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Coutinho está cumprindo a prisão perpétua
nos EUA
Reprodução/omaha.com
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Em 2013, Justiça americana condenou José Carlos de Oliveira Coutinho à
prisão perpétua
A execução de Marco Archer Cardoso Moreira, condenado por tráfico de
drogas na Indonésia, foi a primeira de um cidadão brasileiro no exterior. Mas
ele não era o único nacional a enfrentar o corredor da morte em um país que
ainda aplica a pena capital. Além de Rodrigo Gularte, também condenado à morte
na Indonésia por tráfico, outro brasileiro já esteve perto de ser executado,
mas nos Estados Unidos.
José Carlos de Oliveira Coutinho foi considerado culpado, em 2012, pela
morte de três brasileiros em Omaha, no Estado de Nebraska: as vítimas eram o
missionário Vanderlei Szczepanik, sua mulher, Jaqueline, e o filho de sete anos
do casal, Christopher.
Na época do crime, em dezembro de 2009, Coutinho trabalhava para
Szczepanik — juntamente com outros dois brasileiros, Valdeir Gonçalves Santos e
Elias Lourenço Batista — na reforma de uma escola em um centro religioso.
Como as vítimas desapareceram e não havia pistas sobre o paradeiro dos
corpos, a polícia então prendeu os três brasileiros, após descobrir que eles
usaram cartões bancários da família. À época, os três alegaram inocência.
Lourenço Batista acabou sendo deportado para o Brasil, em abril 2011,
por falta de provas, enquanto os outros dois aguardavam julgamento.
No final daquele mesmo ano, Gonçalves Santos fechou um acordo de
delação premiada com a Justiça americana. Ele confessou ter participado do
crime, ao lados dos dois brasileiros, mas apontou Coutinho como mandante.
Com isso, Gonçalves Santos escapou de uma pena mais dura, sendo
sentenciado a 20 anos de prisão.
Da pena de morte à prisão perpétua
No ano seguinte, em outubro de 2012, durante o julgamento que condenou
Coutinho, o júri determinou três fatores que agravaram o caso: os assassinatos
foram múltiplos; os homicídios foram cometidos com intenções de lucro; e os
dois outros assassinatos ocorreram para encobrir o primeiro.
Com a decisão, o juiz de do condado de Douglas determinou que um painel
de três juízes avaliaria se Coutinho teria como destino a pena de morte. A
decisão sairia em agosto de 2013.
Segundo o site de notícias Omaha.com, promotores de Nebraska chegaram a
antecipar que Coutinho se tornaria a 12ª pessoa a entrar para o corredor da
morte no Estado. Mas não foi isso o que aconteceu.
O painel de juízes considerou que o caso continha seis agravantes que
justificavam a pena de morte: o espancamento de Szczepanik por causa de
dinheiro; o fato de mãe e criança terem sido amarradas por mais de uma hora; o
transporte dos três por um caminho escuro; o enforcamento de mãe e criança após
eles implorarem para viver; o esquartejamento dos corpos; e, por fim, o fato de
os corpos terem sido lançados no rio Missouri (os corpos do casal jamais foram
encontrados, enquanto o corpo da criança foi encontrado dois anos após o
crime).
No entanto, um dos três juízes considerou que os agravantes não
prevaleciam sobre os fatores favoráveis ao condenado. Ele considerou que
Oliveira Coutinho fora “um dos cúmplices do crime, com participação
relativamente pequena”.
O juiz argumentou que, diferentemente das outras 11 pessoas no corredor
da morte no Estado, Coutinho não tivera participação ativa nas mortes — segundo
o depoimento de Gonçalves Santos, ele próprio e Lourenço Batista foram quem
esquartejaram os corpos e os jogaram no rio, mas sob comando de Coutinho.
Como a decisão do painel de juízes não foi unânime, o brasileiro então
escapou da pena de morte. Ele foi condenado, então, à prisão perpétua.
Na época da decisão, a filha de Jaqueline, Tatiane Costa Klein, contou
ao jornal Folha de S.Paulo que enviara uma carta à Justiça americana pedindo
que o assassino de sua mãe, padrasto e irmão não fosse sentenciado à morte.
“Recebi muitas críticas por essa carta, mas ao menos estou com minha
consciência tranquila”, disse ela ao jornal.
Ela se disse aliviada pela condenação, criticando apenas o fato de
Lourenço Batista continuar solto no Brasil.
Desde o surgimento dos novos depoimentos, a Justiça americana vem
tentando, sem sucesso, a deportação do brasileiro.

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