Nelma Kodama diz em CPI que euros aprendidos não estavam na calcinha | Rio das Ostras Jornal

Nelma Kodama diz em CPI que euros aprendidos não estavam na calcinha

Reprodução
Segundo o MPF, Nelma tentou fugir do país com 200 mil euros na calcinha.
A doleira Nelma Mitsue Penasso Kodama, acusada de atuar em parceira com Alberto Youssef no esquema da Operação Lava Jato, disse no segundo dia da CPI da Petrobras, na manhã desta terça-feira (12), que os euros apreendidos com ela no Aeroporto de Guarulhos, em março de 2014, não estavam na calcinha.
De acordo ela, eram dois pacotes com notas altas de euros e estavam escondidos em dois bolsos na parte de trás da calça jeans que ela usava. "Eu me sinto injustiçada porque  fui presa no dia 14 de março, que eu estava indo a Milão, não estava fugindo do país", disse. Durante seu depoimento, Nelma ainda levantou e mostrou como teria escondido o dinheiro.
"É de conhecimento de todo mundo que existem notas de 5 euros, 10 euros, 50 euros, 100 euros, 200 euros e 500 euros. Então, 200 mil euros significa um pacotinho assim e um pacotinho assim", disse.
A declaração da doleira contraria a denúncia do Ministério Público Federal e da PF que informa que ela estava tentando fugir do país com 200 mil euros escondidos na calcinha.
Questionada sobre o porque da afirmação sobre a calcinha, a doleira justificou: "Acho que é porque houveram outros acontecimentos que algumas pessoas apareceram com dinheiro na cueca. Então, eu acho que tinha que ter uma mulher que tivesse dinheiro na calcinha", argumentou.
'Amada Amante'
Ainda durante o seu depoimento, o deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) perguntou se Nelma tinha sido amante do doleiro Alberto Youssef. "Eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Portanto, além de conviver maritalmente com ele, porque, amante é uma palavra que engloba tudo", respondeu a doleira. No final da resposta, Nelma ainda brincou e cantou um trecho da música Amada Amante, de autoria de Roberto Carlos.
Na sequência, o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), chamou a atenção de Nelma. "Sra Nelma, nós não estamos em um teatro. Eu gostaria que a vossa senhoria se detenha a responder as perguntas mantendo a ordem e o respeito ao Congresso Nacional que neste momento está aqui fazendo a CPI".
Nelma Kodama também declarou que nunca teve nenhum contato com o PT ou outro partido político. "Meu desejo é que a CPI possa chegar a uma conclusão, que os culpados sejam culpados, e que tudo isso [o sistema] seja mudado", disse a doleira investigada.
Outros cinco presos da Lava Jato também foram convocados para a CPI desta terça-feira. São eles: René Luiz Pereira, acusado de ser um dos operadores do esquema, Luiz Argôlo (SD-BA), André Vargas (sem partido-PR) e Pedro Corrêa (PP-PE), ex-deputados federais, e o doleiro Carlos Habib Chater, dono do posto de gasolina em Brasília que deu nome à operação da Polícia Federal.

A sessão da CPI de segunda-feira (11) ouviu sete dos 13 investigados em quase dez horas de duração. A oitiva registrou momentos de animosidade, com bate-boca entre deputados e o advogado do empresário Fernando Baiano. Foram ouvidos: Alberto Youssef, Mário Góes, Nestor Cerveró, Fernando Soares, Guilherme Esteves, Adir Assad e Iara Galdino. Destes, apenas os doleiros Youssef e Iara Galdino responderam aos questionamentos dos parlamentares.
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