Policiais impediram na noite desta
quarta-feira o embarque de dois nadadores americanos que estavam no grupo
que disse ter sido assaltado no fim de semana. Os medalhistas Gunnar Bentz e
Jack Conger foram levados para a delegacia da Polícia Civil do Aeroporto do
Galeão para prestar depoimento sobre o caso. Ryan Lochte, de 32 anos, e James
Feigen, de 26, que já tinham prestado informações à Polícia, foram incluídos na
lista do Sistema Nacional de Procurados e Impedidos (Sinpi), da Polícia
Federal, após decisão judicial de apreensão de seus passaportes, na madrugada
desta quarta-feira. De acordo com a Justiça há indícios de comunicação falsa de
crime.
Os nadadores afirmam que foram
assaltados na madrugada do último domingo, após saírem de uma festa na Lagoa,
na Zona Sul. A Polícia Civil ressaltou que o inquérito ainda não foi concluído
e que os atletas ainda são tratados como vítimas de assalto. No cadastro Sinpi
estão os nomes de todos as pessoas que não podem deixar o Brasil por problemas
com a Justiça, assim como os impedidos de entrar ou sair do país.
Segundo a Polícia Federal, Lochte
embarcou para os Estados Unidos, na noite de segunda. Até o fechamento desta
edição, o paradeiro de Feigen era desconhecido. A juíza Keyla de Cnop, do
Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos, alega, na decisão, que “o
comportamento mais que tranquilo dos atletas logo após a suposta violência
(como foi mostrado em imagens de câmeras de segurança da Vila) agregado às
demais contradições do inquérito” justificava a apreensão dos passaportes. Já o
delegado Ronaldo Oliveira, chefe das delegacias especializadas, disse que a
decisão da apreensão foi tomada de forma parcial pela Justiça.
“Se no final da investigação ficar
comprovado que não teve (o roubo) o delegado vai fazer um relatório. Mas até
agora não temos nada nesse sentido”. A pena para esse crime pode chegar a 3
anos de prisão
Versões contraditórias
Para o coordenador do Juizado
Especial Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, desembargador Mauro
Martins, por enquanto, os atletas americanos são tratados como vítimas. “Se for
comprovado na investigação policial que houve falsa comunicação de crime, eles
responderão e podem ser julgados à revelia se não atenderem o chamado da
Justiça por carta rogatória”, explicou. Os outros dois atletas que afirmam
terem sido assaltados ainda prestarão depoimento.
Entre as contradições apontadas
pela juíza Decnop estão o grande intervalo entre a saída da festa na Lagoa e a
chegada à Vila Olímpica (os atletas demoraram cerca de 3 horas para fazer um
trajeto que poderia ser cumprido em 30 minutos), o número de assaltantes que
participaram do suposto roubo e a tranquilidade dos nadadores flagrada em
câmeras. A possibilidade da falsa comunicação de crime fez com que internautas
enviassem mensagens a Lochte o chamando de “mentiroso” e “criminoso”.

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