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Tartaruga
foi encontrada morta na Praia do Leblon
(Foto: Paula
Levy / Globo)
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Em 1 mês, desde 15 de março, oito foram
achadas mortas em praias. Especialistas não conseguem apontar uma causa que
ligue os casos.
Desde 15 de março até esta
sexta-feira (15), oito tartarugas foram encontradas mortas no litoral do Rio de
Janeiro. O número é considerado acima da média registrada pelo Projeto Aruanã,
que trabalha pela conservação de tartarugas no litoral do Estado do Rio de
Janeiro, que costuma ser de até cinco.
Quatro animais foram encontrados
no litoral da cidade do Rio, três em Maricá e uma em Niterói.
De acordo com a bióloga marinha e
coordenadora técnica do Projeto Aruanã, Suzana Guimarães, pesquisas ainda não
conseguiram identificar se há uma causa comum para as mortes dos animais no
litoral do estado.
“Até o momento, não existe nenhuma
causa que ligue as mortes de todas as tartarugas. As amostras estão sendo
analisadas. Quando ela morre sem uma causa aparente fica difícil,” explicou
Suzana, que contou que amostras dos animais estão sendo analisadas.
De acordo com Suzana, a média de
registro de tartarugas mortas no litoral do RJ chegava, no máximo, a cinco
animais por mês.
Entre os casos que se destacam
recentemente está a morte de duas tartarugas-de-couro (Dermochelys coriacea),
espécie que tradicionalmente é vista em regiões oceânicas e com hábitos solitários,
que só se aproxima da costa para desova.
Sujeira e pesca ilegal
A bióloga e mestre em biologia
Vanessa Pose Martinez levanta a possibilidade de que a sujeira no mar possa
estar causando as mortes.
“O plástico libera um gás no
estômago dos animais que faz com que eles flutuem, impossibilitando que as
tartarugas possam mergulhar para caçar para comer corais, esponjas e algas no
fundo do mar. Algumas são resgatadas desnutridas e chegam a ser levadas para a
reabilitação, mas muitas morrem”, contou Vanessa.
A bióloga ressaltou que a situação
é pior no caso das tartarugas-de-couro, que se alimentam de águas vivas, que
são facilmente confundidas com pedaços de plástico, podendo causar sufocamento.
Vanessa destacou também que o atropelamento por veículos aquáticos pode causar
a morte dos animais.
“Em alguns casos de atropelamento
por motos aquáticas e lancha, os animais podem ser feridos sem causar danos no
casco, podendo ficar até com a coluna quebrada”, explicou a bióloga.
Segundo entrevista concedida ao G1
no dia 15 de março, o biólogo Bruno Meurer também cogitou a possibilidade de
que os animais tenham sido mortos pela ingestão de detritos ou por redes de
pesca.
"A pesca tem sido um problema
no mundo todo, porque com a redução de pescado, os pescadores estão aumentando
os tamanhos das redes. Algumas chegam a 5 km de diâmetro. A tartaruga fica
presa na rede e acaba morrendo afogada. É um problema que o mundo inteiro tenta
resolver", disse Meurer, que é coordenador do Laboratório de Ecologia, que
desenvolve o projeto "Tartarugas Marinhas do Rio", que avalia os
principais riscos para as espécies de tartaruga no estado.
Marcello Farias, do movimento
Salvemos São Conrado, que luta contra a poluição no bairro, ressalta que não
pode dar uma opinião de especialista, mas também acredita que a poluição pode
ser um dos principais fatores para a morte de animais. Nas areias da praia do
bairro, na Zona Sul do Rio, foram encontradas duas tartarugas mortas neste
período.
“Essas mortes começaram de uns
tempos para cá. Antigamente a gente não via tantos casos. Nós temos aqui um
grande problema, que é o despejo de esgoto sem tratamento no costão da Avenida
Niemeyer”, contou Marcello.
Marcello destacou ainda que vários
barcos pesqueiros também circulam na região. Além das tartarugas, um tubarão
foi encontrado morto na praia.
Desastre de Mariana
Os biólogos contam que não possuem
meios no momento para afirmar com certeza se a poluição causada pelo rompimento
da barragem de Mariana, em Minas Gerais, e a chegada dos detritos ao litoral,
no Espírito Santo, possam ter relação com o fenômeno no Estado do Rio de
Janeiro.
“As tartarugas nascem em uma
praia, percorrem um longo trajeto e desovam no local onde nasceram. No Brasil,
o único local de desova de tartaruga-de-couro, por exemplo, é em Regência (ES),
região que foi atingida pela lama toxica”, explicou Vanessa Pose Martinez.

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