Lobista disse que R$ 2 mi foram
usados para pagar dívida da nora de Lula. Pecuarista nega que tenha recebido e
repassado o dinheiro para esse fim.
A Polícia Federal vai organizar na
quinta-feira (14) uma acareação entre o lobista Fernando Soares, conhecido como
Fernando Baiano, e o pecuarista José Carlos Bumlai. O objetivo é esclarecer um
suposto repasse do lobista ao empresário, no valor de R$ 2 milhões. Segundo
Baiano, o dinheiro seria para o pagamento de dívidas da nora do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Baiano fez a afirmação no acordo de
delação premiada que firmou com o Ministério Público Federal (MPF). Em troca
dessa e de várias outras informações, ele pode deixar a cadeia, para cumprir
prisão em regime domiciliar, no Rio de Janeiro, após um ano de cadeia. Ele foi
detido na sétima fase da Operação Lava Jato e é apontado pelos procuradores
como operador de propina do esquema de desvios da Petrobras para políticos
ligados ao PMDB.
Bumlai também foi detido na Lava
Jato, na 21ª fase da operação. Ele é acusado de ter ajudado uma empresa do
Grupo Schain a fechar um negócio bilionário com a Petrobras, para o aluguel de
navios-sonda. Em troca, o grupo emprestou R$ 12 milhões ao empresário, que nunca
foram pagos, segundo o MPF. O valor da propina teria sido repassado ao Partido
dos Trabalhadores (PT).
Bumlai reconheceu em depoimento a
fraude em favor da Schain, mas negou que o ex-presidente tivesse conhecimento
do caso. Antes da prisão, o pecuarista também negou, em entrevista ao jornal “O
Estado de S. Paulo” que tenha feito pedido de dinheiro a Baiano para entregar
nora do ex-presidente.
Na delação, Baiano diz que os R$ 2
milhões eram referentes a uma comissão a que Bumlai teria direito por incluir
Lula em uma negociação para um contrato. Fernando Baiano era representante da
empresa OSX, que tinha interesse em entrar na licitação para a construção de
navios sonda para explorar o pré-sal.
A Polícia Federal pretende
esclarecer as circunstâncias do suposto repasse. Caso se comprove que Baiano
possa ter mentido, o lobista fica sujeito a perder os benefícios do acordo de
delação. Se os policiais entenderem que a denúncia tem fundamento, pode
indiciar Bumlai por esse caso. Nesse caso, o MPF pode decidir posteriormente
por apresentar uma denúncia contra o pecuarista pelos eventuais crimes.
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