Irã criticou rival pela maneira
como administra peregrinação a Meca. 'Temos que entender que não são muçulmanos', disse grão-mufti saudita.
A principal autoridade religiosa
da Arábia Saudita disse
que os líderes do Irã não são muçulmanos, o que levou a uma forte reação de
Teerã, em uma troca de declarações anormalmente áspera entre os adversários
regionais sobre a peregrinação anual conhecida como haj.
A guerra de palavras na véspera da
peregrinação em massa deve aprofundar a desavença entre o reino sunita e a
república islâmica xiita, que apoiam lados opostos na guerra civil da Síria e
em uma série de outros conflitos pelo Oriente Médio.
Em uma mensagem divulgada na
segunda-feira (5), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, criticou a
Arábia Saudita pela maneira como administra o haj, depois que um incidente
matou centenas de peregrinos no ano passado. Ele disse que as autoridades
sauditas "assassinaram" alguns deles, descrevendo os governantes da
nação rival como pessoas sem Deus e sem religião.
Respondendo a uma pergunta do
jornal saudita Makkah, o grão-mufti da Arábia Saudita, Sheikh Abdulaziz Al
al-Sheikh, disse não ter ficado surpreso com os comentários de Khamenei.
"Temos que entender que eles
não são muçulmanos... seus principais inimigos são os seguidores da Sunnah
(sunitas)", afirmou Al al-Sheikh.
Ele descreveu os líderes iranianos
com filhos de "magos", uma referência ao zoroastrismo, a crença
predominante na Pérsia até a invasão árabe muçulmana há 13 séculos na região
que hoje é o Irã.
Khamenei se reuniu com familiares
dos mortos iranianos no desastre do ano passado na quarta-feira e pediu a criação
de um comitê para investigar a causa das mortes por esmagamento.
"A árvore genealógica maligna
da dinastia saudita não tem competência para administrar os santuários
sagrados", afirmou o aiatolá.
A fala de Al al-Sheikh, por sua
vez, desencadeou uma resposta ácida do ministro das Relações Exteriores do Irã,
Mohammad Javad Zarif, que disse haver indícios de intolerância entre os líderes
sauditas.
"De fato; não existe
semelhança entre o islã dos iranianos e a maioria dos muçulmanos e o extremismo
intolerante que o principal clérigo e os mestres sauditas do terror
pregam", escreveu Zarif em seu Twitter.
Da Reuters

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