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'Maduro e
alguns funcionários falam como se estivéssemos
em 'Alice no
País das Maravilhas'', diz Ana Elisa
(Foto:
Federico Parra/AFP)
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Ana Elisa Osorio fez campanha para
Maduro nas eleições de 2013. Mas ex-ministra não acredita que solução seria revogar seu mandato.
Ana Elisa Osorio, ex-ministra de
Hugo Chávez e que fez campanha por Nicolás
Maduro nas eleições de 2013, considera que o governo está dando as
costas para a realidade venezuelana, mas não acha que a solução seria revogar
seu mandato.
"Maduro e alguns funcionários
falam como se estivéssemos em 'Alice no País das Maravilhas' e isso é muito
grave porque o povo está vivendo em outras condições", afirmou, em
entrevista à AFP.
Ana Elisa foi ministra do Meio
Ambiente entre 2000 e 2005.
Os venezuelanos vivem uma escassez
de alimentos e remédios e uma inflação que poderá chegar, este ano, segundo o
FMI, a 720%.
Mas Maduro, que assumiu o poder
depois da morte de seu mentor Hugo Chávez (1999-2013), alega que o país é
vítima de uma guerra econômica provocada pela queda dos preços do petróleo.
"Não há razão para que o país
esteja em crise. O problema é que não há uma liderança que confronte as
dificuldades e, às vezes, o governo dá as costas para a realidade do
país", afirma a funcionária.
Ela, no entanto, não acha que o
referendo revogatório contra Maduro, promovido pela oposição, vá resolver os
problemas do país, pois o considera "salto no escuro".
"Revogá-lo para quê? Quem vai
substituí-lo?", questiona, acrescentando que um governo de oposição seria
pior que o atual.
"A solução está em tentar
reagrupar o chavismo e abrir espaços de discussão para construir melhor das
lideranças coletivas", explica, embora admita que, em um país altamente
polarizado, não vê por ora uma terceira via envolvendo chavistas descontentes.
As críticas da ex-ministra não
foram bem recebidas dentro do chavismo: ela foi "isolada" do Partido
Socialista Unido da Venezuela (PSUV) depois de ter feito parte de sua direção
por anos. Maduro a chamou de "traidora".
"Eu acho que os traidores
estão do outro lado", observa ela.
O PSUV sempre se apresentou como
um bloco sem fissuras em torno de Chávez, mas Osório faz parte de um pequeno
grupo de ex-influentes ministros que acreditam que Maduro desvirtuou o legado
chavista, como o ex-ministro do Planejamento e arquiteto do sistema econômico
Jorge Giordani; o ex-ministro da Educação, Héctor Navarro, e do Comércio,
Gustavo Márquez.
Indagada se acredita que Chávez
teve alguma responsabilidade na situação do país, Osorio é muito menos crítica:
"Chávez morreu há quatro anos. Não podemos continuar jogando nele a culpa
de tudo que acontece".
No entanto, admite que a
"hiperliderança" impediu Chávez pensar em sua sucessão. Sua última
vontade de passar o poder para Maduro lançou uma discussão dentro do partido no
poder.
"O desenvolvimento dos
acontecimentos demonstrou que o presidente Maduro não estava à altura porque,
ante o calibre de Chávez, a comparação é injusta", reconhece a
ex-ministra.
"Chávez se sacrificou muito
por esse processo e me entristece pensar que este sacrifício foi em vão",
conclui.
Da France Presse

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