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Operação
mãos sujas: a tentativa de salvar acusados na Lava Jato
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Políticos e empresários envolvidos
no escândalo da Petrobras tentaram — e vão continuar tentando — sabotar as
investigações
Desde a sua deflagração, em março
de 2014, a Lava-Jato enfrenta adversários poderosos. O PT acusou o juiz Sergio
Moro de ser uma marionete a serviço das multinacionais do petróleo ávidas para
abocanhar as reservas do pré-sal. O governo de Dilma Rousseff tentou emplacar
juiz em tribunal superior com a missão de soltar empreiteiros presos dispostos
a abrir o bico. Numa manobra suprapartidária, parlamentares tentaram aprovar
medidas para restringir acordos de delação e manietar a Polícia Federal e o
Ministério Público. Advogados de bancas abastadas lançaram manifesto comparando
a Lava-Jato às barbaridades da Inquisição. Todas as manobras tinham o objetivo
de “estancar essa sangria”, para ficar na definição imortal do senador Romero
Jucá, presidente do PMDB e um dos investigados no caso.
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Até agora, tudo fracassou. Lula, o
presidente mais popular da história recente, tornou-se réu pela segunda vez na
semana passada. Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira brasileira, está
preso desde junho de 2015. Eduardo Cunha, outrora o suserano da Câmara, perdeu
o mandato e o foro privilegiado. Os fracassos sucessivos, no entanto, não têm
desestimulado os complôs contra a Lava-Jato. Na Itália, berço da Operação Mãos
Limpas, que serve de inspiração aos investigadores brasileiros, os mãos-sujas
tiveram relativo sucesso ao contra-atacar — e o Brasil precisa evitar a
repetição aqui do desfecho de lá. Uma ofensiva vexaminosa ocorreu na
segunda-feira passada, quando a Câmara tentou aprovar uma anistia para quem fez
caixa dois nas últimas campanhas eleitorais.
Como toda operação clandestina, o
texto da anistia nem sequer foi apresentado. Circulou como espectro, correndo à
boca miúda nas conversas em plenário, mas sem pai nem mãe. A ideia era
formalizá-lo na calada da noite, sem publicidade, e aprová-lo a toque de caixa,
à sorrelfa da opinião pública. O plano só não deu certo porque deputados do
PSOL e da Rede, a combativa minoria do Parlamento, descobriram e denunciaram a
manobra, que o deputado Ivan Valente, do PSOL paulista, batizou de “golpe da
madrugada”. Pegos em flagrante, os entusiastas da medida fingiram-se de mortos.
É gente do PMDB, do PSDB, do PT e, claro, do PP, a sigla mais enrolada no
petrolão.
A anistia é um antídoto prévio à
devastação esperada com a delação de Marcelo Odebrecht, que deverá apontar o
dedo para 150, 200 ou até 300 políticos, segundo se especula. Todos
beneficiados com dinheiro clandestino da empreiteira. Na relação, há casos de
caixa dois e de recebimento de propina, mas os envolvidos, ecoando o mantra
criado pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos no escândalo do mensalão, alegam
apenas ter movimentado “recursos não contabilizados”. Se a anistia for aprovada
em outro golpe ou em outra madrugada, os políticos só serão condenados se
restar configurado o crime de corrupção, cuja comprovação é mais complexa.
A anistia tem o apoio dos grandes
partidos porque também organiza o cenário político, espantando os fantasmas que
rondam o governo Temer. Se avançar, a anistia elimina a possibilidade de o
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa Dilma-Temer, sob investigação
por suspeita de caixa dois. Quando corriam as negociações para aplicar o golpe
da madrugada, o PSDB chegou a defender a aprovação de uma anistia apenas
criminal, mas não eleitoral. Assim, o PMDB não se livraria do risco de perder a
Presidência da República por decisão do TSE, permanecendo com a espada sobre a
cabeça. Assim, os tucanos continuariam a ter no bolso do colete um instrumento
de pressão sobre o governo Temer. Os tucanos, no entanto, ao perceberem que a
ideia dificultaria o caminho do golpe, recuaram. Afinal, eles querem disputar o
Palácio do Planalto em 2018, e não antes. Até lá, esperam que Temer arrume a
casa e se desgaste nos esforços para aprovar o ajuste fiscal e as reformas
impopulares, como a trabalhista e a previdenciária.
Veja.com

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