Assim que o áudio com discurso de Temer falando como se o
impeachment já tivesse sido aprovado pela Câmara vazou, a presidente Dilma
Rousseff ordenou uma resposta enfática do governo, colando ao vice-presidente a
imagem de "golpista", segundo a Folha de S. Paulo.
O ministro Ricardo Berzoini (Secretaria
de Governo) disse ao jornal que a fala de Temer "revela a trama golpista
que o vice e sua turma vêm demonstrando há semanas". "Estou
estupefato. Ele está confundindo a apuração de eventual crime de
responsabilidade da presidente Dilma com eleição indireta. Está disputando
votos e transformou o processo numa eleição indireta para conseguir votos em
favor do impeachment. Esse áudio demonstra as características golpistas do
vice", declarou Berzoini.
Para o Planalto, ao se antecipar à
votação no plenário da Câmara, marcada para domingo (17), Temer cometeu o mesmo
erro que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nas eleições municipais de
1985, em São Paulo, quando ele "se sentou na cadeira de prefeito antes da
hora". Na época, o tucano fez uma foto para uma revista sentado na cadeira
de prefeito dias antes da votação, fator que poderia ter influenciado em sua
derrota.
A ordem no governo agora é
utilizar a fala do peemedebista para reforçar a munição contra ele também nas
redes sociais, como o mentor do "golpe".
Parlamentares e dirigentes do PT
também foram surpreendidos pelo áudio e assumiram a mesma postura que o Palácio
do Planalto: "No momento em que Temer se revela como o golpista que sempre
foi, e se apresenta como alternativa de poder, potencializa as nossas chances
de vencer a votação no plenário da Casa", afirma Marco Aurélio Carvalho,
coordenador do setorial jurídico do PT.
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