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Pela
primeira vez, a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (Pevs), feita
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisou dados
referentes ao número dos principais produtos madeireiros da silvicultura,
divididos nas principais espécies plantadas para exploração. Um exemplo é a
avaliação dos tipos de eucalipto produzidos fora de áreas nativas. Na avaliação
do gerente da pesquisa, Luis Celso Guimarães, o novo critério vai favorecer os
produtores nas análises das regiões de plantio. Segundo ele, essa era uma
reivindicação do setor.
"Era
uma solicitação do usuário para saber que tipo de espécie estava sendo mais
plantada no Brasil, além da localização e distribuição delas. Este ano, a gente
vai ter a produção desses artigos madeireiros por municípios. Onde, por
exemplo, está o pinus. É importante saber qual a espécie melhor adaptável por
região. O produtor verá qual a variedade de eucalipto que vai plantar e
verificar a que se adapta à região em que ele está", disse Guimarães em
entrevista à Agência Brasil.
A Pevc
2014 analisou dados de 38 produtos originados do extrativismo vegetal e sete da
silvicultura, em todos os municípios brasileiros, referentes ao ano-base 2013.
A produção da extração vegetal é obtida nas matas nativas e da silvicultura nas
matas plantadas. A extração vegetal é dividida em nove grupos, entre eles, o
dos alimentícios, das oleaginosas, fibras, ceras, dos corantes e das madeiras.
A silvicultura inclui produtos não madeireiros, como resina, folhas de
eucalipto, cascas de acácia-negra e madeiras para papel e celulose, além do
carvão e da lenha. Os dados foram passados por 1.893 informantes, por meio da
Rede de Coleta do IBGE.
"É
uma pesquisa que não vai direto ao produtor. Ela é obtida de maneira indireta,
por meio de contatos com associações, cooperativas e discutida também nos
grupos de estatísticas agropecuárias e nas comissões municipais de estatísticas
agropecuárias. Os informantes são variáveis e estamos, no momento, montando um
cadastro de pessoas, que varia muito de estado para estado. Há estado em que a
atividade é mais intensa e tem mais informantes. Há outros em que a atividade
não é tão acompanhada, então fica menor o número de informantes",
acrescentou.
De acordo
com a pesquisa, a produção florestal primária atingiu R$ 18,7 bilhões, sendo a
maior parte (76,1%), R$ 14,1 bilhões, referente à silvicultura, e 23,9% ou R$
4,5 bilhões, à extração vegetal. Os produtos madeireiros de extração vegetal
representaram R$ 3,2 bilhões, enquanto o restante é formado por não
madeireiros. Na silvicultura, os quatro produtos madeireiros somaram R$ 14,1
bilhões e os três não madeireiros registraram R$ 143,8 milhões.
Também no
ano passado, o grupo de produtos alimentícios da produção extrativa não
madeireira indicou maior valor de produção, com 71,3% de participação no
resultado obtido pelo segmento, seguido das ceras (10,6%), oleaginosas (10,4%)
e fibras (6,8%). O açaí se destacou pelo valor de produção (R$ 409,7 milhões),
acompanhado da erva-mate nativa (R$ 400 milhões) e da castanha-do-pará (R$ 72,1
milhões).
A produção de açaí extrativo chegou, em 2013, a 202.216 toneladas, o que significou aumento de 1,6%, na comparação com o ano anterior. O estado do Pará é o maior produtor nacional e teve o melhor resultado do país, com 54,9%. A Região Norte é a que concentra a maior parte da produção em extrativismo vegetal não madeireiro.
A produção de açaí extrativo chegou, em 2013, a 202.216 toneladas, o que significou aumento de 1,6%, na comparação com o ano anterior. O estado do Pará é o maior produtor nacional e teve o melhor resultado do país, com 54,9%. A Região Norte é a que concentra a maior parte da produção em extrativismo vegetal não madeireiro.
De acordo com o técnico do IBGE, diante da grande
demanda do açaí, as matas do produto já começaram a receber áreas plantadas,
mudando a classificação para produção agrícola. O babaçu apresentou queda de
8,3%, comparado a 2012. "De acordo com o que está sendo oferecido em
termos de valor, há falta de motivação de quem coleta os produtos, passando
para outros produtos. Se tiver alguma coisa que pague melhor, a pessoa passa
para outra cultura", observou.
Luiz Celso
informou que, oficialmente, os produtos madeireiros da extração vegetal são os
que causam maior preocupação, porque indicam a retirada das matas nativas, mas
os produtos estão apresentando decréscimo. "Os três produtos, carvão,
lenha e madeira em tora, apresentavam decréscimo. Isso já vem acontecendo ao
longo do tempo.
Determinados estados proibiram a utilização de carvão e lenha
originados de matas naturais, de extração vegetal. Todas as olarias e
carvoarias têm que trabalhar com madeira de silvicultura. Alguns estados têm
isso bem firme. Não podem utilizar madeiras de matas nativas. Então, diminui o
impacto sobre essas matas. Passa a depender mais da silvicultura",
esclareceu.
Apesar
disso, o técnico explicou que esse é um dado positivo para o combate da
extração ilegal. "Nós trabalhamos com dados oficiais, com dados que a
gente pode mensurar. Não indica que acabou a extração ilegal. Indica que nos
dados oficiais houve queda", disse.
O gerente
da pesquisa lembrou que o plantio de eucalipto fornece 95% da produção nacional
de carvão vegetal da silvicultura, 85% da produção de lenha e 68% da produção
de madeira em tora.
Fonte: Agência Brasil

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