MP recorre de decisão que soltou acusados de matar cinegrafista no Rio | Rio das Ostras Jornal

MP recorre de decisão que soltou acusados de matar cinegrafista no Rio

Decisão da Justiça retirou acusação de homicídio doloso qualificado.  Câmara exigiu homicídio com dolo direto e não com dolo eventual, diz MP.
O Ministério Público do Rio entrou com dois recursos contra a decisão da 8ª Câmara Criminal do Rio de Janeiro que retira do processo contra Fábio Raposo e Caio Silva de Souza, apontados como responsáveis pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, a acusação de homicídio doloso triplamente qualificado. Com a decisão, a Oitava Câmara entendeu não existir crime doloso contra a vida na ação criminosa que resultou na morte do profissional da TV Bandeirantes, como mostrou com exclusividade o RJTV 1ª edição.
Segundo o MP, a Câmara julgadora exigiu circunstâncias de homicídio com dolo direto, quando há intenção de matar. Os promotores, no entanto, sustentavam que o crime era de homicídio com dolo eventual, quando os autores assumem o risco de causar a morte.
Os recursos foram encaminhados para o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Em março deste ano, os desembargadores determinaram que Fábio e Caio fossem soltos e respondessem ao processo em liberdade.
Em fevereiro do ano passado, Fábio e Caio acenderam um rojão durante uma manifestação no Centro do Rio. O cinegrafista Santiago Andrade, que estava trabalhando, foi atingido e morreu. No documento enviado ao STJ, os procuradores afirmam que os desembargadores não interpretaram corretamente o que era defendido pelo Ministério Público.
Santiago Andrade foi morto por um rojão no
centro do Rio (Foto: Reprodução GloboNews)
O Ministério Público defende ainda que a decisão retirou dos jurados a competência que somente eles têm de julgar crimes dolosos contra a vida. A mesma alegação foi feita no recurso extraordinário, enviado ao STF, onde os procuradores sustentam que a Constituição Federal foi violada porque somente os jurados poderiam decidir se houve ou não crime doloso contra a vida e não um juiz.
Com esses dois recursos, o MP espera que o processo retorne à acusação anterior, em que Fábio Raposo e Caio Silva seriam julgados no Tribunal do Júri por homicídio triplamente qualificado, assumindo o risco de matar.

Pela acusação do MP, a pena dos acusados de acender e atirar o rojão que matou o cinegrafista pode chegar a 30 anos de prisão. Já a decisão do Tribunal de Justiça pode reduzir este tempo para 8 anos, pois Caio e Fábio responderiam por homicídio culposo -- sem intenção de matar -- ou por explosão seguida de morte. O Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal informaram que ainda não receberam os recursos.
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