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Deputada
argentina Elisa Carrió, líder política
e aliada do
presidente Mauricio Macri.
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A deputada argentina Elisa Carrió,
líder política e aliada do presidente Mauricio Macri, denunciou nesta
terça-feira (19) o ex-ministro do Planejamento dos Kirchner e atual deputado,
Julio de Vido, por possível delito de corrupção no esquema investigado pela
Operação Lava Jato no Brasil. A deputada espera que a Justiça argentina trabalhe
em conjunto com a brasileira.
A denúncia penal da deputada Elisa
Carrió contra o ex-ministro do Planejamento, Julio de Vido, baseia-se nas
declarações do delator Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da
Petrobras. A deputada, aliada do presidente Mauricio Macri, pediu à Justiça
para investigar a ramificação argentina da Operação Lava Jato.
Em declarações à Procuradoria
Geral da República, Cerveró revelou ter recebido 300 mil dólares em suborno
pela venda, em 2007, da empresa de transmissão elétrica Transener, pertencente
então à Petrobras Argentina.
Condenado a 17 anos de prisão, o
ex-diretor da Petrobras contou que o ministro argentino "pressionou pela
venda" a empresários da Electroingeniería, "uma empresa amiga"
dos governos Kirchner, segundo o próprio Cerveró.
O delator também informou que,
dessa venda por um total de US$ 54 milhões, "a maior parte do suborno
ficou na Argentina".
A deputada Elisa Carrió sempre
indicou que o ex-ministro Julio de Vido cobrava subornos para os ex-presidentes
Néstor e Cristina Kirchner. A diferença é que agora, com os Kirchner fora do
poder, a denúncia ganha mais chance de ser investigada, embora, como deputado,
Julio de Vido tenha imunidade parlamentar.
A Electroingeniería teve um
crescimento astronômico durante os mandatos dos Kirchner.
O ex-ministro argentino, Julio de
Vido, admitiu reuniões com o delator Cerveró, mas disse que foram
"encontros institucionais, "sem irregularidades" e que
"sempre agiu em defesa do interesse nacional".
A confissão de Cerveró confirmou o
que já tinha sido admitido pelo lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando
Baiano, quem também reconheceu suborno por US$ 300 mil.
A parte argentina envolve ainda
outro ex-ministro argentino de Obras Públicas (nos anos 90), Roberto Dromi, que
atuou como lobista.
Segundo Soares, os donos da
Eletroingeniería e o ministro Julio de Vido eram "íntimos" pela forma
próxima e afetuosa com a qual se relacionavam.
Entre 2006 e 2007, a
Eletroingeniería e o ministro argentino conseguiram, suborno mediante, que a
Petrobras cancelasse um compromisso de venda com o fundo de investimento
norte-americano Eton Park e que a empresa fosse vendida aos empresários amigos
do então governo.
Mais casos que envolvem a
Argentina
Na Operação Radioatividade da
Polícia Federal brasileira sobre a usina elétrica Eletronuclear no ano passado,
um grupo de construtoras brasileiras foi acusado de formação de cartel para
controlar as licitações. Entre as oito companhias, a construtora argentina
Techint, o primeiro caso de uma empresa de capitais estrangeiros, investigada
no Brasil.
Desde 2005, o BNDES financiou mais
de US$ 500 milhões em projetos de companhias brasileiras na Argentina,
como obras de infraestrutura realizadas pelas construtoras brasileiras,
principalmente pela Odebrecht. O presidente da companhia, Marcelo Odebrecht,
mantinha estreito vínculo com o ministro do Planeamento argentino, Julio de
Vido.
Em 2009, a fabricante de aviões
brasileira Embraer vendeu 20 aviões à companhia aérea Aerolineas Argentinas. Do
contrato de US$ 698 milhões, 80% foi financiado pelo BNDES. Nos Estados Unidos,
o Departamento de Justiça, a Securities and Exchange Commission (SEC) e o FBI
investigam supostos subornos a integrantes do governo argentino por um valor em
torno de US$ 100 milhões.
Em dezembro de 2014, a Polícia
Federal brasileira encontrou na residência do doleiro-delator Alberto Yousseff
um registro com 747 obras realizadas por 170 empresas por um valor de US$ 4,6
bilhões. O maior registro de corrupção da história brasileira incluia obras
públicas realizadas em Argentina, Uruguai, Cuba, República Dominicana, Equador
e Colômbia. As obras na Argentina eram gasodutos.

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