Segundo delatores, as propinas
abasteceram a campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014. Em texto, a
empresa diz dever "um sincero pedido de desculpas ao povo
brasileiro".
O juiz federal Sérgio Moro
homologou, na última quinta-feira, o acordo de leniência da Andrade Gutierrez
pelo qual a empresa se compromete a pagar indenização de R$ 1 bilhão. A
negociação com o Ministério Público Federal foi iniciada em outubro de 2015.
No início de abril, o
ministroTeori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), já tinha homologado
a delação premiada de 11 ex-executivos da Andrade Gutierrez. Entre os
depoimentos homologados estão as colaborações do ex-presidente Otávio Marques
de Azevedo e do ex-executivo da construtora Flávio Barra.
O ministro do STF ainda não
levantou o sigilo das delações. Mas, segundo fontes, os executivos relataram
nos depoimentos que a companhia realizou pagamentos diretos à empresa
contratada pela campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010. Azevedo contou
ainda que sua empresa participou de esquemas em outras obras, além da
Petrobras, como estádios da Copa do Mundo e obras relacionadas à Usina de Belo
Monte.
Os delatores também afirmaram que
recursos de propina abasteceram a campanha à reeleição da petista em 2014. São
citados nominalmente os ministros da Secretaria de Comunicação do Planalto,
Edinho Silva, e da Secretaria de Governo Ricardo Berzoini, além do
ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e do ex-ministro Antonio Palocci.
Pelas regras do acordo de
leniência, a empresa admite ter cometido ilícitos, acerta o valor de uma
indenização, implanta programas de controle interno e fornece informações sobre
as irregularidades. Em troca, se livra da inidoneidade. O valor de R$ 1 bilhão
foi fechado entre os advogados da empreiteira, a segunda maior do País, e a
força-tarefa da Operação Lava Jato.
As informações sobre o acordo de
leniência da Andrade Gutierrez estão em anúncio que será publicado amanhã nos
jornais sob o título "Pedido de desculpas e manifesto por um Brasil
melhor". A empresa diz que deve "um sincero pedido de desculpas ao
povo brasileiro". Afirma que "erros graves" foram cometidos nos
últimos anos, mas que, além do pedido de desculpas, faz oito propostas
"para um Brasil melhor".
A construtora afirma que está
implementando, desde dezembro de 2013, uma nova governança, baseada em rígido
código de ética e conduta, em linha com as melhores práticas adotadas em todo o
mundo. No comunicado, a empresa reforça o compromisso de ser
"absolutamente intolerante" com qualquer desvio ético ou moral.
A Andrade Gutierrez diz também que
vai continuar colaborando com as autoridades no decorrer das investigações.
"Acreditamos que a Operação Lava Jato poderá servir como um catalisador
para profundas mudanças culturais, que transformem o modo de fazer negócios no
país", afirma o texto. Segundo a empresa, esse é um momento propício para
que as construtoras junto com o governo façam melhorias nos processos adotados
nas obras de infraestrutura.
A empresa lista oito sugestões
para "uma nova relação entre o poder público e as empresas" com
atuação em obras de infraestrutura. "Relação que privilegie a ética, a
responsabilidade social e o zelo com o dinheiro público", diz o comunicado.
Entre as sugestões estão assegurar
a punição de empresas que não cumpram os contratos na sua totalidade. A empresa
defende a obrigatoriedade de estudo de viabilidade antes do lançamento do
edital da concorrência, de projeto executivo de engenharia antes da licitação e
de obtenção prévia de licenças ambientais.
Também diz que é preciso a
aferição dos serviços executados e da qualidade das obras por empresas
especializadas, para evitar "interpretações tendenciosas". Pede
garantia de que ambas as partes tenham os diretos contratuais assegurados e de
que o modelo de governança nas estatais e nos órgãos públicos garanta que as
decisões técnicas sejam tomadas por profissionais técnicos e sem filiação
partidária.
Além disso, afirma que as obras só
devem começar com a garantia de disponibilidade dos recursos financeiros
vinculados ao projeto até sua conclusão.
(Com Estadão Conteúdo)

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