Tremor de 7,8 graus destruiu
grande parte de Katmandu e vilarejos.
O forte tremor que atingiu o Nepal
no dia 25 de abril deixou mais de 7 mil mortos e pelo menos 14 mil feridos,
segundo balanço do Centro Nacional de Operações de Emergência do país,
divulgado neste domingo (3). No sábado (2), o governo do Nepal já tinha
informado não ter esperanças de encontrar mais sobreviventes do terremoto.
Os números oficiais são 7.040
mortos e 14.123 feridos. O tremor de 7,8 graus de magnitude destruiu grande
parte de Katmandu e muitos vilarejos próximos ao epicentro, registrado a 70 km
da capital do Nepal.
Uma semana após o tremor, ainda há
registro de resgates de pessoas com vida. Um idoso de 101 anos foi resgatado
com vida entre os escombros de uma casa no Nepal, informou a polícia local
neste domingo (3). O homem foi resgatado neste sábado (2) e foi levado para um
hospital, onde se recupera.
Além disso, outras três pessoas
que estavam soterradas há oito dias foram retiradas com vida dos destroços de
sua casa por equipes de resgate no Nepal. O caso aconteceu no distrito de
Sindhupalchowk, ao nordeste da capital Katmandu e uma das áreas mais afetadas
pelo tremor no país.
Os resgates levaram esperança,
apesar de o governo já não ter mais uma postura otimista. "Uma semana
passou desde o desastre. Estamos fazendo todo o possível em termos de
salvamento e assistência, mas já não acredito na possibilidade de encontrar sobreviventes
sob os escombros", declarou à AFP o porta-voz do ministério do Interior,
Laxmi Prasad Dhakal.
Prosseguem as buscas para
localizar quase mil europeus, a maioria praticantes de alpinismo que estavam
nas regiões do Everest e de Langtang no momento do tremor.
"Estão desaparecidos, mas não
sabemos exatamente qual a sua situação", afirmou Rensje Teerink,
embaixadora da UE no Nepal, à imprensa.
O Consórcio de Redução de Riscos
no Nepal, uma entidade na qual participam organismos das Nações Unidas, calcula
que o terremoto causou o deslocamento de 2,8 milhões de cidadãos (a população
do país é de 28 milhões pessoas).
A mesma fonte assinalou que o
terremoto destruiu 160.786 casas e outras 143.673 ficaram danificadas, e
reivindicou de maneira urgente US$ 415 milhões para enfrentar a crise
humanitária vivida pelo país do Himalaia.
Sobreviventes esperam por
alimentos
Em várias regiões, os
sobreviventes esperam por alimentos e por transporte para um local seguro.
"Em muitas áreas, as pessoas não têm acesso à ajuda e é normal que estejam
irritadas", admitiu Rameshwor Dangal, diretor da agência nacional de
gestão de catástrofes.
"Calculamos que quase mil
pessoas precisam de auxílio nas regiões de Rasuwa e Sindhupalchowk",
disse. Na capital Katmandu, dezenas de milhares de pessoas continuam dormindo
nas ruas. De acordo com as Nações Unidas, 600 mil casas foram destruídas ou
danificadas.
De acordo com a Reuters, inspeções
alfandegárias no aeroporto de Katmandu estão retendo ajuda para sobreviventes
do terremoto no Nepal.
O Unicef alertou para a situação
de milhares de crianças desabrigadas, com a saúde em risco, traumatizadas pela
tragédia e sem acesso à água potável ou alimentos. "Os hospitais estão
lotados, a água começa a faltar, muitos corpos continuam sepultados sob os escombros
e as pessoas continuam dormindo nas ruas. É uma situação perfeita para a
proliferação de doenças", advertiu Rownad Khan, funcionário do Fundo das
Nações Unidas para a Infância.
Acampamentos
Segundo fontes militares, cerca de
75% das vítimas do terremoto de há uma semana que tinham se refugiado nos
acampamentos provisórios instalados pelo governo nepalês em Katmandu
abandonaram as tendas.
O maior acampamento da capital
nepalesa, o de Thudikel, dá refúgio ainda a entre 1.200 e 2.000 pessoas, embora
na segunda-feira passada abrigasse entre 9.000 e 12.000, assegurou uma fonte
militar que preferiu manter o anonimato.
A fonte assegurou que essa
situação se repete em outros 15 acampamentos instalados em diferentes pontos de
Katmandu, onde segundo os últimos dados oficiais divulgados pelo Ministério do
Interior nepalês, 22.905 casas foram destruídas e outras 60.855 ficaram
danificadas.
Muitos dos desabrigados pela
tragédia que abandonaram os acampamentos retornaram para suas casas ou ao
restante delas para retirar os escombros ou tentar concertar os danos.

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