser tomadas para melhorar a acessibilidade nos pontos turísticos da cidade e nos transportes públicos (veja a nota na íntegra abaixo).
"O projeto urbanístico do
Porto Maravilha segue a Norma Brasileira de Acessibilidade. As obras de
revitalização implantaram 2,5 Km de piso podotátil na região (sem contabilizar
a área coberta pelo VLT), 442 metros em rampas e 87 metros em traffic-calm
(para travessia de rua sem rebaixamento em relação à passagem). Estações e
paradas do VLT ficam de 20 cm a 40 cm de altura com rampas suaves e
antiderrapantes que facilitam o acesso de pessoas portadoras de necessidades
especiais. Cada plataforma dispõe de acesso nas extremidades com linha de piso podotátil
(próprio para portadores de deficiência visual) em toda a sua extensão para
auxiliar e guiar.
Quando as obras do VLT na Praça XV forem concluídas, a área também receberá sinalização em piso podotátil. Em relação às questões levantadas pela reportagem, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) informa que já oficiou a Concessionária do VLT Carioca a fazer ajustes na área do desnível citado na Cinelândia e a substituir os pisos táteis que estão se soltando com a utilização de pinos fixadores. Ao longo da Orla Conde, os pisos podotáteis foram instalados em todas as áreas com obstáculos, como travessias de pedestres e ao longo dos trilhos do VLT. Em relação aos spots do painel do Kobra, grades para evitar choques foram implantadas. A Cdurp vai enviar equipes para avaliar esse ponto da Orla Conde, as paradas dos Navios e Carioca para tomar providências.
Sobre as questões apresentadas referentes ao VLT, a Secretaria Municipal de Transporte e a concessionária VLT Carioca informam que o novo modal segue todas as normas NBR 14021, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, sobre acessibilidade em trens urbanos. As plataformas de embarque e desembarque são niveladas com as composições, que são dotadas de rampas suaves e antiderrapantes para facilitar o acesso e a saída do veículo.
As paradas de acesso contam com piso tátil (indicando o embarque e desembarque), além da presença de agentes de bordo que orientam a pessoa com deficiência a se posicionar no local indicado para acessar o vagão. Ao entrar na composição, se for cadeirante, o passageiro é conduzido e posicionado no espaço reservado a ele. Antes do desembarque, para a comunicação com o condutor, ele pressiona o botão instalado em posição adequada, que ativa o tempo ampliado de porta – seguindo as regras internacionais, há sinalização e acionamento de portas ao alcance do toque ou olhar.
Em relação às calçadas, é preciso diferenciar o piso tátil e o calçamento de pedras portuguesas. O projeto do VLT segue o padrão da cidade - já que circula por áreas tombadas pelo patrimônio histórico – e, por isso, cada local recebeu um tipo de instalação, de acordo com as orientações de preservação do patrimônio e regras de acessibilidade. A vistoria nesses locais é permanente.
Sobre o embarque dos passageiros, é preciso destacar que ele só é feito pelas plataformas, cujo acesso é feito por rampas, que têm degrau nivelado com o acesso dos trens e o piso tátil (mencionado acima) sinalizando sua chegada à área de acesso ao sistema.
O VLT também conta com acessibilidade sonora e sinalização visual, conforme as regras NBR. O veículo conta com gongo e buzina para alertar os pedestres sobre a passagem da composição, além de letreiro informando o sentido do trem. Internamente, há avisos visuais e sonoros com informações operacionais, como sentido e próximas paradas.
Todos os agentes de bordo do VLT passaram por treinamento específico e na Secretaria Municipal de Pessoa com Deficiência.
Sobre a árvore localizada próxima a um dos acessos à estação Cinelândia do metrô, a Comlurb informa que amanhã um engenheiro florestal irá ao local para avaliar o que é possível fazer para adequar a calçada.
Com relação às calçadas nos acessos ao metrô de Botafogo, será feita uma vistoria no local. Nas imediações de outras estações, já foram instalados piso podotátil e rampas de acordo com as normas de acessibilidade. Há estudo para dotar o entrono das demais estações com os mesmos equipamentos urbanos.
A Guarda Municipal informa que atua em todos pontos citados pela reportagem, com ações de ordenamento e fiscalização de trânsito, principalmente no Boulevard Olímpico e no entorno do Maracanã, e os guardas estão à disposição para qualquer tipo de auxílio. Na região do metrô de Botafogo, há patrulhamento por meio de rondas."
Quando as obras do VLT na Praça XV forem concluídas, a área também receberá sinalização em piso podotátil. Em relação às questões levantadas pela reportagem, a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp) informa que já oficiou a Concessionária do VLT Carioca a fazer ajustes na área do desnível citado na Cinelândia e a substituir os pisos táteis que estão se soltando com a utilização de pinos fixadores. Ao longo da Orla Conde, os pisos podotáteis foram instalados em todas as áreas com obstáculos, como travessias de pedestres e ao longo dos trilhos do VLT. Em relação aos spots do painel do Kobra, grades para evitar choques foram implantadas. A Cdurp vai enviar equipes para avaliar esse ponto da Orla Conde, as paradas dos Navios e Carioca para tomar providências.
Sobre as questões apresentadas referentes ao VLT, a Secretaria Municipal de Transporte e a concessionária VLT Carioca informam que o novo modal segue todas as normas NBR 14021, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, sobre acessibilidade em trens urbanos. As plataformas de embarque e desembarque são niveladas com as composições, que são dotadas de rampas suaves e antiderrapantes para facilitar o acesso e a saída do veículo.
As paradas de acesso contam com piso tátil (indicando o embarque e desembarque), além da presença de agentes de bordo que orientam a pessoa com deficiência a se posicionar no local indicado para acessar o vagão. Ao entrar na composição, se for cadeirante, o passageiro é conduzido e posicionado no espaço reservado a ele. Antes do desembarque, para a comunicação com o condutor, ele pressiona o botão instalado em posição adequada, que ativa o tempo ampliado de porta – seguindo as regras internacionais, há sinalização e acionamento de portas ao alcance do toque ou olhar.
Em relação às calçadas, é preciso diferenciar o piso tátil e o calçamento de pedras portuguesas. O projeto do VLT segue o padrão da cidade - já que circula por áreas tombadas pelo patrimônio histórico – e, por isso, cada local recebeu um tipo de instalação, de acordo com as orientações de preservação do patrimônio e regras de acessibilidade. A vistoria nesses locais é permanente.
Sobre o embarque dos passageiros, é preciso destacar que ele só é feito pelas plataformas, cujo acesso é feito por rampas, que têm degrau nivelado com o acesso dos trens e o piso tátil (mencionado acima) sinalizando sua chegada à área de acesso ao sistema.
O VLT também conta com acessibilidade sonora e sinalização visual, conforme as regras NBR. O veículo conta com gongo e buzina para alertar os pedestres sobre a passagem da composição, além de letreiro informando o sentido do trem. Internamente, há avisos visuais e sonoros com informações operacionais, como sentido e próximas paradas.
Todos os agentes de bordo do VLT passaram por treinamento específico e na Secretaria Municipal de Pessoa com Deficiência.
Sobre a árvore localizada próxima a um dos acessos à estação Cinelândia do metrô, a Comlurb informa que amanhã um engenheiro florestal irá ao local para avaliar o que é possível fazer para adequar a calçada.
Com relação às calçadas nos acessos ao metrô de Botafogo, será feita uma vistoria no local. Nas imediações de outras estações, já foram instalados piso podotátil e rampas de acordo com as normas de acessibilidade. Há estudo para dotar o entrono das demais estações com os mesmos equipamentos urbanos.
A Guarda Municipal informa que atua em todos pontos citados pela reportagem, com ações de ordenamento e fiscalização de trânsito, principalmente no Boulevard Olímpico e no entorno do Maracanã, e os guardas estão à disposição para qualquer tipo de auxílio. Na região do metrô de Botafogo, há patrulhamento por meio de rondas."
Do G1 Rio

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