O entorno do Congresso Nacional
foi palco de manifestações que terminaram com tiros disparados, duas pessoas
detidas e parlamentares atingidos por spray de pimenta, na tarde desta
quarta-feira, 18, enquanto deputados e senadores analisavam os vetos
presidenciais. Os incidentes levaram o presidente do Congresso, senador Renan
Calheiros (PMDB-AL), a ordenar que as polícias Federal e Militar façam revistas
nas barracas de movimentos pró-impeachment instaladas no local, em busca de
armas. Renan disse ainda que procurará novamente o presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para pedir que ordene a desocupação das manifestações.
A primeira confusão aconteceu
durante a passagem da Marcha das Mulheres Negras pelo Congresso, quando
integrantes do ato e manifestantes que pedem a intervenção militar no País
acampados no gramado do canteiro central da Esplanada dos Ministérios entraram
em confronto. Os intervencionistas acusaram os integrantes da marcha de
destruírem barracas e o boneco inflável gigante do general Antonio Hamilton
Martins Mourão instalado por eles no acampamento, enquanto membros da passeata
acusaram um dos intervencionistas de atirar e ter atitudes racistas. Houve
agressão física entre eles, mas ninguém se feriu
gravemente.
De acordo com a Polícia Militar, o
policial civil maranhense Marcelo Tadeu Penha Cardoso foi preso após disparar
pelo menos quatro tiros para cima durante a confusão. A PM afirmou que Tadeu é
o mesmo policial que havia sido conduzido do acampamento pró-intervenção
militar à delegacia na semana passada, com uma pistola. Na quinta-feira à
noite, um policial militar aposentado que também estava no acampamento
pró-impeachment já tinha sido detido pela Polícia Civil, que encontrou uma
pistola e outras armas brancas escondidas no veículo dele, como porretes,
furadores de coco e spray de mostarda.
O major da PM Juliano Farias
explicou que, para evitar o contato corporal com os manifestantes, policias
militares tiveram de usar spray de pimenta para dispersar a confusão. O spray,
contudo, também atingiu jornalistas e deputados que foram ao protesto para
averiguar o que estava acontecendo, entre eles, o deputado Paulo Pimenta
(PT-RS). O petista retornou à Câmara com olhos irritados e lacrimejando. Ele
explicou que foi ao local da confusão por ser presidente da Comissão de
Direitos Humanos e Minorias da Câmara. "Me pegaram por trás, não deu para
ver nada", afirmou, antes de ser atendido no posto médico da Casa.
Quando finalmente a confusão entre
os integrantes da Marcha e manifestantes que pedem a intervenção militar foi
dispersada pela polícia, um novo incidente aconteceu no gramado em frente ao
Senado. Um policial civil do Distrito Federal, cujo nome não foi divulgado,
disparou pelo menos três tiros e foi detido pela PM. Logo após os disparos,
integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) desceram para o gramado e
tentaram arrancar a faixa pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff
instalada por movimentos acampados no local há quase um mês, mas foram contidos
pela polícia. Ontem, os integrantes da CUT montaram acampamento logo atrás das
barracas pró-impeachment.
Em nota, a Polícia Civil informou
que o policial civil do Maranhão Marcelo Tadeu foi autuado em flagrante pelo
crime de disparo de arma de fogo, mas pagou fiança de R$ 790 e foi liberado. A
arma do policial foi apreendida. "A Corregedoria da Polícia Civil do MA
será comunicada do fato para adotar as medidas pertinentes", informou. Já
o policial civil do DF foi conduzido à Corregedoria da Policia Civil do
Distrito Federal, que "está apurando o ocorrido". A Polícia Civil
ressaltou que as duas detenções foram feitas por equipes distintas da PM do DF
e não estão relacionadas.
Deputado Paulo Pimenta (PT-RS) é
atingido por gás de pimenta durante confusão da Marcha das Mulheres Negras, em
frente ao Congresso Nacional
Deputado foi atingido pelo gás de
pimenta quando foi verificar o que estava causando a confusão em frente ao
Congresso
Confronto aconteceu entre
integrantes da Marcha das Mulheres Negras e manifestantes que pedem a
intervenção militar no País que estão acampados no gramado
A Marcha das Mulheres Negras
Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em
Brasília reuniu mulheres de todos os Estados e regiões do Brasil em
frente ao Congresso Nacional. Manifestação acabou com tiros para o alto e
duas pessoas presas
Manifestantes contrários ao
presidente da Câmara, Eduardo Cunha, entrarm em confronto com grupo que
pede intervenção militar no País.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!