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Foto de
Boris Yeltsin (com papel na mão) em cima de um tanque
deu a volta
ao mundo (Foto: AP)
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Golpistas eram liderados por
Guennadi Yanayev e pelo chefe da KGB. Golpe fracassou após moscovitas
responderem ao apelo de Boris Yeltsin.
Foi o chamado desesperado do então
presidente russo, Boris Yeltsin, que levou Guennadi Veretilni às barricadas que
rodeavam a sede do parlamento da Rússia soviética no centro de Moscou naquele
dia 19 de agosto de 1991.
"Eu não era partidário de
Yeltsin nem liberal, nem comunista: não apoiava nenhum partido", explica
Veretilni, então um investigador da polícia com apenas 22 anos.
"Mas o chamado de Yeltsin, a
liberdade, a democracia, todas essas novas palavras... o povo acreditava
realmente nisso. E eu também".
Poucas horas antes, um grupo de
golpistas dirigido por partidários da "linha dura" do Partido
Comunista soviético entrou com os tanques em Moscou.
Os golpistas, dirigidos pelo
vice-presidente Guennadi Yanayev pelo chefe da KGB, Vladimir Kriuchkov, e pelo
ministro da Defesa, Dimitri Yazov, consideraram que o presidente de toda a
União Soviética, Mikhail Gorbachev, era "incapaz de assumir suas funções
por motivos de saúde" e proclamaram estado de emergência.
Seu objetivo era paralisar a
Perestroika e a Glasnost iniciadas por Gorbachev para renovar e liberalizar a
URSS, reformas que ameaçavam o poder do PC e levaram a URSS à beira do colapso.
Mas os golpistas não previram que
era grande o apoio com que contava Boris Yeltsin, presidente da Rússia ainda
soviética, e os milhares de moscovitas que responderiam a seu apelo de defesa
das reformas.
Foto de 23 de agosto de 1991
mostra o então presidente russo, Boris Yeltsin (direita) e o então presidente
soviético, Mikhail Gorbachev (Foto: AFP)
Foto de 23 de agosto de 1991
mostra o então presidente russo, Boris Yeltsin (direita), e o então presidente
soviético, Mikhail Gorbachev (Foto: AFP)
"Mais de 20 mil moscovitas
vieram para apoiar Yeltsin. Ele pediu que viessem defendê-lo e formaram uma
corrente humana em torno do parlamento da Rússia soviética, no qual se
refugiava o presidente", recorda Veretilni.
Cansados, mas felizes
Para construir as barricadas, os
manifestantes usaram micro-ônibus, recolheram barreiras, tubulações e tudo que
estivesse a mão. Qualquer material era bom para se preparar para o ataque das
forças de ordem fiéis aos golpistas.
"Na madrugada de 20 para 21
de agosto, estávamos particularmente ansiosos", recorda Lev Ponomarev, na
época deputado e, desde então, conhecido defensor dos Direitos Humanos.
"As pessoas estavam realmente
preparadas para sofrer um ataque".
Mas o temido ataque jamais
aconteceu. Os golpistas cometeram uma série de erros fatais, ao não conseguir
convencer oficiais-chave para que se unissem a eles e não conseguiram calar
Yeltsin, cuja foto em cima de um tanque ante a multidão deu a volta ao mundo.
Três manifestantes morreram nos
confrontos com os soldados, mas, no dia 21 de agosto, ficou claro que o golpe
havia fracassado.
"Não havíamos dormido por
três dias e estávamos esgotados. Mas também estávamos muito felizes",
recorda Lev Ponomarev.
"Era uma estranha mistura de
fadiga e alegria".
'Fomos ingênuos'
O fracasso do golpe supôs a
estocada final em 70 anos de comunismo soviético.
Yeltsin, convertido no verdadeiro
poder, proibiu o Partido Comunista, afastou Gorbachev e assinou um acordo com
os dirigentes da Ucrânia e de Belarus que dissolvia, de fato, a URSS.
Em 25 de dezembro de 1991,
Gorbachev renunciou e a União Soviética deixou de existir oficialmente.
Mas, entre quem defendeu a
democracia naquele agosto de 1991, ficou um gosto amargo.
Suas esperanças de um mundo melhor
se esvaíram com o surgimento de uma economia de mercado acompanhada de
privatizações em massa nos anos 90, época em que o nível de vida da população
russa despencou.
"As pessoas foram
ingênuas", declara Veretilni, que hoje vive em Kiev. "Não sabíamos
que, em vez de conseguir a liberdade e a democracia, acabaríamos nesse
capitalismo selvagem", lamenta.
France Presse

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