Com o afastamento de Dilma
Rousseff e a consequente exoneração de seus colaboradores, cinco ex-ministros
sob investigação na Lava Jato podem ser investigados e processados na Justiça
Federal de Curitiba, sob os cuidados do juiz Sérgio Moro.
A hipótese, porém, pode não se
confirmar caso o ministro relator no STF dos casos relativos à Lava Jato, Teori
Zavascki, decida que eles podem continuar sendo investigados no STF porque
estariam relacionados a fatos investigados no tribunal.
Ministros de Estado e outras
autoridades, como parlamentares federais, só podem ser julgados no STF porque
detém foro especial por prerrogativa de função, o chamado foro privilegiado.
Com a exoneração divulgada pelo
"Diário Oficial" nesta quinta (12), perderam o foro no STF os
ministros Aloizio Mercadante (Educação), Edinho Silva (Secretaria de
Comunicação Social), Jaques Wagner (Gabinete Presidencial), José Eduardo
Cardozo (Advocacia Geral da União) e Ricardo Berzoini (Governo).
Outro alvo da Operação Lava Jato,
o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a ser nomeado ministro por
Dilma, mas o ato teve sua eficácia suspensa por decisão judicial.
Mercadante, Wagner, Cardozo e
Berzoini passaram a ser alvo de apuração a partir da delação premiada do então
senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), que teve seu mandato cassado pelo Senado
nesta quarta-feira (11). Edinho Silva foi citado por Delcídio e por outro
delator, Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia.
A assessoria de Mercadante
informou que o ex-ministro não tem conhecimento de que seja alvo de
investigação derivada das delações do ex-senador Delcídio do Amaral e da
gravação feita por um assessor de Delcídio no gabinete de Mercadante. A Folha apurou
que há duas petições tramitando em sigilo no STF sobre esses fatos.
O ex-ministro também afirmou que o
inquérito aberto em fevereiro de 2016, a pedido da PGR a partir de declarações
do delator Ricardo Pessoa, foi considerado pela PGR e pelo STF como
desvinculado do tema da Lava Jato e tramita sob relatoria do ministro Celso de
Mello.
Como o assunto trata de suposta
doação para caixa dois eleitoral, o inquérito deverá passar a tramitar na
Justiça Federal de São Paulo com a perda de foro de Mercadante, e não em
Curitiba.

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