O presidente do parlamento
venezuelano, Henry Ramos Allup, disse neste sábado que o Governo do Presidente
Nicolás Maduro suspendeu o envio de recursos para pagamento aos deputados.
"O Governo não enviou os
recursos para a Assembleia Nacional (AN), para o pagamento aos deputados",
afirmou Allup aos jornalistas, recordando que o Presidente Nicolás Maduro
anunciou recentemente que pretendia suspender o envio de recursos econômicos
para o parlamento.
Henry Ramos Allup referiu também
que os recursos chegam de maneira irregular e que do Escritório Nacional de
Orçamento informaram que "só remeterão o dinheiro para o pagamento dos
salários dos empregados e pessoal técnico".
"Mandam (do Governo) o que
lhes dá gana (...), mas ainda que o Executivo acredite que suprimirá o
funcionamento da AN, não será assim", disse o responsável, precisando que
o parlamento notificará o Executivo, na próxima semana, do valor exato dos
recursos a enviar para pagamento aos deputados.
Por outro lado, o vice-presidente do parlamento, Simón Calzadilla, sublinhou que mesmo que "os parlamentares tenham que sair à rua, com um pote para recolher dinheiro, a AN não deixará de funcionar".
"Ninguém nos deterá. O
parlamento é a voz do povo venezuelano, no meio da crise do país",
afirmou.
No dia 3 de agosto, o Presidente
da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que pediu ao Supremo Tribunal de Justiça
(STJ) para analisar a pertinência da suspensão das transferências de recursos
econômicos para a Assembleia Nacional.
À época, Maduro disse não
poder "utilizar os recursos públicos em instituições que desacatam e
apelam ao desacato das leis".
O Presidente da Venezuela
questionou a decisão da direção do parlamento de incorporar, em julho, três
deputados da oposição que tinham sido suspensos pelo STJ por alegadas
irregularidades no processo eleitoral.
"Ramos Allup [presidente do parlamento]
pôs-se à margem da lei e da Constituição (...). O que fez é muito grave,
desrespeitar uma sentença do STJ, desrespeitar a letra da Constituição e as
leis e dizer que não acatará nenhuma sentença", disse Nicolás Maduro à
televisão estatal venezuelana.
A aliança Mesa da Unidade
Democrática (MUD) obteve em dezembro a primeira vitória da oposição venezuelana
em 16 anos, conseguindo eleger 112 dos 167 lugares que compõem o parlamento,
uma maioria de dois terços que lhe conferiu amplos poderes.
No entanto, no dia 31 de dezembro
de 2015, o STJ ordenou a suspensão da proclamação de três parlamentares da
oposição e um do Governo, por alegadas irregularidades na campanha eleitoral,
levando a que apenas 109 deputados da oposição e 54 do Partido Socialista Unido
da Venezuela (PSUV) tenham iniciado funções a dia 05 de janeiro.
Desde que a oposição passou a ser
maioria a MUD tem estado a tentar realizar um referendo para revogar o mandato
de Nicolás Maduro.

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