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Ingressos em
poder de quadrilha internacional de cambistas desmantelada
pela Polícia Civil na sexta-feira (5) (Foto:
Henrique Coelho/G1)
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Presidente do Comitê da Irlanda se
escondeu em outro quarto do hotel. Dirigente é suspeito de participar de
esquema de venda ilegal de ingressos.
O presidente do Comitê Olímpico da
Irlanda, Patrick Hickey, tentou fugir do hotel em que estava hospedado na Barra
da Tijuca antes de ser preso no início da manhã desta quarta-feira (17),
informa a Policia Civil do Rio. Membro do Comitê Olímpico Internacional (COI),
o dirigente é suspeito de participar de um esquema de venda ilegal de ingressos
para a Olimpíada com as empresas Pro 10 e THG. No momento da prisão, ele passou
mal e foi levado ao Hospital Samaritano. Depois de liberado, deverá ser ouvido
na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio.
Patrick foi preso por suspeita de
facilitar ação de cambistas, marketing de emboscada e formação de quadrilha.
O delegado Aloysio Falcão afirmou
que, ao saber que era procurado, Hickey se escondeu em um quarto diferente
daquele onde estava hospedado com a mulher, no hotel Winstor.
"A esposa dele mentiu,
dizendo que ele já havia voltado para a Irlanda. Chegou a esconder o passaporte
dele", afirmou o delegado. "Ele estava em outro quarto, diferente da
esposa, tentando fugir".
Responsável por vender ingressos
na Irlanda, a Pro 10 repassou os repassava para a THG, do empresário Marcus
Evans. Ele revendia as entradas a preços acima de US$ 8 mil em pacotes de
hospitalidade para os Jogos. Oficialmente, esse tipo de ingresso custa em torno
de US$ 1,4 mil.
O esquema movimentava mais de US$
10 milhões, segundo o delegado de Defraudações Ricardo Barbosa.
O escândalo teria envolvido também
o Ministério do Esporte da Irlanda. De acordo com a polícia, o ministro viajou
para o Rio quando soube do esquema e conversou com Patrick Hickey no domingo
(14). "Hickey disse que o ministro não tinha o que se meter nisso, que o
comitê olímpico e que tinha que investigar", afirmou o delegado Aloysio
Falcão.
Trocas de e-mails e mensagens
De acordo com o delegado, que
iniciou as investigações, era frequente a troca de mensagens entre Patrick
Hickey e Marcus Evans, dono da empresa THG e considerado foragido na
investigação.
O dirigente e o empresário teriam
trocado mensagens inclusive durante a Olimpíada. Três laptops e dois celulares
foram apreendidos pela polícia. Com essas informações, uma nova fase do
inquérito será aberta. "Acredito que tenhamos mais prisões", disse o
delegado.
Nove pessoas foram identificadas
pela policia. Além de Marcus Evans, seis são considerados foragidos pela
polícia do Rio. Os diretores da THG citados são o irlandês David Patrick
Gilmore, o inglês Martin Studd e o holandês Marteen Van Os. Já pela Pro 10,
tiveram mandado de prisão expedido os diretores Ken Murray, Michael Glynn e o
técnico de futebol irlandês Eamon Collins.
O mandado de prisão foi expedido
pela juíza Mariana Chu, do Juizado de Torcedores e de Grandes Eventos do
Tribunal de Justiça do Rio.
A Pro 10 e o esquema
O delegado Ricardo Barbosa,
titular da delegacia de Defraudações, afirmou que a Pro 10 foi criada com o
objetivo de integrar o esquema fraudulento.
"A Pro 10 foi criada para ser
uma ponte para os esquema da THG" , afirmou. Ainda segundo ele, a Pro 10
desviava os ingressos para a THG.
A THG, praticando um cambismo que
se passava por programa de hospitalidade, revendia esses ingressos por um valor
acima da compra.
O delegado Ricardo Barbosa disse
que alguns dos ingressos apreendidos eram do Comitê Olímpico da Irlanda.
A THG já foi indicada pelo Comitê
Olímpico Irlandês para a olimpíada de 2012 e para os jogos de Inverno de Sochi,
na Rússia, em 2014. A empresa, no entanto, não foi autorizada na ocasião para
revender os ingressos. O esquema de repasse da Pro 10 para que a THG vendesse
os ingressos em programas de hospitalidade, segundo o delegado, começou a
partir de então.
COI diz que vai colaborar com a polícia
Porta-voz do COI, Mark Adams disse
após a prisão de Patrick Hickey que deve colaborar com a polícia.
"Precisamos averiguar as acusações. Vamos companhar e averiguar as
investigações. A polícia tem que trabalhar e damos pleno apoio ao sistema
brasileiro", afirmou.
"Nós seguimos as instruções
da justiça brasileira e nós respeitamos esse sistema. Ele é inocente desde que
provem o contrário. Vamos colaborar e não vamos nos precipitar."
O porta-voz explicou também que o
COI procura melhor o sistema de vendas para não ocorrer fraudes.
"O sistema de ingressos da
Rio 2016 trabalha em cooperação com a polícia para não ter incidentes como na
Copa do Mundo. A ideia aqui é ter um sistema onde não há atos ilícitos. É
preciso que se entenda que não é via de mão única", disse Adams.
"Nós cooperamos com a
polícia, mudamos o design para ajudar a polícia a identificar os ingressos. O
trabalho de investigação é da polícia e o nosso é colaborar."
Do G1 Rio

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